Açaí com ‘arroz e feijão’ faz parte da rotina de paraenses; nutricionista orienta consumo moderado
No Mercado do Ver-O-Peso, em Belém, a ingestão com guarnições, açúcar e farinha é diária
Mesmo com mudanças e inovações, o consumo de açaí no Pará com guarnições segue vivo. No Mercado do Ver-O-Peso, em Belém, paraenses aproveitam o almoço para se deliciarem com o chamado “ouro negro da Amazônia”, acompanhado por carnes, arroz e feijão. Em vídeos recentes divulgados em redes sociais, a DJ, produtora e empresária Bárbara Labres experimentou o açaí sem açúcar e com farinha, mas não aprovou e, além de caretas, chegou a cuspir o alimento. Apesar do estranhamento, os diferentes modos de consumo perpetuam a tradição do estado, carregada de história e cultura. Entretanto, ingestão deve ser feita com atenção — quando há exageros, podem surgir problemas de saúde.
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A nutricionista Lorena Mendes destaca que o açaí é um alimento rico em compostos antioxidantes que auxiliam no combate de radicais livres e na proteção de células do organismo. “É fonte de fibras, gorduras boas, como os ômegas 6 e 9, vitaminas e minerais”, detalha. Lorena afirma que as duas gotinhas de limão, de fato, melhoram a biodisponibilidade de ferro.
“Quando consumido na forma natural e dentro de uma alimentação equilibrada, pode favorecer a saúde cardiovascular, contribuir para a saciedade e fazer parte de uma dieta saudável”, fala. A nutricionista orienta que a opção mais saudável de ingerir o açaí é sem adição de açucar ou xaropes, com frutas e proteínas — promovendo mais saciedade e equilíbrio nutricional.
Costume paraense
O empreendedor Ulisses Silva, conhecido como Loro, é dono de um box de venda de comida no Mercado do Ver-O-Peso e relata que, diariamente, centenas de pessoas procuram por açaí. Acompanhado com peixe, charque e frango, por exemplo, o alimento é o principal procurado, apesar da venda de pratos feitos com guarnições, como arroz, macarrão, feijão, farofa e salada.
“Todo dia é açaí. No mínimo, 25 latas, 30 latas agora no verão. Está na safra, é um açaí grosso e novo”, destaca Loro. O pedido feito com maior frequência no box, segundo o empreendedor, é de prato feito com peixe e açaí. “Se tem açaí, cara, paraense não passa fome”, fala.
O lancheiro Davi Júnior, de 40 anos, costuma consumir açaí diariamente — especialmente o grosso. Para ele, os melhores acompanhamentos são peixe, camarão, charque frito e mortadela. “Como com todos que vierem. Tem que comer, não tem jeito”, afirma.
Assim como Davi, a cabeleireira Diva Queiroz, de 53 anos, não dispensa o alimento no cotidiano. Sobre a forma de consumo, ela não tem preferências: “Tanto faz com peixe, charque, calabresa ou mortadela.” Diva também gosta de comer com outros acompanhamentos, como arroz e feijão.
Cuidados ao consumir
Lorena afirma que a combinação de açaí com farinha é saudável, desde que feita de forma equilibrada. “A farinha fornece carboidratos, que são uma importante fonte de energia, enquanto o açaí oferece gorduras saudáveis, fibras e antioxidantes. É uma combinação calórica. Para quem tem uma rotina ativa ou realiza atividades físicas, essa combinação pode ser uma excelente fonte de energia”, alerta.
“O açaí natural possui um perfil nutricional bastante interessante e nutritivo. Porém, quando recebe grandes quantidades de açúcar, ele passa a ter um teor elevado de açúcares simples, aumentando rapidamente o valor calórico e favorecendo picos de glicemia”, diz a nutricionista. Ela destaca que pessoas com pré-diabetes, diabetes, resistência à insulina, obesidade ou em processo de emagrecimento devem ter mais atenção ao consumo e, de preferência, optar por orientação nutricional.
Em relação às quantidades, Lorena afirma que não há uma específica para todas as pessoas, pois depende de diversos fatores — como idade, nível e frequência de atividades físicas, objetivos e estado de saúde. “De forma geral, uma porção entre 150 e 200 gramas de açaí natural pode ser incluída de uma a três vezes por semana dentro de uma alimentação equilibrada”, diz. A nutricionista conclui recomendado que seja priorizado o consumo do açaí na forma natural, evitando execesso de açúcar e ultraprocessados.
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