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STJ arquiva processo e anula prisão de indígenas Parakanã na morte de caçadores no sudeste do Pará

O caso em questão aconteceu após o desaparecimento de Cosmo Ribeiro de Sousa, José Luís da Silva Teixeira e Wilian Santos Câmara no dia 24 de abril de 2022, quando saíram para caçar, juntos, na reserva indígena Parakanã e não retornaram

O Liberal

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou na última segunda-feira (17), o arquivamento da ação penal instaurada pela Justiça Estadual contra seis indígenas investigados pela morte de três pessoas no interior da Terra Indígena Parakanã, no município de Novo Repartimento, na região sudeste do Pará. O caso em questão aconteceu após o desaparecimento de Cosmo Ribeiro de Sousa, José Luís da Silva Teixeira e Wilian Santos Câmara no dia 24 de abril de 2022, quando saíram para caçar, juntos, na reserva indígena Parakanã e não retornaram. Os corpos dos três homens foram localizados no dia 30, durante uma força-tarefa de órgãos de segurança, que incluiu a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Polícia Federal. Além disso, a Corte também declarou nula a ordem de prisão preventiva expedida contra os indígenas em abril deste ano.

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O pedido será apreciado pela Justiça Federal

A decisão do STJ foi tomada em habeas corpus (HC) apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF). No pedido, o MPF sustentou que a competência para processar e julgar o caso é da Justiça Federal, uma vez que os homicídios ocorreram em um contexto de disputa sobre direitos indígenas e estão relacionados a um crime ambiental federal anterior: caça com arma de fogo no interior de terra indígena devidamente homologada. Com base nisso, o STJ anulou todas as decisões tomadas no âmbito estadual, o que resultou no arquivamento do processo e na ordem de soltura dos indígenas.

O MPF apontou ainda que as prisões afetam todo o povo Parakanã e podem causar prejuízo irreparável. Entre os presos está o cacique-geral do povo. De acordo com o Ministério Público Federal, o fato também coloca as comunidades em risco de justiçamento – punição por meios ilegais. Nesse sentido, o habeas corpus destaca que a prisão “parte de pressuposições frágeis pautadas no clamor popular e nas pressões midiáticas pela responsabilização criminal de qualquer indígena Parakanã”.

No ano passado, o MPF determinou o arquivamento do inquérito sobre os fatos, conduzido pela Polícia Federal, por falta de indícios que pudessem apontar as pessoas responsáveis pela autoria dos crimes. Segundo os procuradores que acompanharam as investigações, “não há qualquer testemunha direta ou prova pericial nos autos capaz de correlacionar a morte das três vítimas à conduta dos indígenas indiciados”.

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Sobre a possibilidade de o inquérito ser reaberto, tudo dependerá de “avaliação do Poder Judiciário”, conformo dito pelo MPF em nota. “Como o MPF arquivou o inquérito, se o Poder Judiciário discordar desse arquivamento deverá submeter o caso à apreciação a 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, órgão é incumbido da coordenação, da integração e da revisão do exercício funcional dos membros do MPF na área criminal”, informou.

Depois de o MPF ter arquivado o inquérito, ainda em 2023, a Justiça Federal repassou o caso para a Justiça Estadual. Em recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), o MPF apontou falta de fundamentação na decisão de transferência do processo.

Ao argumentar contra a prisão dos indígenas e a acusação de homicídio, o MPF apontou que a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Pará foi genérica, sem provas para comprovar a autoria dos crimes e sem individualização das condutas.

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Segundo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), devido aos acontecimentos, parte da população do município passou a adotar atos de represália e até emboscadas contra os indígenas Parakanã.

Entre essas ações, a criação de dificuldades de locomoção da comunidade tradicional na região, o que afetou as atividades produtivas e prejudicou a segurança alimentar dos indígenas, já que a colheita de açaí, que é uma das principais fontes de alimentação dos Parakanã, não está sendo executada, ainda segundo o MPF. Com isso, as atividades do dia-a-dia, como o acesso a bancos, supermercados e demais serviços também foram prejudicadas.

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