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Alepa aprova nova política para educação escolar indígena no Pará

Na mesma sessão, também foram aprovados dois Projetos de Lei de autoria do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA)

O Liberal
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A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) aprovou, na terça-feira (28), por unanimidade, o Projeto de Lei nº 617/2025, de iniciativa do Poder Executivo, que institui a Política Estadual de Educação Escolar Indígena. Pela proposta, fica criado o Subsistema Estadual de Educação Escolar Indígena (SSEI) e o Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena (CEEEI). O projeto visa regulamentar a oferta de ensino diferenciado, intercultural e bilíngue ou multilíngue, sempre respeitando as especificidades socioculturais dos povos indígenas.

Durante a tramitação na Alepa, o texto recebeu emendas parlamentares. Duas emendas aditivas, de autoria do deputado Carlos Bordalo, foram incorporadas ao projeto final. A primeira assegura a participação efetiva dos povos indígenas em todas as instâncias de governança da política educacional. Esta participação inclui a garantia de consulta prévia, livre e informada, conforme a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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Já a segunda estabelece que todos os direitos, garantias e políticas públicas previstos em legislações anteriores, que porventura forem revogadas, ficam preservados. A medida veda, assim, qualquer tentativa de retrocesso nos avanços já conquistados.

Durante a discussão, a deputada Lívia Duarte enfatizou o caráter de direito da educação indígena e defendeu maior autonomia dos povos originários.

“Nós partimos da premissa de que a Constituição de 1988 e a Convenção 169 da OIT garantem que a educação indígena é um direito coletivo. O professor indígena é um sujeito de direito, não pode ser tratado como um funcionário qualquer. É preciso garantir autodeterminação.”

Maria do Carmo, vice-líder do governo, destacou o caráter histórico da aprovação. “Hoje aprovamos o projeto possível, construído a muitas mãos, que responde à maioria das expectativas dos povos indígenas. É uma lei que consolida direitos e representa a luta histórica dessas comunidades”, afirmou a parlamentar.

Projetos do Tribunal de Justiça do Pará

Dois Projetos de Lei de autoria do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) também foram aprovados na mesma sessão da Alepa. O PL nº 456/2025 altera o artigo 12 da Lei Estadual nº 8.807, de 27 de dezembro de 2018, que trata da Escola Judicial do Estado do Pará.

A justificativa para a alteração do PL 456/2025 visa sanar um equívoco, garantindo a segurança jurídica e a regularidade administrativa do Tribunal de Justiça do Estado do Pará.

O PL nº 240/2026, por sua vez, dispõe sobre as alterações na estrutura organofuncional de unidades, cargos comissionados e funções gratificadas do Poder Judiciário do Estado do Pará. O objetivo é buscar uma melhor organização administrativa da instituição.

Este projeto recebeu três emendas modificativas em plenário. Uma delas garante que os ocupantes dos cargos de agente de segurança judiciário permanecem subordinados à chefia de guarda judiciária. A segunda afirma que o TJPA poderá adequar, mediante lei própria, as atribuições dos cargos em comissão previstos na lei. Por último, o Tribunal poderá, por sua iniciativa, efetuar alterações nos quantitativos, na distribuição e nas atribuições dos cargos em comissão e nas funções gratificadas, observados os respectivos valores de remuneração e desde que não implique aumento de despesa.

Os deputados Lívia Duarte (PSOL) e Rogério Barra (PL) votaram contra a apresentada pela proposta da Justiça Estadual. Lívia demonstrou preocupação com a centralização do atendimento da população na capital do estado. Ela alertou que isso pode prejudicar o acesso das comunidades do interior, bem como a atuação de advogados e servidores do próprio Judiciário.

Doação de órgãos

Na mesma sessão, a deputada Lívia teve aprovado pela unanimidade dos demais deputados o Projeto de Lei nº 560/2024, de sua autoria, que institui a Campanha Permanente de Esclarecimento e Incentivo à Doação de Órgãos no estado do Pará. A campanha prevê a veiculação de propagandas educativas nos veículos de comunicação e de atividades educativas e informativas nas escolas, unidades básicas de saúde, hospitais e outros órgãos públicos, além da parceria com municípios e outros entes públicos ou privados. 

“A ausência de campanhas permanentes pode deixar a sociedade desinformada, perpetuando um ciclo de sofrimento para milhares de pessoas que aguardam por um transplante. O transplante reduz custos a longo prazo, pois substitui tratamentos paliativos caros e de longa duração, como a hemodiálise. O estado do Pará precisa adotar uma postura proativa, instituindo uma campanha permanente de incentivo à doação de órgãos que represente um avanço no compromisso com a saúde pública e a dignidade da vida humana, proporcionando esperança e novas oportunidades a milhares de cidadãos”, justificou a deputada.

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