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Brasil aposta em soberania digital com R$ 23 bilhões para reduzir dependência das big techs

Plano de Inteligência Artificial prevê infraestrutura, formação de profissionais e incentivo à produção tecnológica nacional

Jéssica Nascimento
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O Brasil está estruturando políticas para reduzir a dependência das grandes empresas de tecnologia e fortalecer a soberania digital, segundo a coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Renata Mielli, em entrevista ao Grupo Liberal. A estratégia envolve investimentos em infraestrutura, formação de profissionais e desenvolvimento de tecnologias próprias.

Plano de IA prevê investimentos em infraestrutura e formação

De acordo com Mielli, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial é uma das principais iniciativas em curso para fortalecer a autonomia tecnológica do país. O programa prevê investimentos de R$ 23 bilhões em cinco anos.

“Esse é o trabalho que temos procurado fazer com, por exemplo, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que destina num prazo de cinco anos, 23 bilhões de reais para que a gente possa construir infraestruturas críticas no Brasil relacionadas ao ambiente digital. Por exemplo: data centers, supercomputadores, computadores regionais compartilhados, infovias”, afirmou.

Ela explica que o plano também inclui a formação de profissionais qualificados para atuar em áreas estratégicas da inteligência artificial e a ampliação do uso dessas tecnologias no setor público.

“Além disso, eixo para a formação de recursos humanos, de profissionais que estejam capacitados a trabalhar nessas profissões de fronteiras ligadas à inteligência artificial, a adoção da IA nos serviços públicos, olhando o desenvolvimento de aplicações próprias aqui no Brasil, olhando a diversidade regional e a pluralidade da população brasileira”, disse.

Soberania digital como meta de longo prazo

Para Mielli, o desafio central é transformar o Brasil de consumidor em produtor de tecnologia, reduzindo gradualmente a dependência das big techs globais.

“Precisamos deixar de ser apenas consumidores de tecnologia para passarmos a ser produtores de tecnologia. Isso é um processo de curto, médio e longo prazo”, declarou.

Ela destaca que o esforço envolve diferentes frentes de política pública, como o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

“Então, o esforço do governo federal com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, mas também com as áreas que estão na nova indústria Brasil, a NIB, também projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), é destinar recursos e fomentar também o setor privado a poderem ter suas próprias tecnologias desenvolvidas aqui para a gente ir reduzindo aos poucos essa dependência”, afirmou.

Apesar dos avanços, ela reconhece a complexidade do desafio. “Mas é um desafio enorme, mas é a principal, diria, meta quando a gente coloca que a gente precisa ter caminhos para construir a nossa soberania digital no país”, admitiu. 

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