'À Deriva': podcast do Grupo Liberal apresentado por Ney Messias discute TDAH na vida adulta
Com episódios semanais no YouTube, a produção busca compartilhar vivências e traduzir conceitos sobre o déficiti de forma acessível
A partir da própria experiência com diagnóstico tardio de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o jornalista Ney Messias estreia, na próxima segunda-feira (30), o podcast “À Deriva”, produção do Grupo Liberal que propõe um espaço de diálogo sobre neurodivergência na vida adulta. Com episódios semanais no YouTube - sempre às segundas-feiras, às 20h - e duração de cerca de 15 minutos, o programa busca compartilhar vivências, traduzir conceitos de forma acessível e alcançar adultos que, como o apresentador, se sentiram “à deriva” antes do diagnóstico.
Ney Messias explica que a motivação para iniciar o podcast surgiu após perceber que o compartilhamento da própria experiência com o TDAH sempre gerou forte engajamento nas redes sociais dele. Segundo ele, o tema despertava interesse dos seguidores, com relatos, dúvidas e identificação por parte dos seguidores. A partir disso, surgiu a ideia de ampliar esse diálogo em um espaço mais estruturado.
“Eu abordo o tema esse tema no meu perfil, falo sobre TDAH na vida adulta, combato o etarismo e também trato de longevidade saudável. E os conteúdos que mais viralizaram sempre foram os relacionados ao TDAH. Há duas semanas, a ideia surgiu. Eu pensei: ‘por que eu não abro uma câmera, só eu, sem mais ninguém, e narro a minha jornada como um neurodivergente manejando o seu TDAH? E como alguém que teve o diagnóstico tardio, aos 57 anos”, detalha Ney.
Conscientização
Para ele, a proposta é disseminar informação e conscientizar as pessoas sobre o déficit em uma sociedade que ainda precisa se ater ao que é o TDAH. Ele ressalta que não é especialista - não é psicólogo, psiquiatra nem neuropsicólogo - e que fala a partir do próprio lugar de experiência, como uma pessoa neurodivergente. “Talvez eu consiga ajudar outras pessoas, porque tem um universo de, principalmente de adultos, ou sem diagnóstico ou com diagnóstico tardio, assim, muito à deriva". que é o nome do podcast, que é como eu me sentia antes do diagnóstico”, relata Ney, que também é diretor de projetos estratégicos do Grupo Liberal.
“O podcast tem cerca de 15 minutos de duração e é construído como uma conversa, de forma simples e acessível, em que trago alguns conceitos. Mas todos são explicados de maneira clara para qualquer pessoa. Não é um podcast voltado a especialistas ou médicos, e sim para neurodivergentes como eu. E, sempre que eu trouxer a ciência, ela será traduzida por meio de metáforas simples. Será tudo gravado, não será ao vivo. Durante a semana, os cortes subirão nas redes sociais do Grupo Liberal. Cada programa irá gerar de seis a sete cortes de um minuto, até que o próximo episódio entre entre no ar”, acrescenta.
Diagnóstico adequado
Além disso, Ney Messias lembra da importância de realizar o diagnóstico devidamente, sempre com o auxílio de especialistas, ao perceber potenciais sintomas. “Esse podcast não tem a pretensão, como sempre reforço, de ser terapêutico nem de servir como base para diagnóstico. A orientação é que cada pessoa procure um médico, que possa olhar no seu olho, acompanhar de perto e ajudar a entender o que precisa ser descoberto”, afirma.
Experiência
Sobre a própria experiência, Ney já adianta: “O diagnóstico é libertador, é um alívio muito grande. Para um adulto, especialmente quando é tardio, como no meu caso, traz dois sentimentos muito poderosos. Hoje estou com 64 anos e descobri aos 57. O primeiro sentimento é o alívio. Então eu nunca fui ‘doido’, como as pessoas achavam. Não era uma questão de caráter, não sou uma pessoa com desvio de caráter. Eu tinha e tenho algo que não sabia que existia. E penso: “Que bom, agora o que eu sinto tem nome”. Isso traz alívio”.
“Mas o segundo sentimento que surge após o diagnóstico é a raiva. A raiva de pensar: ‘Por que ninguém me ajudou antes?’. E a versão que eu poderia ter sido e não consegui, onde ficou? Surge uma cobrança muito grande. Essa raiva é um sentimento verdadeiro e que precisa ser acolhido por quem recebe um diagnóstico tardio. É preciso abraçar e processar essa raiva, porque ela também pode ser libertadora. Nós temos fraquezas, mas nós temos muitos potenciais. E talvez o maior potencial de todo o TDAH é seu cérebro criativo. Espere sempre do TDAH uma solução que ninguém tem”, acrescenta Ney Messias.
Como buscar ajuda na rede pública?
No Pará, o atendimento na rede pública de saúde é nas unidades com serviços especializados como neurologia, psiquiatria, psicologia e terapia ocupacional. As unidades de referência são os Centros Especializados em Reabilitação (CER) na modalidade intelectual, além dos Núcleos de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (Nateas) e Centros Especializados em Transtorno do Espectro Autista (Ceteas), como informado pela Secretaria de Estado da Saúde do Pará (Sespa).
Nesses núcleos e centros os pacientes são encaminhados para avaliação especializada, confirmação do diagnóstico e inserção nas terapias indicadas. De acordo com a Sespa, a Atenção Primária à Saúde por meio das Unidades Básicas de Saúde, é a porta de entrada da rede pública, responsável pelo primeiro atendimento e pelos encaminhamentos para os serviços especializados.
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