Policiais militares e motorista são presos por participação em milícia

Entre as vítimas do grupo estão clientes inadimplentes da empresa de vigilância de propriedade de um PM

Redação Integrada com informações da Polícia Civil

Três policiais militares, identificados como Sargento Arthur Reinaldo Cordeiro dos Santos, Soldado Gelielton Guimarães Dantas e Cabo Rafael Lima do Amaral, e um motorista de coletivo, reconhecido como Hudson, foram presos na madrugada desta segunda-feira (13) durante a operação "Ronda Noturna". Eles são acusados de tentativas de homicídio e homicídios consumados na Região Metropolitana de Belém (RMB), principalmente nas áreas de Benevides e Marituba. 

Para a operação, foram expedidos sete mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária: quatro contra PMs da ativa e um contra o motorista. Dos mandados de prisão, quatro foram cumpridos, sendo que dois (Gelielton e Rafael) já se encontravam presos por terem sido alvos na Operação Anonymous, deflagrada em março. Outro policial (Arthur) também estava envolvido nessa primeira operação, mas ainda não havia sido preso até hoje (13). O motorista de coletivo também foi preso, acusado de envolvimento nos crimes. Um dos alvos da Ronda Noturna, o policial Henrique da Silva Lima (Cabo Lima ou Cabo Da Silva), porém, conseguiu fugir. 

O Cabo Lima é, segundo a Polícia Civil, o proprietário de uma empresa clandestina de segurança denominada "SL Vigilância", que presta serviços de segurança a comerciantes e moradores dos bairros Decouville, Nova Marituba e Conjunto Beija-Flor, mas também pratica crimes na região. A suspeita é de que os policiais presos na operação Ronda Noturna, além de relação com os casos investigados pela Anonymous, também trabalhem para a referida empresa como "falsos vigilantes".

"Essa operação se originou de inquéritos tombados para apurar crimes de homicídios tentado ou consumado. No desdobramento dessas investigações, se percebeu que esses inquéritos tinham algum nível de interação entre eles e foram reunidas as investigações, já que a suspeita é que se trate de um mesmo grupo que estaria praticando crimes de homicídio na circunscrição de Marituba-Benevides" explicou o delegado Alberto Teixeira, acrescentando que "foi quando se chegou a essa empresa de vigilância clandestina que prestava serviço às pessoas que os contratavam, mas ao mesmo tempo praticavam homicídios naquela circunscrição, tanto que foram apreendidos estojos, coletes balísticos, que além de utilizarem para empresa de vigilância, também eram usados para a prática desses crimes".


As vítimas dos acusados seriam pessoas suspeitas de praticarem furtos e roubos na área, bem como clientes da empresa inadimplentes e moradores suspeitos de passarem informações à polícia sobre mortes ocorridas no bairro. 
A Polícia também informou que foi possível identificar, durante a investigação, que "os vigilantes da SL Vigilância, cujo proprietário é o Cabo Lima, realizam ronda noturna diariamente nos locais mencionados, em motocicletas numeradas, encapuzados, trajando roupas pretas e portando armas de fogo, mesmo sem autorização para portá-las". 

INVESTIGAÇÃO

A operação "Ronda Noturna" é resultado de três inquéritos policiais que apuram duas tentativas de homicídio e um consumado. Os casos são: as tentativas de homicídio contra um comerciante, em Marituba, em fevereiro de 2019 e contra um adolescente, em Benfica, em outubro de 2018; o homicídio consumado teve como vítima um vendedor de açaí, também em Marituba, em fevereiro de 2019. Todos os casos apontam relação com o falso grupo de vigilantes chefiado pelo Cabo Lima. 

MATERIAIS APREENDIDOS 

Durante a operação, foram apreendidos, na sede da empresa de vigilância, aparelhos celulares, munições deflagradas de calibres diversos, motocicletas, capas de colete balístico, cassetetes, balaclavas e fardamento. Armamentos não foram encontrados. A polícia acredita que, ao tomar conhecimento da chegada dos policiais na área, o Cabo Lima fugiu levando as armas.

 

 

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