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Caso de embarcação com corpos no litoral do Pará segue sem identificação das vítimas

MPF arquivou apuração cível e aponta que barco pode ter chegado à deriva após sair da África; investigação criminal continua sob sigilo

O Liberal
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Dois anos após a descoberta de uma embarcação com corpos em avançado estado de decomposição no litoral de Bragança, no nordeste do Pará, o caso ainda não teve um desfecho definitivo. As vítimas seguem sem identificação, e as circunstâncias do ocorrido continuam cercadas de incertezas.

O barco foi encontrado em 13 de abril de 2024 por pescadores na praia de Ajuruteua. Ao todo, nove corpos foram localizados, mas a quantidade de objetos recolhidos, como 27 celulares e capas de chuva, indica que mais pessoas poderiam estar a bordo.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), as investigações na esfera cível foram arquivadas em agosto de 2024. O órgão concluiu que não houve irregularidades a serem apuradas e apontou como mais provável a hipótese de que a embarcação tenha chegado ao Brasil à deriva, de forma acidental.

As apurações indicam que o barco teria partido da Mauritânia, com destino às Ilhas Canárias, uma rota conhecida de migração irregular em direção à Europa. A suspeita é de que correntes marítimas tenham desviado o percurso original.

Ainda segundo o MPF, não há indícios de ligação direta com o Brasil, o que reforça a tese de um caso fortuito. Já na esfera criminal, o inquérito segue em andamento sob sigilo, conduzido pela Polícia Federal, que não se manifestou sobre o caso.

Na época, a Polícia Federal informou que as vítimas seriam imigrantes africanos e que, possivelmente, morreram de fome durante a travessia. Após o resgate, os corpos foram levados para Belém e sepultados no cemitério público São Jorge, no dia 25 de abril de 2024, sem identificação.

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