Projeto da UFRA garante água potável a comunidades ribeirinhas

O sistema oferece água potável sem a necessidade de bomba d'água e energia elétrica

Redação Integrada

O projeto “Segurança Hídrica e Saneamento na região insular de Belém”, desenvolvido pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) está garantindo acesso à água totalmente potável a partir da captação da água da chuva. A iniciativa foi pensada em benefício da saúde das populações ribeirinhas, especialmente as que residem no meio rural.

A coordenação do projeto é da professora Vania Neu, do Laboratório de Hidrobiogeoquímica da UFRA. “A Amazônia é a região com a maior disponibilidade de água do mundo e até hoje sofre com uma série de doenças de veiculação hídrica. E grande parte dessas doenças, resultam da falta de água potável”, explica a pesquisadora.

A comunidade do Furo Grande, na Ilha da Onças, em Barcarena, distante cerca de 30 minutos da capital paraense, tem recebido os benefícios do projeto e funciona como sítio de pesquisação. “São 15 famílias beneficiadas diretamente com o sistema. No campo, essa tecnologia vem sendo desenvolvida e aprimorada desde 2012. Todo o sistema funciona sem a necessidade do uso de bombas d’água e da energia elétrica, a água chega até a cozinha por meio da gravidade”, relata Vania.

O acesso à água potável permitiu que, durante a pandemia, muitos moradores da ilha não precisassem se deslocar até Belém, evitando o contato com pessoas de fora da ilha. “É emocionante ver a solidariedade entre os vizinhos, as famílias que hoje tem água da chuva e que agora doam água para as que ainda não possuem o sistema”, acrescenta.

Desde agosto de 2020, três sistemas já receberam as adaptações na Ilha das Onças, todos com resultados positivos. A pesquisadora afirma que a meta é conseguir repetir o feito nas demais residências: “Para implantar esta nova adaptação, são necessários apenas R$ 220 por sistema, ou seja, R$ 2.640 para que todas as 15 famílias possam ter este sistema, totalmente seguro”.

Parceria

Além do acesso à água potável, outro resultado do projeto é a parceria com o Instituto Evandro Chagas (IEC), que vai iniciar a avaliação da saúde da população da ilha. Serão examinados os moradores que atualmente têm as tecnologias implantadas pela comunidade, comparando com os que não têm. “Nós sempre ouvimos dos moradores que os problemas de saúde reduziram após a implantação dos sistemas de captação de água de chuva e dos banheiros ecológicos, mas não temos ainda dados clínicos e científicos sobre o assunto. Com a parceria, em breve teremos essas informações”, projeta a professora.

Banheiro Ecológico Ribeirinho

Outra tecnologia social desenvolvida na Ilha das Onças, desde 2012, é o Banheiro Ecológico Ribeirinho (BER). O projeto é direcionado a áreas sujeitas a inundações seja por influência da maré, ou pela variação sazonal do rio. No lugar dos dejetos irem direto para o rio ou contaminarem o solo, com a instalação do BER, este material é depositado em um reservatório. Com a adição de serragem e cal virgem, o material se transforma em adubo orgânico por meio da compostagem.

De acordo com a avaliação feita por pesquisadores do IEC, foi detectado que esse composto orgânico não tem patógenos. Ou seja, não causa doenças, podendo ser utilizado na agricultura.

O BER é uma tecnologia social certificada pela Fundação Banco do Brasil e pode ser replicada em qualquer lugar do mundo.

As informações das tecnologias sociais estão disponíveis em cartilhas, artigos e um livro publicado, que podem ser adquiridas com a pesquisadora e também na Editora da Ufra (Edufra). As novas adaptações do sistema já estão sendo compiladas na segunda edição da cartilha sobre os sistemas de captação de água de chuva e, em breve, também estarão disponíveis.

Pará
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