Estelionatários estrangeiros aplicam golpes em Belém e levam R$ 45 mil de vítima

Grupo aplicou truque do dólar negro e fugiu, sem deixar pistas

Byanka Arruda

Uma quadrilha de estrangeiros está sendo procurada pela Polícia Civil do Pará, por meio da Divisão de Investigação e Operações Especiais (DIOE), acusada de aplicar um golpe conhecido como "dólar negro" e arrancar milhares de reais de vítimas que, inocentes, se deixam iludir pelos criminosos. As pessoas prejudicadas procuraram a DIOE, situada no bairro do Marco, em Belém, nesta sexta-feira (10) para denunciar os estelionatários e evitar que outras vítimas caiam no mesmo truque.

Uma mulher, que não quis se identificar, foi lesada pelo grupo oriundo do continente africano. Eles estavam na capital paraense há aproximadamente três meses. Nesse período, a quadrilha conseguiu se aproximar e fazer amizade com a família da vítima para, enfim, consumar o golpe do "dólar negro". 

Há três meses, a vítima e o esposo anunciaram um imóvel em um site de compras e venda. Um dos membros da quadrilha demonstrou interesse em adquirir a casa, que estava sendo ofertada por R$ 45 mil em um site. O estrangeiro, no entanto, alegou que ainda não tinha o dinheiro e precisava primeira concluir a venda de uma casa em Bahamas, para, então, concretizar a compra. Os estranheiros ainda apresentaram um "truque de mágica" para as vítimas, acreditando que elas se interessariam pela estratagema, que consistia em transformar notas pretas em dólares verdadeiros, a partir do uso de um produto químico. Segundo os criminosos, as notas pretas eram dólares verídicos, mas estavam camuflados para facilitar a entrada na alfândega. A vítima, entretanto, não demonstrou curiosidade com a "mágica" e o contato com os estelionatários foi temporariamente suspenso.

A vítima, depois de algumas semanas, conseguiu vender a casa para outra pessoa. Foi quando o estrangeiro e outros amigos dele entraram novamente em contato com a família da vítima, já sabendo que o negócio havia sido concluído e que a vítima estava com o dinheiro. A quadrilha fingiu estar desesperada, precisando de dinheiro para adquirir o tal produto "milagroso", raro e especial, que transformava notas pretas em dólares verídicos. Eles alegaram que o reagente químico havia acabado, que custava muito caro, que estavam sem recursos para comprar o item e que a verba para a hospedagem e alimentação deles em Belém estava praticamente esgotada. Pintaram, por fim, um cenário desolador e afirmaram que as únicas pessoas com quem podiam contar na capital paraense eram as vítimas. 

Apesar de desconfiados, a vítima e o esposo aceitaram emprestar R$ 45 mil para que os estrangeiros pudessem comprar o produto e transformar as notas pretas em novas notas de dólares, para que pudessem novamente se manter em Belém. A vítima contou que ela e o esposo foram até uma residência e levaram o valor em espécie, embrulhado em um saco plástico. A vítima concordou que fosse feita a "conversão" das notas na frente dela, com o produto novo, que ela havia bancado. Os R$ 45 mil da vítima, que foram investidos no produto químico, seriam devolvidos em dólares a partir da "transformação" das notas pretas. Isto é, a vítima, teoricamente, ainda sairia lucrando com o empréstimo. O truque foi feito na frente das vítimas, em um cômodo escuro e dentro de um cofre, no qual foi despejado a solução química que tornaria as notas pretas em novas notas verídicas. A sacola contendo as notas pretas fi entregue às vítimas e segundo os estelionatários, ainda estava em processo de transformação. O grupo saiu da residência deixando as vítimas com a incumbência de cuidar do embrulho contendo as notas supostamente verdadeiras, com a condição de que o pacote não fosse aberto durante os próximos dois dias, ou a conversão não daria certo e todo o dinheiro seria perdido. A princípio, o casal acatou as instruções do grupo, mas, receosa, a mulher decidiu, passado um dia, abrir o embrulho. Foi quando ela descobriu que só ficaram as notas pretas, falsas, que jamais se transformariam em dinheiro de verdade, real ou dólar. 

Desesperado, depois de perceber que caiu em um golpe, o casal procurou pelos estrangeiros, mas eles já haviam desaparecido sem deixar rastros. O grupo criminoso agora está sendo procurado pela PC, que investiga se os criminosos fizeram outras vítimas na capital paraense. De acordo com o delegado Neyvaldo Silva, titular da Dioe, a quadrilha aplica golpes em todo país. 

Polícia
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