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No Dia do Psicólogo (27), profissionais relatam que demandas dobraram por conta da pandemia

Segundo psicólogos ouvidos pelo Grupo Liberal, houve aumento na procura por atendimento diante de sintomas depressivos e quadros de ansiedade

João Thiago Dias

Nesta quinta-feira (27), Dia do Psicólogo, que marca os 58 anos da regulamentação da profissão no Brasil, representantes da área relatam que dobrou a procura por atendimento diante de sintomas depressivos e quadros de ansiedade ocasionados pela covid-19. No contexto de um ano atípico de pandemia, esses atendimentos também foram adaptados para o meio virtual juntamente com uma série de orientações para enfrentamento das demandas.

O psicólogo e psicanalista Leivanio Rodrigues (CRP/PA 10ª região 3796) define que "ser psicólogo é ter a responsabilidade de segurar a mão daqueles que desejam entrar na própria casa de luz apagada". Com atuação no Hospital das Clínicas de Bragança (PA), referência em saúde mental, ele disse que os desafios causados pela covid-19 ainda são intensos e complexos.

"Muitos estiveram na linha de frente ou na retaguarda em seus consultórios, atuando com demandas que a pandemia nos impõe. Não estávamos preparados, mas foi necessário reinventar formas para dar suportes à sociedade e seguir com o acompanhamento de nossos pacientes mesmo que via remoto", relatou. "Cada sujeito foi atravessado de forma subjetiva e falar disso é fundamental para conseguir estratégias possíveis durante esse período".

Leivanio exemplificou o aumento da demanda. "Em consultório e no serviço ambulatório de saúde mental do Hospital das Clínicas de Bragança, a procura do serviço por demanda de sintomas depressivos e quadro de ansiedade dobraram durante esse período pandêmico. É importante saber o que mais preocupa cada sujeito e o que esse momento representa a ele. Precisa-se lidar com a demanda no âmbito coletivo e subjetivo, pois só assim pode entender a fonte de sua angústia e o impacto que esse momento pode causar", destacou.

O psicólogo conta que alguns sujeitos possuem problemas psicoemocionais ou até psiquiátricos preexistentes. Durante uma situação de pandemia, o sofrimento leva a manifestar sintomas de diversas ordem. "Esse sofrimento precisa ser acolhido e ouvido profissionalmente quando o sujeito passa a apresentar demanda que necessita de intervenção profissional, como quadro depressivo, crises recorrentes de ansiedade, síndrome do pânico, ideação suicida, transtorno pós-traumático etc".

No entanto, é comum as pessoas deprimirem e manifestarem quadros de ansiedade reativa pela vivência do próprio isolamento social, que é uma das principais causas de demandas psicológicas e emocionais durante esse momento. "Também é importante conhecer o seu limite, porém é fundamental que, minimamente, faça contato com o que está acontecendo para não entrar em um processo de negação e levar a um comportamento inconsequente que estenda o tempo de infecção comunitária pelo vírus", finalizou Leivanio.

Novos arranjos

A psicóloga e psicanalista Rose Torres (CRP/PA 10ª região 02221), de Belém, também relatou o aumento da demanda. Dentre os principais desafios que o psicólogo enfrenta no contexto pandêmico, ela citou a necessidade de fazer novos arranjos na clínica, seja nas instituições ou clínicas particulares. "A pandemia surpreendeu a todos e trouxe consigo uma avalanche de sofrimento psíquico, o que aumentou a demanda de procura pela escuta psicológica", contou.

"Nesse sentido, a modalidade do atendimento virtual foi de extrema relevância neste período, se tornando um espaço de possibilidades e entraves. Penso que saberemos mais os efeitos dessa experiência virtual mais lá adiante, quando pudermos considerar encerrado esse período pandêmico", completou.

Ela listou as demandas mais recorrentes no atual cenário. "Na minha experiência clínica, as principais demandas foram ansiedade, sentimento de desamparo e medo da morte. A pandemia nos coloca de frente à nossa finitude. Mas, por outro lado, pude igualmente testemunhar grandes superações de pessoas que fizeram um bom uso da solidariedade e da sua humanidade", concluiu Rose Torres.

Psicologia - dicas para lidar com os desafios diante da pandemia
1. Criar rotina no confinamento ou no “novo normal” para que se crie possibilidade de vida pós-pandemia;
2. Limitar a quantidade de notícias e posts em redes sociais que aumente o sofrimento psíquico;
3. Entender que o isolamento e as restrições é por uma necessidade e não uma punição;
4. Falar sobre a pandemia para buscar representação psíquica para esse momento;
5. Não hesitar em procurar ajuda profissional quando a vivência trouxer prejuízo psíquico, emocional e físico.
Fonte: Leivanio Rodrigues - especialista em Psicologia da Saúde

Pará
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