Layane Santos leva raízes de Capanema ao topo do Rainha das Rainhas
Professora de balé quer transformar a coroa em instrumento de valorização cultural no Pará
A professora de balé clássico e agente de comunicação digital Layane Santos vive um novo momento em sua trajetória. Campeã do concurso Rainha das Rainhas 2026, ela afirma que pretende usar o alcance do título de soberana do Carnaval paraense para apoiar projetos culturais e sociais tanto em Capanema quanto em Belém ao longo do seu reinado.
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Segundo Layane, o Rainha das Rainhas é palco para muito mais do que beleza. “Eu quero usar essa visibilidade para causas sociais, para apoiar projetos. A gente está montando ações para o ano inteiro”, adiantou em entrevista ao Grupo Liberal.
Representando o Guará Acqua Park, ela entrou para a história, no último dia 7 de fevereiro, ao conquistar um título inédito para o clube e para o município de Capanema. Natural da cidade do nordeste paraense, ela se define como ‘uma pessoa comum, simples, determinada, cheia de desafios e principalmente com sonhos’.
Identidade
Segundo a campeã, a mulher que brilhou na passarela é a mesma que cresceu entre as ruas do interior. “No palco do Rainha das Rainhas, eu não mostrei ser diferente, eu mostrei ser a mesma pessoa, apenas com mais potência”, afirmou.
A relação com Capanema é descrita por ela como um laço de afeto profundo. Layane destaca que foi no município que iniciou sua trajetória e construiu suas referências. “A minha relação com a minha cidade é de amor, de respeito. Foi lá onde eu comecei a minha trajetória”, declarou. A recepção calorosa na última quinta-feira (12) reforçou esse vínculo: ela desfilou em carro aberto do Corpo de Bombeiros pelas ruas da cidade, saudada com aplausos e manifestações de carinho da população, que celebrou a conquista histórica.
O despertar artístico
A arte sempre esteve presente em sua formação. Layane recorda que a infância foi marcada pela dança e pela convivência familiar. O pai, apaixonado por forró, foi seu primeiro incentivador. “Eu lembro que todas as tardes ele me pegava, ligava o som lá de casa e me ensinava a dançar forró. Inclusive foi o primeiro estilo que aprendi”, contou.
Mas foi aos 13 anos que a campeã iniciou as aulas de balé clássico e passou a se profissionalizar. O universo junino, os festivais de dança e os concursos de beleza sempre fizeram parte de seus sonhos. Ela relembra que o pai a levava para assistir ao Rainha das Rainhas do Carnaval de Capanema, experiência que despertou o desejo de estar nos palcos.
Em 2022, mergulhou no São João, conquistando títulos que, segundo ela, sequer imaginava alcançar. “Dois anos depois, eu participei do ‘Rainhas’ de Capanema, e ali, foi meu primeiro grande sonho realizado. Acredito [que aquele momento] foi uma preparação para estar aqui hoje”, disse emocionada.
Fantasia que conquistou a web
Mesmo após uma semana do concurso, a fantasia de Layane continua ganhando repercussão fora da passarela, especialmente nas redes sociais, por incorporar referências à aparelhagem Carabao - que também foi atração no grande dia do evento no ‘After da Rainha’. Ela entrou no certame do Hangar Centro de Convenções da Amazônia com a fantasia “Araci: a metamorfose da artesã em búfalo”, proposta que uniu tradição, lenda e contemporaneidade.
Inspirada em uma narrativa ambientada no coração do Marajó, a criação - assinada pelo estilista Matheus Souza, com coreografia de Walter Júnior e Júnior Freitas - conta a história de Araci, jovem artesã que, sob a lua cheia, vai ao lago sagrado colher o barro vivo e recebe dos encantados o dom de guardar no corpo a força da terra, transformando-se em búfalo, figura emblemática da ilha.
A campeã explica que a escolha do tema foi definida ainda em novembro de 2025, quando recebeu a proposta de homenagear as belezas do Marajó. “A gente foi estudando até chegar na homenagem às artesãs. A história da mulher artesã é muito bonita, porque é força, é cultura”, disse.
O projeto ganhou novas camadas ao incorporar também o búfalo e referências às festas de aparelhagem. “Desde o primeiro momento em que o Matheus mostrou a fantasia, eu me apaixonei. Foi uma conexão mesmo”, relembrou.
A fantasia apresentava duas faces: a força da mulher artesã, que molda traços e perpetua a cultura marajoara, e a transformação em búfalo, símbolo da ilha e elemento presente nas festas de aparelhagem que exaltam a cultura paraense.
Sobre a referência às aparelhagens, Layane reconhece a importância do movimento cultural. “Quando eu era mais nova, eu gostava bastante. É a nossa cultura. A gente gosta do tecnobrega, do ‘Rock Doido’”, comentou, ressaltando que, mesmo não frequentando tanto atualmente, mantém o respeito e a admiração pelas manifestações populares.
Ao falar sobre o Pará, a campeã destaca a diversidade cultural como maior patrimônio. Ela afirma que é difícil alguém conhecer o Estado e não se apaixonar pela dança, pela culinária e pelas raízes fortes que marcam o povo paraense. “O nosso Pará é muito rico, muito grandioso. Tudo me encanta”, declarou.
O Rainha das Rainhas 2026 contou com patrocínio da Cerveja Caribeña, do Centro Universitário Fibra, da Equatorial Energia e do Shopping Bosque Grão-Pará, além do apoio da Porte Engenharia.
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