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Cultura Nordestina: fluxo de migração no Pará começou em 1960 e segue crescendo

Qualidade de vida e crescimento do comércio estão entre os motivos que trazem a população do Nordeste para o Norte

Camila Azevedo

Iniciou nesta terça-feira (2) a Semana da Cultura Nordestina, período que comemora as diversas manifestações culturais da região, como dança e literatura popular, além de homenagear Luiz Gonzaga, músico de ritmo alegre e contagiante conhecido como Rei do Baião, que faleceu neste mesmo dia em 1989 e é tido como símbolo da música popular brasileira. A importância da celebração está em afirmar o quanto o Nordeste é rico e fundamental para o país. No Pará, o fluxo de migração da população nordestina começou por volta da década de 1960, sendo atraídos pela economia da borracha que se espalhava pela área, e se estende até os dias atuais. 

Entre as riquezas trazidas, estão as músicas, comidas típicas, danças, cultos religiosos e arte. O movimento de chegada da população nordestina foi gerado pelas transformações socioeconômicas que o país passou, tendo particularidades em cada região. Por exemplo, no Sudeste, o atrativo foi a crescente industrialização. Já no caso do Norte, a atração principal estava entre os projetos econômicos, mineralógicos, agropecuários e florestais que se instalaram no período da Segunda Guerra Mundial e no pós-guerra. 

O geógrafo Leudes Sarges explica que foram duas as fases da migração para o Norte e ambas estão relacionadas com a necessidade de mão de obra que a região demandava.O primeiro momento foi durante o final do século 19, início do século 20 e durante a Segunda Guerra Mundial, quando muitos nordestinos vieram para trabalhar no esforço de extrair borracha para mandar para os Estados Unidos. A segunda fase já pega as décadas de 1960 a 1980. Muitos vieram para cá, se instalaram e foram atraídos para a Amazônia e para o Pará por conta da abertura da [estrada] Belém-Brasília”, diz o especialista. 

As mudanças observadas nesse fluxo, atualmente, apontam para uma diferença entre os setores de trabalho buscados, junto com um aumento das migrações a partir de 1990, devido ao crescimento do comércio e da prestação de serviços. “Muitos dos imigrantes nordestinos trabalham em duas frentes, ou no circuito inferior da economia urbana no mercado informal, como ambulantes, camelôs, e outra leva têm tido inserção dentro dos atacadões [supermercados] que tem chegado no estado”, destaca Leudes.

O grupo mais numeroso de população do Nordeste presente no Pará é de cearenses, piauienses e maranhenses. Com isso, são várias as influências notadas que foram inseridas na rotina do estado: festas juninas, quadrilhas, forró. “A gente nota que essa é uma tradição que a gente herdou da cultura nordestina, que foi trazida e hoje praticamente a gente já incorpora à cultura paraense também”, afirma o geógrafo.

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O paraibano Arcanjo Medeiros se cercou das memórias e das tradições nordestinas no sonho realizado de um restaurante tradicional nordestino em Belém (Filipe Bispo / O Liberal)

Nordestinos buscam melhores condições de vida em Belém

A família do José Arcanjo de Medeiros, de 70 anos, faz parte das muitas que vieram para Belém em busca de melhores oportunidades e qualidade de vida. Ele era garimpeiro na cidade em que nasceu, no interior da Paraíba, e desde 1996 reside na capital. A forma encontrada para permanecer foi abrir um restaurante que lembra a cultura e o amor pela culinária do Nordeste, aliando tradição à economia. “O nordestino, devido ao sofrimento do lugarzinho que é seco, às vezes fica sonhando com um empreendimento. Eu pensei em Belém do Pará, com a cara e a coragem, e comecei a procurar um ponto para alugar. Comecei a fazer carne de sol”, conta o empresário.

Os costumes não foram esquecidos, assim como o sotaque ou os gostos pelo típico da região. A luta de todo dia é manter viva a memória e aguardar com saudades o reencontro com os entes queridos. Para isso, José se programa para fazer visitas frequentes durante o ano, mas sem esquecer do amor que criou pela atual cidade. “Vou três ou quatro vezes por ano, é muito bom rever a família, nossos costumes, sempre tem forró. Sempre trago novidades de lá, assim a gente vai tocando o barco. Eu gosto de Belém, é muito boa. Quando to na Paraíba, dá vontade de não voltar, mas quando chego aqui, tudo se apaga. Belém é muito aconchegante”, relata.

A comida nordestina é uma das grandes influências que se somou à cultura paraense (Filipe Bispo / O Liberal)

Fernando Cavalcante, de 42 anos, é dono de uma pizzaria e partilha do mesmo sentimento. O amor pelas origens e a saudade não apagam a certeza de que a capital paraense se tornou um lugar certo ao longo dos seis anos de estadia. As barreiras enfrentadas para conseguir se estabelecer com tranquilidade depois de sair de Fortaleza, capital do Ceará, não foram suficientes para tirar o foco do empreendedor, que visava melhorias. “Viemos com a proposta de montar uma confecção, a gente fabricava roupa e vendia aqui. O negócio pegou, foi crescendo e achamos que era hora de ir para Belém, mas veio a pandemia e desestruturou todo o negócio. Mas, como já trabalhamos com pizzaria, voltamos e nos reinventamos”.

Açaí, bacuri, maniçoba e tacacá fazem parte dos motivos pelos quais o empresário permanece na cidade. O Nordeste é sempre lembrado com afeto e carinho em meio a experiência do dia a dia, seja com as decorações em casa, seja com o sabor regional da pizza de carne de sol. “Sempre fazemos buchada, galinha caipira que a gente compra. Por mais que eu diga que a melhor culinária que tem é a paraense, eu amo. Não saio mais daqui não, tomou o açaí, não volto mais”, completa Fernando. 

Pará
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