Jornalista vítima de tentativa de feminicídio relata medo de agressor ser solto

"Está sendo difícil ter que argumentar que não fui eu que me esfaqueei, que não fui eu que agredi aquele homem". Leia o depoimento na íntegra:

Tainá Cavalcante

A jornalista Dandara de Almeida, 30, vítima de tentativa de feminicídio em fevereiro de 2017, escreveu um relato cheio de dor e revolta em seu Facebook na manhã deste sábado (9). A comunicóloga, que precisou trocar de profissão depois do crime, desabafou sobre o medo de ver seu agressor solto - já que o mesmo, além de não confessar o ato, ainda a culpabiliza.

O relato de Dandara foi publicado nas redes sociais cinco dias antes do julgamento do acusado, marcado para o próximo dia 14 de fevereiro, a partir das 8h, no Fórum Criminal de Belém. O agressor é o educador físico Luis Roberto Correia Baima, 41, que está preso desde o dia em que tentou matá-la, há quase dois anos. Ele invadiu sua casa e a esfaqueou no pescoço. Luis também tentou matar a mãe da jornalista e agrediu a avó. 

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VEJA A ÍNTEGRA DO RELATO:

Dandara e o réu tiveram um longo relacionamento e, na época do crime, estavam separados. Ele não aceitava o fim da relação e, por isso, perseguia a vítima, que estava decidida a não reatar.

No dia da tentativa de feminicídio, ele invadiu a casa da ex-namorada com uma faca. Em luta corporal, ela foi atingida no pescoço, mas conseguiu fugir e pediu a ajuda dos vizinhos.

Mãos da mãe da jornalista, à época do ataque: ferimentos a faca (Arquivo - O Liberal)

CORDAS, GASOLINA E FITA ISOLANTE

No carro do acusado, que estava próximo ao local do crime, foram encontrados gasolina, tesoura, cordas e fita isolante. Apesar de alegar que o material era "instrumento de trabalho", a polícia suspeita que o plano do réu era matar a vítima e queimar o corpo.

Dandara: para escapar, jornalista teve que pedir ajuda aos vizinhos (Via WhatsApp)

No Dia da Mulher daquele ano, celebrado cerca de um mês após a tentativa de feminicídio sofrida por Dandara, ela também postou em seu Facebook um longo relato, o qual ela intitulou como "Depoimento de uma sobrevivente", sobre a violência sofrida. Leia:

Atualmente, mesmo depois de dois anos do acontecimento e com provas claras e testemunhas substanciais do caso, Dandara ainda clama por justiça e para que seu agressor não seja solto após o julgamento.

Polícia