Vale e ICMBio divulgam projeto inédito para mapear DNA da biodiversidade brasileira

O projeto visa promover a conservação de espécies da fauna e flora do país, além de gerar renda para projetos de economia

O Liberal
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Durante a Conferência da ONU sobre Biodiversidade, a COP 15, em Montreal, no Canadá, representantes do Instituto Tecnológico Vale - Desenvolvimento Sustentável (ITV-DS) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) divulgaram, no último sábado (10), uma parceria para lançar o DNA Ambiental, projeto inédito de mapeamento genético e genômico de espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção, exóticas ou que tenham potencial para gerar renda para agricultores envolvidos com projetos de bioeconomia, especialmente na Amazônia

Com investimentos de R$ 111 milhões nos próximos cinco anos, o DNA Ambiental realizará suas pesquisas em Unidades de Conservação Federais sob responsabilidade do ICMBio em todo o país. Espécies que já vêm tendo o seu genoma sequenciado pelo ITV-DS, como o gavião real (Harpia) e a onça-pintada, vão integrar o projeto. O Instituto é referência em estudos de análises moleculares da biodiversidade. Em cinco anos, produziu 12 mil marcadores genéticos da fauna e flora da Amazônia, principalmente na Floresta Nacional de Carajás, em Parauapebas, no sudeste do Pará.

Segundo dados do plano de trabalho divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente, não existia ainda no Brasil um consórcio nacional de sequenciamento genômico e uma rede para integrar o conhecimento já existente sobre códigos de barras genéticos da biodiversidade nacional em ações de monitoramento e diagnóstico da conservação de espécies com base em DNA ambiental.

A parceria entre os dois institutos possibilitará a utilização de técnicas para estudos moleculares envolvendo análises genéticas ou genômicas, que vão gerar informações importantes para o monitoramento da qualidade ambiental. O refinamento dos dados disponíveis contribuirá para a conservação das espécies e o aumento da produtividade em projetos de bioeconomia.

“Isso tudo é parte da promoção de parcerias entre o ICMBio e diversos setores da sociedade, por meio das quais o Instituto visa ampliar o apoio à implementação das Unidades de Conservação Federais. Esse projeto é ainda mais especial, pois ampliará o Programa de Monitoramento da Biodiversidade, o que significa que os resultados vão convergir para um meio ambiente cada vez mais protegido, conservado e por uma população mais valorizada e desenvolvida”, destaca o presidente do ICMBio, Marcos de Castro Simanovic.

O trabalho inclui a capacitação dos servidores do órgão ambiental nas instalações do ITV, em Belém. Também serão estabelecidos protocolos de pesquisas e ferramentas que auxiliem no monitoramento da biodiversidade em Unidades de Conservação Nacionais.
O projeto envolve ainda tecnologias de sequenciamento de última geração e a participação ativa como hub nacional de consórcios internacionais voltados para o sequenciamento de genomas de referência da biodiversidade mundial, nicho ainda não ocupado por qualquer outra instituição brasileira.

“É um orgulho muito grande para Vale, por meio da equipe do ITV-DS e toda a nossa estrutura, poder contribuir para uma pesquisa científica tão significativa para o país”, destaca Malu Paiva, vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale.

No Pará, a Vale apoia o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na proteção de uma área de 800 mil ha, composta por seis unidades de conservação, conhecida pelo nome de Mosaico de Carajás, equivalente a 5 vezes a cidade de Belo Horizonte. É a maior extensão de floresta contínua no sudeste do Pará. No local, estão preservadas mais de 1 mil espécies da fauna amazônica.

Sobre o Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável

O ITV-DS, com sede em Belém, é um centro de pesquisa multidisciplinar, que tem como foco o meio físico, biológico e a socioeconomia da região amazônica. Em 12 anos de existência, investiu R$ 446,5 milhões em pesquisa, que resultaram no apoio a 97 projetos de P&D e na publicação de 612 artigos científicos. Hoje, conta com 38 pesquisadores e 157 bolsistas. O instituto já mapeou 12 mil referências genéticas da fauna e flora da Amazônia

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