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Áreas da Amazônia já produzem mais CO2 do que floresta é capaz de absorver, aponta estudo

O estudo liderado por pesquisadora do INEP afirma que principal região de produção de carbono é composta por áreas de desmatamento no Pará

Laís Santana

Áreas da floresta Amazônica afetadas pelo desmatamento estão emitindo mais carbono do que conseguem absorver, é o que aponta uma pesquisa publicada na última quarta-feira (14), na revista científica Nature. O estudo é liderado por uma pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inep) e conta com a participação de outros membros da instituição. Parte das regiões mais afetadas pelo desmatamento estão localizadas no Pará.  

O grupo de pesquisadores mediu que onde a degradação é cerca de 30% ou mais, a floresta sofre um “estresse” maior, principalmente na estação de seca (em meados de agosto, setembro e outubro), quando ocorre a diminuição das chuvas e o aumento da temperatura em cerca de 2 ºC. Estas áreas, que na pesquisa foram localizadas na região leste da Amazônia (estados do Pará e Mato Grosso), apresentaram uma emissão de carbono 10 vezes maior que as regiões com desmatamento inferior a 20%, além do aumento da mortalidade das árvores típicas de uma floresta tropical úmida. 

O estudo também concluiu que o principal ponto de desequilíbrio está localizado na região sudeste da Amazônia (sul do Pará e norte do Mato Grosso), área chamada de “Arco do desmatamento” devido à pressão do desmate e das queimadas, fazendo com que a floresta seja uma grande fonte de carbono para a atmosfera.    

Devido às queimadas, a emissão de carbono chega a ser de 1,51 bilhões de toneladas de CO2 para a atmosfera na Amazônia Sul-americana (1,06 milhões de toneladas de CO2/ano pela Amazônia Brasileira). O levantamento calcula que se não houvessem as queimadas e o desmatamento, a Amazônia Pan-Americana removeria 0.45 bilhões de toneladas de CO2/ano da atmosfera, enquanto a Amazônia brasileira removeria 0.19 bilhões de toneladas de CO2/ano, pois é nela que se concentra a maior parte do desmatamento e queimadas.

O trabalho é resultado de nove anos de pesquisa, tendo como metodologia a coleta de 8 mil amostras do ar em diferentes altitudes, variando de 4.420 metros a 300 metros acima do nível do mar com o auxílio de aviões em quatro locais na Amazônia no período de 2010 a 2018, mostrando a variação das emissões de carbono entre as 4 regiões e sua relação com o desmatamento e as mudanças climáticas na região. De acordo com a revista e com os envolvidos no estudo, essa é a primeira vez que um estudo aponta a diminuição no potencial de absorção da floresta.

Questionado sobre as medidas adotadas para o combate do desmatamento e das queimadas na região, o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) declarou, em nota, que executa o Plano Amazônia Agora, composto por quatro pilares:  ações de comando e controle;  promoção do desenvolvimento socioeconômico de baixas emissões de GEE; financiamento climático; e regularização ambiental e fundiária. Segundo a secretaria, a meta é reduzir em 37% as emissões de GEE até 2030 e 43% até 2035. 

“Sobre recomposição florestal, da área total desmatada no estado até 2020, 3,24 milhões de hectares estão recobertos por vegetação secundária, e até 2035 o propósito é alcançar uma área de 5,45 milhões hectares”, acrescentou a nota.

Pará
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