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Haddad diz que Lula não fará pacotes de bondades como Bolsonaro para ganhar eleição

O termo tem sido usado por adversários para se referir a medidas de aumento de gastos ou concessão de benefícios sociais com potencial impacto eleitoral, como o programa Desenrola 2.0

Estadão Conteúdo
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O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira, 7, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não recorrerá a medidas de caráter eleitoral para tentar garantir a reeleição. As declarações foram feitas em evento promovido pelo Instituto FHC, em São Paulo.

"Se não vier com populismo barato... Quantas vezes eu ouvi: 'Ah, o presidente Lula vai fazer a mesma coisa que o Bolsonaro fez no último ano para ganhar a eleição'. Eu falei: 'Cara, o Lula não vai fazer isso'. Não fez e não vai fazer, porque não acredita nisso", afirmou, ao comentar críticas da oposição sobre supostos "pacotes de bondades" do governo federal às vésperas do pleito.

O termo tem sido usado por adversários para se referir a medidas de aumento de gastos ou concessão de benefícios sociais com potencial impacto eleitoral, como o programa Desenrola 2.0. Haddad, no entanto, negou que o governo adote esse tipo de estratégia e disse que as políticas públicas em curso têm caráter estruturante.

Haddad também defendeu a necessidade de equilíbrio fiscal e afirmou que o ajuste das contas públicas deve ser conduzido de forma "justa" e "razoável". Ele citou o que chamou de "esquerda estereotipada", referindo-se a setores que, segundo ele, rejeitam qualquer tipo de limite de gastos, para argumentar que é necessário enfrentar resistências internas e reconhecer a importância de regras fiscais para recompor o superávit.

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"Agora, tem que ser justo o ajuste. Tem que ser uma coisa razoável. Então, convencer alguém da esquerda, vamos dizer assim, uma esquerda estereotipada, porque não dá para condenar a esquerda, mas tem uma esquerda estereotipada que fala: 'Não, não pode ter limite de gastos'. Pô, tem que ter. Você quer recompor o superávit, você tem que ter", afirmou.

Haddad afirmou ainda que houve uma "sangria" nas contas públicas diante da derrota iminente do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Mas o que aconteceu em 2022 foi um pouco grave, porque, diante de um cenário de derrota iminente do governo de então, houve uma sangria. Isso foi sobejamente noticiado pela imprensa, que depois esqueceu o que noticiou", disse, ao analisar as realizações econômicas da pasta sob seu comando no governo Lula.

'Não precisa agradecer, mas não precisa mentir'

Em outro momento, Haddad afirmou que o governo paulista minimiza o apoio da União ao Estado e criticou o que chamou de distorção do debate. "Não precisa agradecer, mas não precisa mentir", disse, ao comentar a relação entre o governo federal e a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Segundo ele, o apoio federal foi determinante para a situação fiscal de São Paulo. "Se não fosse o apoio federal, o Estado estaria em uma situação difícil", afirmou.

Haddad criticou Tarcísio e disse que há um "grande equívoco" na leitura do pacto federativo. Para o petista, houve fluxo predominante de recursos da União para o Estado, com renegociação da dívida, empréstimos do BNDES e retomada de programas como o Minha Casa, Minha Vida. "Tudo veio de lá para cá", disse.

Ele afirmou ainda que foi "um erro" o governo paulista se opor à PEC da Segurança Pública. "Tem política que é de Estado que não é de governo", declarou, ao acrescentar que Tarcísio "não fez essa distinção".

As declarações ocorrem em meio ao embate na área econômica entre Haddad e Tarcísio. Na última semana, o governador paulista rebateu declarações do ex-ministro da Fazenda sobre a política fiscal do Estado e afirmou que o petista "quebrou o Brasil", ao criticar sua atuação no governo federal.

"Era só o que faltava o Haddad vir falar de política fiscal do Estado de São Paulo. Está de brincadeira. O cara que quebrou o Brasil vai falar do Estado de São Paulo? Eu teria vergonha", afirmou o governador, acrescentando que o "legado" do adversário inclui o endividamento da população e a alta taxa de juros.

Antes, em discurso durante evento de balanço do programa de infraestrutura "São Paulo Pra Toda Obra", Tarcísio já havia feito críticas indiretas ao governo federal. "Está na hora de dar cartão vermelho para essa turma, que eles não vão voltar mais", disse.

As declarações do governador vieram após Haddad questionar a saúde financeira do Estado e afirmar que a atual gestão seria a pior desde o governo de Luiz Antônio Fleury, eleito em 1990.

Levantamento Genial/Quaest divulgado no fim de abril indica vantagem de Tarcísio na disputa estadual. Segundo a pesquisa, ele lidera as intenções de voto tanto no primeiro quanto no segundo turno. Em uma simulação contra Haddad, o governador aparece com 49% das intenções, ante 32% do adversário, enquanto 8% se declaram indecisos e 11% dizem votar em branco ou nulo.

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