Pará soma 12.154 casos confirmados de covid-19 em crianças

Belém totaliza 844 casos e oito já morreram pela doença

Cleide Magalhães

De 31 de março a 30 de setembro de 2020, foram confirmados 12.154 casos do novo coronavírus (Síndrome Respiratória Aguda Grave - Sars-Cov-2), que leva à doença covid-19, entre crianças em todo o estado do Pará. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), que não informou o número de crianças mortas no Pará pela covid-19 nem o percentual dentro do número total de casos.

Somente na capital do Estado, Belém, de março a outubro de 2020, 844 crianças, na faixa etária de zero a 9 anos, já foram diagnosticadas com a covid-19. O número corresponde a 2,2% do total de casos confirmados desde o início da pandemia na cidade, que teve o primeiro caso confirmado pela doença em 18 de março sendo o primeiro registrado oficialmente no Pará. Ainda em Belém, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), foram registrados oito óbitos entre crianças - o que corresponde a 0,36% do total de mortes.

Apesar da abertura de alguns espaços públicos frequentados pelas crianças, dos quais em alguns ocorrem o relaxamento social e houve registrados de seguidas aglomerações, nas últimas semanas, como o Parque do Futuro, no centro de Belém, há famílias que ainda buscam seguir à risca as orientações e cuidados desde o início da pandemia.

“Saímos de casa com a criança somente agora para atualizar a caderneta de vacinação. Ainda assim, estamos com todos os cuidados: uso de máscaras, álcool em gel, lavagem constante das mãos e procuramos manter afastamento das pessoas. A minha filha mais velha pede para sairmos para brincar um pouco nos espaços públicos, mas ainda não nos sentimentos seguros e buscamos criar brincadeiras em casa mesmo. É melhor esperar a pandemia passar”, conta a advogada Ítala Noronha, 33 anos, mãe da pequena Helena, de nove meses, e Maitê, 4 anos.

A Sespa recomenda que os pais e responsáveis tenham os mesmos cuidados, para evitar a proliferação do vírus entre as crianças - o que inclui o uso de máscara, higienização das mãos, uso de álcool em gel e o distanciamento social.

Sobre as medidas de prevenção, a Sesma reitera que a pandemia continua. E, enquanto não uma vacina, as medidas de proteção são uso de máscara, lavagem das mãos com água e sabão, uso de álcool em gel, distanciamento social e evitar aglomerações. “Casos que apresentem sintomas gripais, devem procurar assistência médica e manter o isolamento social por dez dias a partir do início dos sintomas”, orienta a Sesma.

 

Especialistas reforçam que pandemia não acabou e é preciso manter as medidas de proteção das crianças

O infectologista Alessandre de Jesus Beltrão Guimarães, que atua no Hospital Universitário João de Barros Barreto, destaca que a taxa de transmissibilidade da covid-19 no Brasil caiu para 0.9% em ambientes controlados.

Todavia, ele alerta que se observar locais que não são respeitadas tais medidas de distanciamento social, proteção por máscara e higiene correta das mãos, uma pessoa pode transmitir o vírus para até outras 18 pessoas.

O infectologista frisa ainda que “estudos evidenciam que crianças são menos acometidas com a covid-19, ‘funcionando’ como portadoras assintomáticas e transmissoras, mas podem também adoecer e serem acometidas por síndromes severas”, enfatiza o especialista.

Por essas razões, o infectologista recomenda melhor controle na circulação de crianças (até de adultos e idosos) em espaços públicos, mesmo que seja em ambientes abertos.

“Ainda não temos um grande estudo com testagem em larga escala na população para saber a taxa de acometimento, tampouco sabemos sobre a imunidade conferida por quem já teve a enfermidade. Apesar de se acreditar que sim, que uma pessoa não pegue duas vezes a covid-19, sendo raríssimos casos de reinfecção no mundo, onde há cerca de cinco casos publicado”.

Contudo, “até que estas e outras respostas nos cheguem, inclusive a vacina, todas as medidas devem ser tomadas e mantidas. A pandemia não acabou”, reforça o infectologista Alessandre Guimarães, do Barros Barreto, que até julho, era uma das referências no Pará nos casos da covid-19. O hospital pertence à Universidade Federal do Pará (UFPA) e é administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

A médica Vilma Gondim de Souza, presidente da Sociedade Paraense de Pediatria (SPP), também reforça que é fundamental manter as medidas de proteção das crianças na pandemia da covid-19.

“É preciso garantir os cuidados de distância mento social, no sentido de evitar aglomerações desnecessárias, usar marcara, levar mãos, uso frequente do álcool gel, como medidas de higiene e assepsia para todos os tipos de vírus e bactérias transmissíveis por contato e pelos aerossóis durante a respiração, dentre eles o corona vírus”.

Ainda segundo a pediatra, até que a situação se consolide, é necessário obedecer essas normas de higiene e prevenção, para evitar a contaminação e transmissão do vírus.

“Uma vez que ainda não existem vacinas disponíveis para toda população e como é um vírus novo, que ainda não há definições sobre o comportamento dele, como, por exemplo, se diminui virulência e capacidade de causar morte, se causa reinfecção, se quem teve pode ter novamente e outras. Então, temos que retomar a escola, os atendimentos, o lazer, porém, obedecendo as essas regras”, afirma a presidente da SPP.

Pará
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