Sobrevivente da Chacina de Pau D'Arco, morto com tiro na nuca, relatou ameaças

Fernando dos Santos Araújo era testemunha-chave da morte de 10 trabalhadores rurais em 2017, no sudeste do Pará. Ele temia pela vida e foi assassinado no dia em que decidiu sair da fazenda 

Redação Integrada com informações da ONG Repórter Brasil e G1

Fernando dos Santos Araújo foi assassinado com um tiro na nuca, dentro de casa, na fazenda Santa Lúcia, a mesma em que, no ano de 2017, ele sobreviveu ao episódio conhecido como a Chacina de Pau D'Arco, quando 16 policiais civis e militares mataram 10 trabalhadores sem-terra que ocupavam a fazenda. Ele era a principal testemunha dos crimes, chegou a participar do programa de proteção às testemunhas, mas voltou para o local.

Antes de ser morto, ele relatou estar recebendo recados dos policiais que atuaram na chacina. "Ainda mais um outro lá que diz que é covarde, que faz mesmo e quando não faz, manda qualquer um fazer por qualquer dez reais", disse.

Quase quatro anos após a chacina, que aconteceu em maio de 2017, os policiais são réus sob a acusação dos homicídios. No entanto, eles aguardam o julgamento em liberdade e seguem trabalhando normalmente nas respectivas corporações. A liberdade dos militares foi concedida pelo ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça, em junho de 2018. Na última sexta-feira (12), mais um recurso foi apresentado à Justiça.

Medo de ser morto

A Organização Não Governamental (ONG) Repórter Brasil - formada por jornalistas, cientistas sociais e educadores e especializada em projetos sociais - realizava um documentário sobre Fernando Araújo. Uma das equipes da ONG conversou com Fernando no dia em que ele foi assassinado. Ele dizia temer ser morto.

Fernando era considerado a principal testemunha do caso. Ele viu o namorado morrer e só escapou porque se fingiu de morto. Ele contava com clareza como a polícia rendeu, humilhou e torturou os trabalhadores rurais antes de atirar à queima roupa. Os depoimentos de Fernando foram confirmados por investigações da Polícia Federal e Ministério Público.

“Os policiais estão pensando em vir aqui dar um jeito de não haver mais testemunha antes do julgamento. Não há testemunha, não há julgamento”, contou Fernando à equipe do Repórter Brasil, no início do mês de janeiro, deste ano.

Ele afirmou aos jornalistas que, após voltar à fazenda, começou a sofrer ameças de morte e havia sido informado sobre isso por, pelo menos, três pessoas próximas. O dia em que foi assassinado era o dia que tinha decidido ir embora da fazenda. "Sabe que eu vivo aqui, ansioso, preocupado, então, melhor eu sair daqui", disse Fernando em sua última mensagem enviada à equipe da ONG.

A Polícia Civil informou que "trabalha nas investigações, por meio de diligências e oitivas, para a devida apuração do caso". 

Polícia
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