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Enamed: no Pará, 66,7% dos cursos de Medicina têm desempenho satisfatório

Os resultados foram apresentados pelo Ministério da Educação nesta segunda-feira (19)

O Liberal
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No Pará, 66,7% dos cursos de Medicina avaliados na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) tiveram desempenho satisfatório, alcançando níveis de proficiência considerados adequados para a formação médica. O melhor resultado do estado foi registrado pela Universidade do Estado do Pará (Uepa) de Marabá, que atingiu o conceito 5, o mais alto da avaliação. O Enamed, realizado em 2025, avaliou 351 cursos de medicina em todo o país. Os resultados foram apresentados pelo Ministério da Educação (MEC) nesta segunda-feira (19).

Por outro lado, a Universidade Federal do Pará (UFPA) de Altamira recebeu o conceito 1, o menor índice do exame. Já a Afya Faculdade de Ciências Médicas de Marabá e o Centro Universitário Metropolitano da Amazônia (Unifamaz), em Belém, ficaram com o conceito 2. Três instituições alcançaram o conceito 3: a Afya Faculdade de Redenção, a Universidade Federal do Pará (UFPA) em Belém e a Universidade do Estado do Pará (Uepa) de Santarém. 

E ainda, duas obtiveram conceito 4: a Universidade do Estado do Pará (Uepa) em Belém e o Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), também na capital. O melhor desempenho do estado foi registrado pela Universidade do Estado do Pará (Uepa) de Marabá, que atingiu o conceito 5, o mais alto da avaliação.

Comunidade acadêmica avalia os resultados

O estudante do quinto semestre de Medicina da UFPA, Luiz Andrade, de 24 anos, avalia o curso sob duas perspectivas: a humana/acadêmica e a estrutural. Segundo ele, que estuda no campus Belém, do ponto de vista acadêmico e humano, a formação oferecida é de excelência, preparando os alunos para lidar com a complexidade real do Sistema Único de Saúde (SUS) na Amazônia. E destacou ainda que, diferentemente de outras instituições onde o estudante assume um papel mais passivo, na UFPA os alunos são protagonistas de sua trajetória desde cedo, vivenciando experiências e realidades diversas.

“A nossa inserção nos Hospitais Universitários (Barros Barreto e Bettina Ferro) nos expõe tanto à realidade cotidiana médica como a casos de altíssima complexidade que raramente se veem em outros lugares. Além disso, temos um corpo docente que é referência nacional e oportunidades gigantescas de pesquisa, ensino e extensão. O aluno da UFPA sai com uma experiência médica e uma visão social muito diferenciada”, afirma o estudante.

No entanto, na avaliação de Luiz, alguns pontos negativos ainda deixam a desejar: “Institucionalmente, o curso sofre com o sucateamento. Avalio que a estrutura física não acompanha a qualificação das pessoas. Temos ilhas de excelência, como laboratórios de pesquisa de ponta, cercadas por precariedade assistencial: falta de insumos nos hospitais, ambulatórios superlotados e problemas de manutenção predial”.

“Na minha perspectiva, é um curso que forma médicos tecnicamente e humanamente incríveis e ainda a melhor opção de escolha dentre as públicas e particulares do Pará, mas que exige do aluno uma resiliência exaustiva para compensar as falhas de gestão e financiamento da universidade pública, em especial as federais. O ensino acontece, muitas vezes, pela ‘raça’ de professores, coordenação e alunos, e não porque a estrutura favorece”, acrescenta o estudante.

Sobre a avaliação do curso, o jovem ainda analisa que avalia com um misto de injustiça metodológica e alerta crítico. “Por um lado, vejo o conceito 3 com preocupação porque é uma métrica reducionista. O modelo de avaliação nacional muitas vezes é ‘sulcêntrico’ e ignora as especificidades da formação na Amazônia. Aqui, somos treinados na medicina tradicional com as realidades e limitações que temos: lidamos com doenças tropicais, populações vulneráveis específicas e aprendemos a ter uma resolutividade clínica altíssima justamente pela falta de recursos”, observa. 

“Essa competência prática de resolver o problema do paciente com o que ‘tem na mão’ a prova teórica e as planilhas do MEC não conseguem captar, o que gera uma nota que subestima a qualidade real do nosso egresso. Porém, não podemos usar a regionalidade como desculpa para fechar os olhos. O conceito 3 também escancara verdades incômodas que a faculdade de medicina na UFPA precisa, sim, melhorar”, ressalta.

De acordo com o coordenador do curso de Medicina da Uepa, professor Caio Botelho, o resultado instituição evidencia o desempenho dos diferentes campi da universidade. Para o coordenador, o desempenho reflete um esforço coletivo, com um resultado que expressa o empenho não só dos alunos, mas também dos técnicos e professores da instituição que contribuem para a formação dos novos profissionais da área da saúde. 

“Tivemos nota máxima por meio do curso de Medicina de Marabá, e também notas 4 e 3 nos cursos de Belém e Santarém, respectivamente”, explica. O coordenador também reforça que, com os bons resultados, “reafirmamos o nosso compromisso de formar médicos responsáveis, técnicos e humanos”.

Bom desempenho

Em todo o país, a maior parte dos cursos, totalizando 243, foram bem avaliados com desempenho que garantiu proficiência a, pelo menos, 60% dos estudantes concluintes da formação médica. Outros 107 cursos foram mal avaliados e um não foi avaliado por baixo número de concluintes inscritos. Ao todo, se inscreveram 89.024 estudantes e profissionais de Medicina. 

Desses 39.258 eram concluintes dos cursos de graduação ofertados no país, sendo a maior parte dos inscritos, mais de 28 mil dos avaliados são de instituições privadas com e sem fins lucrativos e pouco mais de 9 mil de instituições públicas federal, estadual e municipal. Os melhores desempenhos foram apresentados pelos 6.502 estudantes de instituições federais, que apresentaram uma pontuação média de 83,1% de proficiência, seguido dos estudantes das estaduais, com média de 86,6%, entre os 2.402 inscritos.

Mais de 100 cursos de Medicina em todo o país tiveram desempenho insatisfatório, segundo o MEC. Os piores desempenhos foram dos 944 estudantes da rede municipal, que somaram uma média de 49,7% da pontuação máxima, com resultado médio considerado insuficiente pelo exame. Os 15.409 estudantes da rede privada com fins lucrativos também apresentaram uma média de apenas 57,2% da pontuação máxima.

A nota de corte dos estudantes no Enamed passa a ser utilizada para regular a oferta de cursos de Medicina e estabelecer medidas de supervisão, além de penalidades às instituições que apresentarem baixo desempenho no exame (faixas 1 e 2). O exame também passa a integrar o processo de seleção para o Exame Nacional de Residência (Enare).

Medidas cautelares

Segundo Camilo Santana, a partir da divulgação dos dados do Enamed as instituições que integram o Sistema Federal de Ensino no Brasil que apresentaram desempenho médio dos concluintes do curso de Medicina abaixo de 60% serão submetidos a um Processo Administrativo de Supervisão, por meio da adoção de medidas cautelares aplicadas de forma escalonada.

As sanções vão desde a proibição do aumento de vagas, passando pela redução da oferta de vagas, suspensão do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), até a suspensão do ingresso de novos estudantes. “Ao todo 304 cursos [de medicina] são de competência de regulação do governo federal. São as universidades públicas federais e as privadas. Desses, 99 cursos ficaram nas faixas 1 e 2 [de pontuação] consideradas insatisfatórias”, diz Santana.

Após a publicação dos resultados no Diário Oficial da União, esses 99 cursos terão 30 dias para apresentar a defesa ao Ministério da Educação, antes que as sanções entrem em vigor. Após o prazo, as medidas valerão até a próxima aplicação do Enamed, prevista para outubro de 2026.

Posicionamento

Sobre os resultados, em nota a Afya informou que está acompanhando a divulgação dos resultados do Enamed. "Análises de instituições de todo o país indicam divergência de dados, entre os que foram reportados como insumos, em dezembro passado, em relação ao número de estudantes proficientes de seus cursos, e os divulgados hoje. Diante disso, o grupo aguarda esclarecimentos técnicos por parte do MEC e do INEP antes de se manifestar de forma conclusiva sobre os números apresentados", detalha o comunicado.

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