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Curso gratuito de alfabetização de jovens, adultos e idosos está com inscrições abertas

Iniciativa é voltada para pessoas que não tiveram acesso à educação básica na infância ou que ainda enfrentam dificuldades de leitura e escrita

O Liberal
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Estão abertas as inscrições para o curso gratuito de alfabetização e letramento de jovens, adultos e idosos em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. A iniciativa é voltada para pessoas que não tiveram acesso à educação básica na infância ou que ainda enfrentam dificuldades de leitura e escrita. As aulas são presenciais duas vezes por semana, das 16h às 18h30, em uma faculdade localizada em um shopping na BR-316, km 4. O curso tem duração de quatro meses, é totalmente gratuito e as inscrições podem ser feitas presencialmente na faculdade. As vagas são limitadas.

O Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos busca combater o analfabetismo e ampliar a inclusão social por meio da educação. Em Ananindeua, o projeto atende pessoas com pouca ou nenhuma escolarização, oferecendo, além das aulas, acompanhamento pedagógico e materiais gratuitos, como caderno, lápis e ecobag para incentivar a permanência dos estudantes.

Mais do que ensinar a ler e escrever, o curso tem transformado a rotina de quem decidiu voltar à sala de aula na fase adulta. Em pouco mais de um mês de aulas, participantes conseguem reconhecer letras, escrever o próprio nome e lidar com tarefas simples do cotidiano sem depender de outras pessoas.

Apesar das dificuldades para chegar à instituição, Maria Assunção, de 60 anos, afirma que a distância não é um obstáculo diante da conquista da autonomia. A idosa pega quatro ônibus para participar das aulas e atravessa a cidade de Ananindeua para não perder nenhum aprendizado.

“Para as pessoas que não sabem ler, é muito difícil lidar com a vida no dia a dia e depender dos outros. Tipo, eu fui fazer supermercado e não sabia ler o preço direito. Aí perguntei a uma atendente e ela foi muito grossa comigo. Aí me sinto ofendida, sabe? Se eu soubesse ler, eu não estaria perguntando. Até pra pegar um ônibus é complicado. Então eu resolvi tomar essa decisão e voltar a estudar”, conta ela, emocionada.

Maria lembra que trabalhou a vida inteira como empregada doméstica e que, durante a infância, estudar não era uma possibilidade. “Estou em Belém desde os doze anos, mas eu sou do Maranhão e durante a vida toda eu trabalhei como empregada doméstica, sempre estive na casa dos outros. Antigamente, o acesso à escola era muito mais difícil e eu tinha que cuidar da família. Agora, o momento é pra cuidar de mim”, afirma.

Os resultados do programa também impactam quem atua diretamente nas aulas. Thalia Aleixo, estudante do sexto semestre de Pedagogia e instrutora do projeto na unidade de Ananindeua, explica que a experiência tem contribuído para sua formação acadêmica e humana.

“A didática de ensino para uma pessoa adulta é totalmente diferente do que para uma criança, por exemplo. Com as crianças, nós temos que ser lúdicos e percebemos a ingenuidade deles. Já com os adultos, nós temos que encontrar estratégias para captar a atenção deles e estar sempre atentos às necessidades deles, pois já são cidadãos com suas próprias histórias e experiências de vida”, explica a discente.

Segundo Camila Quadros, coordenadora do curso de Pedagogia da Estácio Ananindeua, o município concentra um dos maiores índices de analfabetismo do Pará, o que reforça a importância da iniciativa.

“A gente precisa olhar para essas pessoas com empatia, porque elas precisam se sentir incluídas socialmente. Esse é um programa muito potente, porque não é apenas chegar numa sala e passar um conteúdo. É compreender que essas pessoas precisam ser inseridas na sociedade. Nós continuamos mandando mensagens pra eles ao longo do curso, pra acompanhar o desenvolvimento de cada um e entender as possíveis dificuldades deles. É, realmente, um processo de acolhimento”, destaca a professora.

O programa também conta com a parceria do Instituto Equatorial, iniciativa social do Grupo Equatorial, que apoia ações de alfabetização em unidades do Pará, Maranhão, Amapá, Piauí, Goiás e Alagoas. A colaboração busca ampliar o alcance das ações educacionais em regiões de maior vulnerabilidade social.

“Quando uma pessoa aprende a ler e escrever, ela amplia suas possibilidades de escolha, de participação social e de autonomia. O Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos, além de gratuito, foi pensado para dialogar com a realidade dos alunos, ajudando cada participante a usar o conhecimento no dia a dia e a transformar sua própria história. Acreditamos no poder de potencializar o impacto da alfabetização no país”, reforça Cláudia Romano, presidente do Instituto Yduqs e vice-presidente do grupo educacional Yduqs.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (91) 98168-7868.

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