Tartaruga marinha é encontrada morta na Praia do Atalaia, em Salinópolis
Caso registrado na manhã desta terça-feira (21) ainda não tem causa confirmada; especialistas reforçam alerta para preservação ambiental e acionamento de órgãos responsáveis
Uma tartaruga marinha foi encontrada morta na manhã desta terça-feira (21) na Praia do Atalaia, um dos destinos mais movimentados de Salinópolis, no litoral paraense. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a causa da morte do animal.
O caso chama atenção para os impactos ambientais que atingem a fauna marinha e levanta discussões sobre a relação entre atividade humana e a conservação das espécies. Segundo a bióloga Jéssica San Martin, mestre em Biologia Evolutiva pela Universidad de Sevilla, na Espanha, e especialista em tartarugas marinhas, o encalhe desses animais geralmente ocorre após a morte ainda no mar. “Quando uma tartaruga marinha é encontrada encalhada, geralmente ela morreu no mar e a maré a trouxe para a faixa de areia”, explica.
De acordo com a especialista, a interação com a pesca é uma das principais causas de morte. Redes utilizadas na atividade pesqueira podem ser imperceptíveis para as tartarugas, que acabam se enroscando e morrendo por afogamento, já que precisam subir à superfície para respirar.
Outro fator crítico é a ingestão de lixo. “O plástico e outros resíduos podem causar obstruções no sistema digestivo e infecções”, afirma Jéssica. A poluição por contaminantes tóxicos também está entre as ameaças, afetando o desenvolvimento e a reprodução desses animais.
A bióloga destaca ainda que, na fase inicial da vida, as tartarugas enfrentam outros riscos. Na Praia do Atalaia, por exemplo, o trânsito de veículos na faixa de areia pode compactar o solo, destruir ninhos e impedir que os filhotes consigam chegar ao mar. Além disso, o aquecimento global tem alterado o equilíbrio populacional da espécie.
“O sexo das tartarugas é determinado pela temperatura da incubação. Temperaturas mais altas geram mais fêmeas, mas, em níveis extremos, podem inviabilizar o desenvolvimento dos embriões”, explica.
As mudanças climáticas também impactam as rotas migratórias. As tartarugas utilizam o campo magnético da Terra como uma espécie de “GPS natural” para se orientar e retornar aos locais de nascimento, comportamento conhecido como filopatria. Alterações nas correntes marinhas podem dificultar esse deslocamento e comprometer o acesso às áreas de alimentação e reprodução.
Para identificar a causa da morte do animal encontrado em Salinópolis, é necessária a realização de necrópsia. O exame pode indicar, por exemplo, sinais de afogamento, presença de resíduos no organismo ou lesões causadas por redes de pesca. Diante de situações como essa, a orientação é que a população não toque nos animais e acione os órgãos ambientais responsáveis.
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