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Empresário morto em queda de avião era réu por manter trabalho escravo no Pará

Celso Silveira Mello Filho era reincidente em 'lista suja' do MTE: bimotor explodiu nesta terça (14), em Piracicaba, após decolagem

O Liberal

O empresário Celso Silveira Mello Filho, morto no acidente aéreo com um bimotor nesta terça (14), em Piracicaba (SP), após decolar rumo ao Pará, com previsão de pouso também em município do Tocantins (TO), respondia na Justiça a pelo menos três processos por manter trabalhadores em situação análoga à escravidão, em fazendas no Pará e em outros estados.

Celso Silveira Mello Filho estava viajando com a família quando o avião caiu, após decolar de Piracicaba, onde tinha residência. Todas as sete pessoas no voo morreram: Celso, a esposa,  três filhos, o piloto e o copiloto. O avião explodiu ao bater em um barranco. Ainda não se sabe o motivo do acidente. O avião caiu em uma área de morro, e focos de incêndio atingiram a área verde e árvores, após a explosão seguida da queda, detalhou um boletim de ocorrência da Polícia Civil do Estado de São Paulo. 

"Ficou constatado a aeronave modelo 'King Air' de prefixo 'PSCSM', decolou do aeroporto 'Pedro Morganti' nesta idade e tinha como destino o Estado de Tocantins", detalharam as autoridades policiais em registro. Porém, segundo apurou O Liberal, áudios de funcionários do hangar onde a aeronave ficava citavam que a viagem teria mesmo como destino final o Pará, onde Celso possuía vários negócios.

Além de fazendas no Pará, ele era dono da Faculdade de Ensino Superior da Amazônia, em Redenção, no sul do Estado, comandada pela filha, Camila Meneghel Silveira Mello Zanforlin - que também morreu no acidente aéreo em Piracicaba.

Fazenda do empresário era acusada de trabalho escravo

O modelo da aeronave King Air 360 prefixo PS-CSM, era de propriedade da CSM Agropecuária, uma das empresas dirigidas por Celso Silveira Mello Filho. As atividades da CSM em fazendas paraenses e de outros estados fizeram o empresário se tornar réu em pelo menos três processos criminais, após flagrantes de trabalhos análogos à escravidão, em 1999, 2000 e também em 2010. As informações são do site Repórter Brasil.

A CSM era proprietária da Fazenda Tarumã, instalada em Santa Maria das Barreiras (PA), e onde uma operação realizada em 2010 pelo grupo móvel de fiscalização com membros do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF), encontrou 28 trabalhadores rurais vivendo em construções precárias.

Segundo a publicação de 26 de abril de 2010, na área da fazenda Tarumã, os trabalhadores não tinham acesso a estruturas básicas como sanitários, nem a água ou fiação elétrica. Eles também dividiam espaços de moradia até com cavalos e mulas, e eram submetidos a longas jornadas, com rotinas de trabalho das 5h da manhã às 18h, sem descansos regulares. Os trabalhadores libertados na Tarumã também eram vítimas de endividamento, por cobranças de aluguel e por pagamentos pela alimentação e também pelo uso de equipamentos de proteção e ferramentas de trabalho, de acordo com informações apuradas na época pela reportagem. 

Na época do flagrante, em 2010, a fazenda Tarumã possuía 30 mil cabeças de gado nelore e gado leiteiro. Além da sede da fazenda, a área guardava máquinas e outras construções, como pista de pouso com hangar para aviões de pequeno porte. Celso já era réu reincidente em ações por manitenção de trabalho análogo à escravidão por causa de infrações registradas também na área da fazenda Vale Bonito Agropecuária S/A - que já integrou a "lista suja" do trabalho escravo, entre 2003 e 2005.

Na época, consultada por meio de ligação telefônica pelo Repórter Brasil, representante da CSM Agropecuária no escritório de Piracicaba (SP), no interior do estado de São Paulo, sustentou que a empresa não tem nada a declarar sobre o flagrante no Pará e que o ocorrido já havia sido totalmente resolvido.

Polícia
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