Cruz Vermelha explica como devem ser os primeiros socorros e abre inscrição para novos voluntários
Nesta sexta-feira (8), é celebrado o Dia Internacional da Cruz Vermelha. Data celebra atuação humanitária da instituição e destaca como ações rápidas podem salvar vidas em situações de emergência
Nesta sexta-feira (8), é celebrado o Dia Internacional da Cruz Vermelha, data que homenageia o nascimento do fundador da instituição, Henry Dunant, nascido em 1828, na Suíça. Considerado um dos maiores ícones do voluntariado mundial, Dunant recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1901. A celebração busca conscientizar a população sobre a importância da ajuda humanitária e do trabalho voluntário em situações de emergência e vulnerabilidade social.
No Brasil, a Cruz Vermelha surgiu em 1907 por iniciativa do médico Joaquim de Oliveira Botelho, em parceria com profissionais da saúde. A sede da Cruz Vermelha Brasileira foi estabelecida em 1908, no Rio de Janeiro, tendo como primeiro presidente o sanitarista Oswaldo Cruz.
No Pará, além das ações humanitárias, a instituição também atua na capacitação da população para situações de urgência e emergência. Segundo Allan Di Abreu, coordenador estadual de Primeiros Socorros da Cruz Vermelha, conhecimentos básicos podem fazer a diferença nos primeiros minutos de um atendimento.
“Os primeiros socorros mais importantes são aqueles que podem salvar vidas nos primeiros minutos de uma emergência, até a chegada do atendimento especializado. Entre os principais estão reconhecer uma parada cardiorrespiratória e iniciar a reanimação cardiopulmonar (RCP), saber agir em casos de engasgo utilizando a manobra de desobstrução das vias aéreas e controlar hemorragias com compressão direta”, explica.
O coordenador alerta que muitos erros cometidos pela população acontecem por desespero ou falta de informação. Entre os principais estão movimentar vítimas de acidentes sem necessidade, colocar objetos na boca de pessoas durante crises convulsivas, aplicar substâncias caseiras em queimaduras e tentar retirar objetos perfurantes do corpo.
De acordo com Allan, ter noções básicas de primeiros socorros pode aumentar significativamente as chances de sobrevivência em casos graves. “Um dos principais exemplos é a parada cardiorrespiratória: quando uma pessoa inicia imediatamente a RCP, as chances de sobrevivência da vítima aumentam significativamente até a chegada do socorro”, afirma.
Entre os sinais que indicam necessidade de atendimento médico urgente estão dificuldade para respirar, inconsciência, dor forte no peito, hemorragias intensas, convulsões, sinais de AVC, queimaduras extensas, suspeitas de fraturas graves, afogamentos e engasgos.
O especialista também destaca a importância de ensinar primeiros socorros em escolas, empresas e comunidades. “O conhecimento básico permite que qualquer pessoa reconheça situações de risco, preste os primeiros atendimentos de forma segura e ajude a preservar a vida até a chegada do socorro especializado”, ressalta.
Como agir em situações de emergência
Em casos de desmaio, Allan orienta que a primeira atitude deve ser manter a calma, verificar se o ambiente é seguro e avaliar a respiração da vítima. Se a pessoa estiver respirando normalmente, deve ser colocada deitada de barriga para cima, com roupas afrouxadas e pernas elevadas. Já em casos de vítimas inconscientes encontradas no chão, a recomendação é colocá-las de lado e aguardar o socorro especializado.
Nos casos de engasgo, a orientação é identificar se a vítima ainda consegue tossir ou falar. Se houver dificuldade para respirar, devem ser realizados tapas firmes nas costas e, se necessário, a manobra de desobstrução das vias aéreas.
Em situações de parada cardiorrespiratória, o coordenador reforça que agir rapidamente é essencial. “As compressões torácicas ajudam a manter a circulação de sangue e oxigênio para órgãos vitais, principalmente o cérebro”, explica.
Já em casos de queimaduras, a recomendação é resfriar a região afetada com água corrente em temperatura ambiente e nunca utilizar substâncias caseiras, como pasta de dente, manteiga, óleo ou café, que podem agravar as lesões.
Ao socorrer vítimas de acidentes de trânsito, Allan reforça que o primeiro cuidado deve ser garantir a segurança do local e acionar os serviços de emergência. Também não é recomendado mover vítimas quando houver suspeita de lesões na coluna, pescoço ou cabeça.
Serviços de emergência e formação de voluntários
Segundo Allan Di Abreu, acionar rapidamente os serviços de emergência pode ser decisivo para salvar vidas. Os principais números são: 192, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu); 193, do Corpo de Bombeiros; 190, da Polícia Militar; 191, da Polícia Rodoviária Federal; e 199, da Defesa Civil.
A Cruz Vermelha Brasileira no Pará também oferece cursos e capacitações em primeiros socorros para a população, empresas, escolas e instituições. Os treinamentos unem teoria e prática, com simulações de situações de emergência.
Além disso, a instituição está com inscrições abertas para formação de novos voluntários efetivos. A capacitação será dividida em duas etapas: de 18 a 22 de maio, com o Curso Básico de Formação Institucional (CBFI), voltado aos princípios humanitários da Cruz Vermelha; e de 25 a 29 de maio, com o curso de Primeiros Socorros.
As aulas ocorrerão das 18h30 às 21h30, na Faculdade Fibra, localizada na avenida Gentil Bittencourt, em Belém. O investimento é de R$ 150. Podem participar pessoas a partir de 15 anos. Menores entre 16 e 18 anos devem apresentar autorização assinada pelos responsáveis.
“A formação é extremamente importante porque prepara os voluntários para atuar de forma segura e organizada em ações humanitárias, desastres, campanhas sociais, atendimentos emergenciais e projetos comunitários”, destaca Allan.
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