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Kayapós suspendem bloqueios na BR-163 até sair decisão judicial sobre disputa com governo

Os bloqueios na rodovia na semana passada geraram filas de caminhões de até 30 Km

Reuters

Índios kayapós que bloquearam na semana passada a rodovia BR-163, importante rota de exportação de grãos do Brasil, disseram que não conseguiram um acordo com o governo sobre suas demandas e aguardarão uma decisão judicial sobre a disputa.

Os kayapós chegaram a parar caminhões que carregavam milho para protestar contra a falta de assistência do governo federal para proteger a etnia da pandemia de coronavírus, demandando pagamentos atrasados de compensações que eles recebem desde que a pavimentação da BR começou há uma década atrás.

A etnia, que nesta semana acampou no acostamento da estrada, mas sem bloqueá-la, voltará para sua aldeia para esperar a decisão da Justiça Federal, que deve sair em 10 dias.

"Se o governo quiser parar os pagamentos, ele pode. Nós vamos esperar a decisão judicial", disse o cacique Bepronti Kayapó, em vídeo publicado nas redes sociais após um encontro com representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) que durou apenas 10 minutos.

Segundo o Instituto Kabu, que representa a etnia, a comunidade recebeu 32 milhões de reais em uma década para financiar projetos de sustentabilidade e iniciativas de apoio aos índios.

Os bloqueios na rodovia na semana passada geraram filas de caminhões de até 30 quilômetros.

A Funai pagou compensações atrasadas dos primeiros seis meses do ano, mas adiou uma decisão sobre os pagamentos futuros, segundo o instituto.

Entre suas queixas, os kayapós dizem que não foram consultados pelo governo sobre o plano de construção da ferrovia Ferrogrão, que deverá cruzar parte da Amazônia para ligar o Mato Grosso a portos fluviais para exportações de soja e milho.

A ferrovia foi projetada para correr em paralelo à BR-163.

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Pará
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