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Filho da escrivã: família pede Justiça por jovem morto há 4 meses em ação da PF em Belém

A morte de Marcello Carvalho, de 24 anos, ocorreu durante a operação 'Eclesiastes', no bairro do Jurunas

O Liberal
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Segurando cartazes, familiares de Marcello Vitor Carvalho realizaram um ato público na praça da República, na manhã deste domingo (8), pedindo Justiça. O jovem de 24 anos foi morto durante uma ação da Polícia Federal, em Belém, em outubro do ano passado - há exatos quatro meses, portanto.

Mãe de Marcelo, a escrivã da Polícia Civil Suellen Carvalho falou sobre a manifestação, que foi pacífica. “É para que, juntos, nós lutemos por Justiça. Justiça não só para o meu filho, Marcello Carvalho, mas por tantas outras vidas tirada pelo Estado”, disse. “A Justiça é para uma sociedade que não pode aceitar que vidas de inocentes sejam tiradas”, afirmou.

Suellen Carvalho lembrou que a operação da Polícia Federal ocorreu por volta das 6 horas da manhã de 8 de outubro de 2025. “12 policiais federais arrombaram a minha casa, invadiram minha casa e desferiram dois tiros, um de pistola e um de fuzil, no meu filho, que estava no quarto dele dormindo”, contou. Ele era filho único.

Ela informou que a Polícia Federal inquérito policial para apurar. “Também foi aberto um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) pelo Ministério Público Federal e foram realizadas perícias de local e de necropsia, balística. A gente já tem o resultado de algum desses laudos, faltando apenas o de local de crime e um complementar que foi feito posterior. Foi feita uma reconstituição com a presença apenas dos policiais federais”, disse.

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“A gente já tem a imagem da reconstituição, mas a gente ainda não tem o relatório. O inquérito ainda não foi concluído. Hoje faz 4 meses do dia da morte do meu filho e o inquérito ainda não foi concluído”, disse. A manifestação, portanto, explicou, é para “cobrar celeridade, para cobrar justiça, para cobrar imparcialidade. “O que eu venho enxergando dentro do inquérito, as peças que tem lá dentro que a gente consegue ver, eu enxergo uma certa imparcialidade diante da apuração. Enxergo uma forma tendenciosa de estarem apurando. A todo momento, tentando macular a imagem do meu filho, tentando associar ele a alguma coisa ruim”, afirmou.

“Meu filho não tinha antecedentes criminais, meu filho não tinha passagem pela polícia, meu filho inclusive era servidor público estadual da Polícia Civil do Estado do Pará, onde exercia a função de assistente administrativo. Desde o dia 8 a minha vida se transformou. Existe um antes e um depois”, afirmou Suellen Carvalho. “E hoje eu estou aqui não só para pedir justiça por Marcelo, mas para pedir justiça por tantos outros que tiveram a vida ceifada de uma forma tão injusta, inocente, para que a gente não banalize a vida, para que a vida não seja banalizada, para que o estado não mate e tente justificar a ação: ‘Ah, foi reação, tentou reagir’. No caso do meu filho, eles disseram que o meu filho tentou reagir, teria agredido um policial e tentado tomar a arma do policial”, afirmou.

image A mãe de Marcelo, a escrivã da Polícia Civil Suellen Carvalho: "A Justiça é para uma sociedade que não pode aceitar que vidas de inocentes sejam tiradas” (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)

Morte de jovem ocorreu operação “Eclesiastes”, no bairro do Jurunas

A morte de Marcello Vitor Carvalho de Araújo ocorreu durante a operação “Eclesiastes”, no bairro do Jurunas, em Belém. No dia 10 de outubro, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, comentou a morte de Marcello. Segundo ele, a operação seguiu os trâmites legais e visava o cumprimento de um mandado de prisão expedido pela Justiça Federal contra um investigado de alta periculosidade.

De acordo com o relato oficial, a equipe localizou o alvo na residência de terceiros e não na casa habitual do investigado. “É importante lamentar o desfecho desse episódio. Nunca é o resultado esperado pela Polícia Federal. Nós realizamos mais de 3 mil operações por ano, e incidentes como esse são raros. Ainda assim, lamentamos toda e qualquer morte, seja de investigado ou não”, afirmou o delegado.

Durante o cumprimento do mandado no endereço do Jurunas, a PF afirma que houve uma reação por parte de um morador, identificado como Marcello, que teria agredido um dos agentes com um soco no rosto e tentado tomar a arma de outro policial. Diante da ameaça, segundo o diretor-geral da PF, os agentes reagiram e Marcello acabou baleado e morto.

“Houve uma agressão violenta a um policial, que inclusive foi hospitalizado. O morador também tentou tomar a arma de outro agente. Se tivesse conseguido, as consequências poderiam ser ainda mais graves”, disse Andrei Rodrigues. Ele garantiu que todo o procedimento foi registrado com perícia no local do crime, com a presença de peritos vindos de Brasília, apreensão das armas utilizadas, coleta de depoimentos e instauração de inquérito policial sob supervisão do Ministério Público Federal e do Poder Judiciário.

Os policiais envolvidos na operação não foram afastados por determinação judicial, mas foram temporariamente retirados de operações do mesmo tipo, como medida preventiva e de apoio institucional. “Não houve nenhuma medida judicial contra os agentes. Estamos preservando esses policiais por cautela e por respeito ao nosso material humano”, disse Andrei Rodrigues.

Família sempre contestou versão da PF

A família de Marcello sempre contestou a versão apresentada. Segundo a mãe do jovem, não havia mandado de prisão direcionado à residência dela e o filho estava acordando quando foi abordado. Também circula a versão de que os agentes teriam confundido os nomes - já que o alvo da operação também se chama Marcelo.

A PF rebateu essa alegação, informando que o mandado é contra a pessoa, e não contra um endereço específico. Assim, os policiais teriam agido dentro da legalidade ao entrar no local onde o alvo estava. “Não houve erro de endereço. Fomos cumprir o mandado no local onde o alvo da operação realmente estava. O nome dos moradores não importa. O que importa é que a pessoa procurada estava lá. Infelizmente, outro morador, que coincidentemente tinha o mesmo nome, reagiu de forma violenta e foi alvejado”, concluiu, à época, o delegado da Polícia Federal. A Redação Integrada de O Liberal entrou em contato com a Polícia Federal e aguarda retorno.

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