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Família cobra respostas após morte de jovem depois de cirurgia em Belém

Quase três anos após a morte de Bernardo Macedo, de 23 anos, Ministério Público denunciou dois médicos por homicídio culposo.

O Liberal
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A busca por respostas para a morte de Bernardo Almeida Cavalleiro de Macedo, que tinha 23 anos quando morreu após um procedimento médico realizado em Belém, mobiliza familiares e amigos. O caso ocorreu em agosto de 2023 e, quase três anos depois, ganhou um novo capítulo: o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) apresentou denúncia criminal contra dois médicos investigados pela morte do jovem.

De acordo com informações encaminhadas à redação de O Liberal pela Promotoria de Justiça Criminal de Belém, os médicos Augusto Cesar da Costa Sales e Cesar Collyer Carvalho foram denunciados. Os nomes dos profissionais constam na nota enviada pelo Ministério Público ao jornal.

Em um dos trechos do documento encaminhado à reportagem, o órgão informou que a acusação foi apresentada após a análise do inquérito policial que investigou o caso. “Após análise dos autos de inquérito policial, identificando a existência de prova de materialidade e indícios suficientes de autoria produzidos durante a investigação, o Ministério Público ofereceu denúncia contra os investigados”, diz a manifestação.

A denúncia foi apresentada pelo crime de homicídio culposo majorado, previsto no artigo 121, parágrafos 3º e 4º, do Código Penal. O texto da Promotoria também informa que o processo segue em tramitação na Justiça. “Os autos encontram-se conclusos para decisão do juízo, isto é, pendente de decisão que irá receber ou não a denúncia ofertada pelo Ministério Público”, acrescenta a nota. Caso a denúncia seja recebida, os denunciados deverão ser citados para apresentar defesa preliminar.

Angústia

A família conta que tudo começou quando Bernardo apresentou um mal-estar e foi diagnosticado com derrame pleural, condição caracterizada pelo acúmulo de líquido na pleura, membrana que envolve os pulmões. O pai do jovem, Roberto Macedo, contou que o filho precisou passar por uma drenagem para retirada do líquido, que foi encaminhado para biópsia. O exame apontou tuberculose pleural.

“O Bernardo já estava em tratamento quando foi indicado um novo procedimento médico. Ele estava bem, na medida do possível, não estava com nenhum tipo de sintoma. O que parecia uma situação controlada acabou virando um pesadelo para a nossa família”, disse Roberto.

De acordo com o relato do pai, o procedimento foi apresentado como necessário e de curta duração. “Disseram que era uma cirurgia de urgência, mas que seria rápida, algo simples. Nós confiamos nos profissionais que estavam cuidando do meu filho”, afirmou.

O procedimento foi realizado no dia 9 de agosto de 2023. Roberto acompanhou o filho até a unidade hospitalar no dia da cirurgia. “Foi a última vez que eu vi o meu filho com vida. Eu ia trabalhar e a mãe dele ficou lá esperando para ele ir pro quarto após o procedimento”, disse.

Segundo ele, a família aguardava o retorno do jovem ao quarto após a cirurgia, como havia sido informado previamente. No entanto, horas depois veio uma notícia inesperada. “A cirurgia ia durar uns 50 minutos. Depois que passaram seis horas, a mãe dele começou a ficar muito preocupada. Ela estava mandando mensagem para gente falando sobre a demora. Depois, disseram que ele não iria mais para o quarto, que seria levado para a UTI e que não poderíamos vê-lo”, contou.

Bernardo morreu na madrugada do dia 10 de agosto. Após a morte do filho, Roberto afirma que a família começou a buscar respostas para entender o que aconteceu durante o procedimento.

“Quando você perde um filho dessa forma, a primeira pergunta que surge é: o que aconteceu?”, disse. Segundo ele, algumas circunstâncias levantaram dúvidas e levaram a família a procurar especialistas para analisar o caso. “Sabemos que casos envolvendo possível erro médico são complexos. A principal dificuldade é provar o que aconteceu”, afirmou Roberto.

De acordo com Roberto, a família decidiu contratar uma perícia particular para analisar documentos e prontuários. “Foi a partir dessa análise que começaram a aparecer várias inconsistências que precisavam ser investigadas”, relatou. A partir dessas suspeitas, o caso foi levado à polícia.

Busca por justiça

Quase três anos após a morte de Bernardo, a denúncia apresentada pelo Ministério Público representa um novo passo no caso. “Isso não traz o meu filho de volta, mas nos dá um pouco de esperança de que a verdade apareça”, disse Roberto.

Ele afirma que a família pretende continuar acompanhando o processo judicial. “Nenhum pai ou mãe deveria enterrar um filho. Não existe dor maior que essa”, declarou.

“O nosso luto virou luta para que o que aconteceu com o Bernardo não aconteça com outras famílias”, afirmou.

Mobilização nas redes sociais

Para manter o caso visível, a família criou um perfil no Instagram chamado “Justiça por Bernardo”. Na página, são compartilhadas fotos, vídeos e relatos sobre a história do jovem e sobre os desdobramentos da investigação. “Demoramos um tempo para ter forças para falar sobre tudo isso. É uma dor muito grande”, disse Roberto.

Segundo ele, tornar a história pública foi uma forma de evitar que o caso fosse esquecido. “Nós queremos que a história do Bernardo seja conhecida e que a verdade venha à tona”, afirmou.

Planos anulados

Bernardo estava prestes a concluir o curso de Tecnologia da Informação. A família relembra do jovem com carinho e saudades. O jovem fazia estágio no Instituto Médico Legal Renato Chaves, da Polícia Científica do Pará, e planejava seguir carreira na área de tecnologia.

“O Bernardo era apaixonado por informática e tinha muitos planos. Ele sonhava em fazer uma pós-graduação fora do país”, lembra o pai.

Roberto conta que o filho levava uma vida tranquila, dividida entre os estudos, a família e a academia. “Ele era um menino muito responsável, dedicado aos estudos e muito presente na nossa família”, disse. Segundo ele, Bernardo também tinha uma relação muito próxima com a irmã. “Ele sempre dizia que ia estar ao lado dela para tudo. Era um filho maravilhoso”, afirmou.

O Liberal procurou o Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA), que informou que “o CRM acolheu por unanimidade denúncia contra o cirurgião torácico Augusto Cezar da Costa Sales e o anestesista Cesar Collyer Carvalho”. “Eles foram responsáveis pela cirurgia que culminou no óbito de um rapaz, Bernardo Almeida Cavalerro de Macedo, em 10/08/23, por vários motivos que caracterizam imperícia médica e que serão expostos durante a entrevista. Eles ainda serão julgados pelo CRM, pois o processo está em andamento”, comunicou o CRM.

A redação de O Liberal tentou contato com os médicos citados na denúncia e com as respectivas defesas para que se posicionassem sobre o caso. Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto para os citados.

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