Aluno da Ufra é preso em flagrante por suspeita de perseguir professora em campus de Paragominas
Em depoimento, a docente relatou que o aluno não teria aceitado a reprovação em uma disciplina ministrada por ela em 2025
Um aluno da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) foi preso em flagrante, na manhã desta quarta-feira (8), pela Polícia Civil do Estado do Pará, suspeito de praticar o crime de perseguição (stalking), previsto no artigo 147-A do Código Penal. O caso ocorreu durante um evento realizado no Campus de Paragominas, no sudeste do Pará.
Segundo a Polícia Civil, a ocorrência teve início após a Polícia Militar do Estado do Pará ser acionada pela universidade com a informação de que um estudante estaria importunando uma professora nas dependências da instituição. No local, os policiais realizaram os primeiros levantamentos e conduziram as partes à delegacia para os procedimentos legais.
Em depoimento, a docente relatou que o aluno não teria aceitado a reprovação em uma disciplina ministrada por ela em 2025. Desde então, segundo a vítima, ele passou a adotar uma série de comportamentos com o objetivo de intimidá-la e desestabilizá-la emocionalmente.
Entre as condutas relatadas estão o depósito de bilhetes no veículo da professora, filmagens não autorizadas durante as aulas, arrastamento de móveis, batidas de portas em sala, envio de mensagens consideradas ameaçadoras e repetidas solicitações de amizade pelo Instagram.
Ainda de acordo com a professora, áudios apresentados à autoridade policial e atribuídos ao investigado indicariam que ele afirmava a terceiros que faria “de tudo para atormentar a vida dela” e que suas atitudes tinham o objetivo de “pirraçá-la”.
A Polícia Civil informou que os fatos já haviam motivado, em 2025, um pedido de medidas protetivas de urgência. No entanto, elas foram posteriormente revogadas pelo Poder Judiciário por não haver contexto de violência doméstica ou familiar, uma vez que a relação entre as partes era exclusivamente acadêmica.
Nesta quarta-feira (8), durante um evento promovido pela universidade, o estudante teria voltado a se aproximar da docente. Segundo a vítima, a intenção era novamente provocá-la e desestabilizá-la. A aproximação foi impedida pelo marido da professora, que também participava da programação, gerando uma breve discussão antes da chegada da Polícia Militar.
Após analisar os depoimentos, o histórico do caso e os demais elementos reunidos, a autoridade policial entendeu haver indícios suficientes, em tese, da prática do crime de perseguição em sua forma majorada, por ter sido cometido contra uma mulher. Com isso, foi lavrado o Auto de Prisão em Flagrante, e o investigado permanece à disposição do Poder Judiciário e do Ministério Público.
Nota da Ufra
Em nota, a Ufra informou que a ocorrência foi registrada na manhã de quarta-feira (8) no Campus de Paragominas e confirmou que o discente foi preso em flagrante e encaminhado às autoridades competentes.
A universidade afirmou que adotou imediatamente as medidas necessárias para garantir a integridade da professora. A equipe de segurança institucional acompanhou a ocorrência, enquanto a docente passou a receber atendimento da equipe psicossocial da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep).
A instituição também informou que equipes psicossocial e pedagógica visitarão o campus para prestar apoio à comunidade acadêmica e que serão adotadas as medidas administrativas cabíveis para apuração dos fatos, paralelamente às investigações conduzidas pelas autoridades.
Por fim, a Ufra reiterou que repudia qualquer forma de violência, intimidação, assédio ou conduta que comprometa a segurança da comunidade universitária e destacou que, desde maio de 2026, mantém o Programa Institucional de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação, voltado à promoção de um ambiente acadêmico seguro e respeitoso.
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