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Plataformas digitais representam risco crescente para crianças, alerta integrante do CGI.br

Renata Mielli defende regulação baseada no interesse público e maior responsabilidade das big techs na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital

Jéssica Nascimento
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As grandes plataformas digitais são hoje o principal fator de risco para crianças e adolescentes no ambiente online, segundo a coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Renata Mielli, em entrevista ao Grupo Liberal. Ela destaca que, embora a internet tenha potencial educativo, o desenho das redes sociais favorece a exposição precoce a conteúdos nocivos e a um ambiente pouco adequado ao público infantil.

Plataformas foram “projetadas para adultos”, diz especialista

Segundo Mielli, as redes sociais não foram concebidas para o público infantil e operam com mecanismos de coleta intensiva de dados e indução comportamental.

“As redes sociais, principalmente, foram projetadas para adultos. Elas não foram projetadas para crianças. Você tem um mecanismo de coleta de dados, coleta de hábitos de navegação, coleta de informações de como a criança interage com os conteúdos para direcionar postagens, para montar o feed da criança”, afirmou.

Ela alerta que o modelo de funcionamento dessas plataformas amplifica a vulnerabilidade infantil. “O design dessas plataformas de scroll infinito para os adultos já é aditivo. Ele é viciante; para as crianças, muito mais.”

Nesse ambiente, segundo a coordenadora do CGI.br, crianças ficam expostas a conteúdos inadequados e potencialmente danosos.

“As crianças então nesse ambiente estão expostas de uma maneira muito vulnerável a conteúdos de ódio, a conteúdos de exploração sexual, a conteúdos de bullying, a conteúdos que não foram projetados para a faixa etária daquela criança.”

Mielli também chama atenção para os impactos sociais e psicológicos desse ecossistema digital. “Elas estão expostas a um mundo performático que define padrões de beleza, padrões de comportamento, e que foram desenvolvidos para performar naquela rede, não dizem respeito à vida real, e isso traz uma série de questões relacionadas a adoecimento mental, doenças físicas mesmo, né?”

Regulação e proteção de direitos

A entrevistada defende que o enfrentamento desses riscos passa por uma regulação que priorize o interesse público e a proteção de crianças e adolescentes, sem ferir a liberdade de expressão.

“São muitos os riscos que as crianças estão expostas quando navegam nesses ambientes completamente sem supervisão, mas agora com o ECA Digital esperamos que a gente consiga desenvolver ambientes mais seguros e protetivos para as nossas crianças”, afirmou.

Mielli também reforça que a regulação não deve ser confundida com censura. “A regulação não é em nenhum momento um mecanismo de silenciamento e de cerceamento da liberdade de expressão. Ela diz respeito ao ambiente privado dessas plataformas.”

 

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