Erosão nas estradas dificulta tráfego em rodovias federais do sul e sudeste do Pará

Quem trafega pelas rodovias BR-155 e BR-230, a Transamazônica, sente na pele o dissabor do descaso com a infraestrutura de duas das mais importantes vias de escoamento de produção e trânsito de veículos diversos nas regiões sul e sudeste do Estado

Tay Marquioro

Quem trafega pelas rodovias BR-155 e BR-230, a Transamazônica, sente na pele o dissabor do descaso com a infraestrutura de duas das mais importantes vias de escoamento de produção e trânsito de veículos diversos nas regiões sul e sudeste do Estado. Por se tratarem de rodovias federais, a manutenção e conservação delas é de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito, o Dnit. No entanto, o que se vê nos perímetros próximos a Marabá são uma série de improvisos e medidas paliativas que deixam os problemas cada vez mais longe de uma solução definitiva.

Nossa reportagem esteve nestes mesmos locais no último mês de julho e, de lá para cá, nada mudou. Na rodovia Transamazônica, na saída para o município de São Domingos do Araguaia, uma erosão que já representa risco há meses para condutores e passageiros que precisam passar pelo local segue consumindo uma parte considerável da pista. Agora, faixa branca que indica o limite da pista já acompanha o trecho onde a pavimentação afundou e o intenso tráfego de veículos leves ou pesados a qualquer hora do dia agrava ainda mais a sensação de insegurança de quem precisa passar pelo trecho.

“A gente realmente sente muito medo, não é? É uma situação tão esquisita que, para passar, a gente precisa reduzir a velocidade e seguir o caminho da pista, quase invadindo a outra faixa. Quem vem na outra mão leva até um susto, porque ninguém espera que outro veículo invada a pista assim, mas é o que somos obrigados a fazer para não cair no buraco”, analisa o motorista Paulo Henrique Batista.

Pontos de erosão já invadem a pista em diversos trechos das rodovias (Tay Marquioro/ O Liberal)

Na BR-155, sentido Eldorado dos Carajás, a situação não está muito melhor. O terreno que ladeia a rodovia também está erodindo e, apesar das placas de sinalização, as soluções paliativas já se arrastam há meses. O caminhoneiro Giuliard Alves cruza esse trecho com frequência nas viagens que faz do Mato Grosso para o porto de Barcarena e lamenta as condições da via. “Tem lugar que, se você não prestar atenção, você vira com o caminhão. Se não olhar, é arriscado. Essas ‘gambiarras’ aí são um perigo para nós. Hoje, a BR-155 está muito ruim”, avalia.

“Quem não conhece aqui tomba um caminhão fácil. Basta cair com a dianteira em uma dessas crateras aí que o caminhão deita. É muito perigoso. Eu sou caminhoneiro há mais de 20 anos, hoje, estou carregado de grãos então eu vejo como a situação tem piorado. À noite, então, o risco é dobrado. Eu mesmo prefiro nem rodar, é mais seguro encostar para dormir, porque é muito buraco e no escuro é ainda mais difícil de ver porque a sinalização é precária”, diz o caminhoneiro.

Giuliard Alves viaja do Mato Grosso ao porto de Barcarena e fala da importância de estar sempre alerta (Tay Marquioro/ O Liberal)

Também com destino a Barcarena, o caminhoneiro Nivaldo da Silva classifica como “nada fácil” a trafegabilidade na BR-155. Para ele, o fluxo intenso de veículos pesados pela rodovia só contribui para que as condições da via sejam cada vez mais precárias. “É um movimento muito grande, dia e noite. Então manutenção e sinalização são fundamentais para todos nós, não só caminhoneiros, mas até motoristas de carros pequenos. Uma questão de segurança”, afirma.

Para Nivaldo, além das crateras que estão se abrindo nas rodovias, a falta de apoio e estrutura adequados para quem trabalhar na estrada também é um complicador. “A gente que vive no trecho vê muitos acidentes que ocorrem por falta de um acostamento. O carro dá problema na estrada e tem que parar no meio da pista. Se for à noite, então, fica complicado para quem vem atrás em uma velocidade alta enxergar que tem um carro parado na frente. Aí é que está o perigo”, avalia. “Nós dirigimos veículos pesados. Se estiver carregado então, um caminhão como esse pesa o dobro, praticamente. E fica pior ainda para você parar um veículo desse atrás de um carro de passeio. Esse trecho aqui na BR-155 é preocupante demais para nós”.

Trafegar por estradas em condições precárias, além da insegurança, também chega a pesar no bolso. Cada hora gasta a mais em uma rodovia sem infraestrutura é uma hora a menos para a próxima viagem. “Isso atrasa a gente demais, porque essas cargas são todas agendadas, sabe? Normalmente, a gente só tem horário para sair e cada hora de atraso conta. Não só pela programação das rotas, mas até para quem carrega carga perecível também. Prejudica a todos nós”, lamenta o caminhoneiro Marcos Pessoa.

A reportagem contatou por e-mail a assessoria de imprensa do DNIT que respondeu com uma nota informando que o processo que vai solucionar as erosões da BR-155 está em fase de licitação. A nota afirma ainda que o trecho está devidamente sinalizado e estabilizado e, ainda segundo o Dnit, não apresenta risco iminente de rompimento. Já sobre a erosão ocorrida na BR-230, a nota diz que o trabalho encontra-se em fase de elaboração de projeto, pois se trata de uma desestabilização do talude, que precisará ser integralmente reconstruído. O Dnit não menciona uma previsão de prazos para solução dos problemas.

Pará
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