Carregamento de celular exige cuidados para evitar superaquecimento e incêndios
Situações como essa podem ter diferentes causas e, muitas vezes, estão relacionadas à forma de uso dos equipamentos ou às condições da instalação elétrica da residência
Acidentes envolvendo o carregamento de celulares e outros dispositivos eletrônicos são mais comuns do que se imagina e podem provocar danos graves dentro de casa. Nesta semana, um caso registrado no bairro do Icuí-Guajará, em Ananindeua, chamou a atenção para o problema: parte da residência de uma mulher foi atingida por um incêndio após ela colocar o celular para carregar e ir tomar banho. Segundo a moradora, tanto o aparelho quanto o carregador estavam em bom estado.
Situações como essa podem ter diferentes causas e, muitas vezes, estão relacionadas à forma de uso dos equipamentos ou às condições da instalação elétrica da residência.
A reportagem conversou com o executivo de Segurança da Equatorial Pará, Elton Lucena, que explica que ocorrências desse tipo podem acontecer em ambientes domésticos. “Ocorrências envolvendo instalações elétricas ou equipamentos eletrônicos podem acontecer, especialmente quando há instalações antigas, uso inadequado de equipamentos ou falta de manutenção. No entanto, a maioria dessas situações pode ser evitada com cuidados simples, como utilizar equipamentos certificados pelo Inmetro, evitar sobrecarga nas tomadas e manter a instalação elétrica em boas condições”, comentou.
Risco de superaquecimento
De acordo com o especialista, problemas em componentes eletrônicos podem provocar aquecimento excessivo durante o carregamento. “Problemas em baterias, cabos ou carregadores danificados podem provocar superaquecimento. A utilização do celular enquanto carrega, também pode causar superaquecimento do dispositivo. Esse aquecimento excessivo pode ocorrer principalmente quando são utilizados acessórios inadequados ou quando o equipamento apresenta algum defeito. Por isso, é importante sempre utilizar carregadores originais ou certificados e observar as condições do aparelho”, explicou.
Ele ressalta que os aparelhos mais modernos possuem sistemas de proteção que controlam o processo de carregamento, mas ainda assim é necessário atenção. “Os celulares atuais possuem sistemas de proteção que controlam o carregamento da bateria. Ainda assim, é recomendável evitar deixar aparelhos conectados em locais que dificultem a dissipação de calor ou utilizar carregadores de procedência duvidosa. O cuidado maior deve ser com cabos danificados, carregadores não certificados ou ambientes com pouca ventilação”, alertou Lucena.
Sinais de alerta
Alguns indícios podem indicar que o equipamento apresenta risco de falha elétrica ou curto-circuito. “Alguns sinais merecem atenção, como aquecimento excessivo do aparelho ou do carregador, cheiro de queimado, cabos ressecados ou rompidos, conectores frouxos e funcionamento irregular do equipamento. Ao perceber qualquer um desses indícios, o ideal é interromper o uso e substituir o acessório ou procurar assistência técnica”, explicou Elton Lucena.
O especialista também chama atenção para os riscos do uso de acessórios falsificados ou sem certificação. “Carregadores falsificados ou sem certificação podem não atender aos padrões de segurança e qualidade exigidos, o que aumenta o risco de superaquecimento, falhas elétricas ou danos ao aparelho. Por isso, é sempre recomendável utilizar acessórios originais ou que possuam certificação dos órgãos reguladores”, recomendou.
Entre as orientações gerais, Lucena destaca medidas simples de prevenção. “Entre as principais orientações estão: utilizar carregadores certificados, evitar cabos danificados, não sobrecarregar tomadas com muitos equipamentos ao mesmo tempo e manter os aparelhos em locais ventilados durante o carregamento. Também é importante realizar revisões periódicas na instalação elétrica da residência”, orientou.
Onde carregar o celular
Outro cuidado importante é o local onde o aparelho fica durante o carregamento. Superfícies macias podem dificultar a dissipação do calor. “Superfícies como camas, sofás ou travesseiros podem dificultar a dissipação do calor gerado durante o carregamento. Isso pode aumentar a temperatura do equipamento e reduzir a ventilação do aparelho. O ideal é realizar o carregamento sobre superfícies firmes e ventiladas, como mesas ou bancadas”, orientou Lucena.
O que fazer em caso de incêndio
Caso um incêndio provocado por equipamento eletrônico ocorra dentro de casa, a orientação é agir com cautela. “Em caso de incêndio provocado por aparelho eletrônico, o primeiro passo é manter a calma e, se for seguro, desligar a energia no disjuntor da residência”.
“Também é importante afastar materiais inflamáveis da área e acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros. Evitar jogar água diretamente em equipamentos energizados também é uma medida importante de segurança”, alertou.
Sobrecarga elétrica também preocupa
O major Israel Souza, do Corpo de Bombeiros Militar do Pará, também ouvido pela reportagem, reforça que diversos fatores podem provocar incêndios elétricos. “Vários fatores podem gerar incêndios elétricos como a sobrecarga no ponto da tomada”.
Segundo ele, o uso de vários aparelhos no mesmo ponto de energia é um dos principais problemas. “A recomendação é que não sejam usados muitos equipamentos elétricos e eletrônicos na mesma tomada. Outra preocupação é o uso do carregador de celular. Geralmente, as pessoas passam a ter o costume de quando não tem o carregador original, utilizar um carregador do mercado paralelo, que não tem nenhuma garantia de segurança. Ele também pode sobreaquecer e dar princípio a incêndios. As pessoas também adotaram o costume de dormir carregando o celular na madrugada toda. Os aparelhos ficam perto de colchões, lençóis, toalhas e cortinas, que são materiais mais suscetíveis a esses incêndios”, alertou o major Israel Souza.
“Para prevenir não se deve deixar vários equipamentos na mesma tomada, quando for substituir o carregador, que se faça pela marca original do aparelho e deixar carregando somente o período necessário”, falou.
Atenção à bateria e à rede elétrica
Outro risco está na substituição de peças por produtos sem procedência ou assistência técnica especializada. “No próprio celular, às vezes acontece de ter um problema na bateria do aparelho, as pessoas costumam adquirir também as baterias no mercado paralelo. A recomendação é que observem a marca do equipamento, visitem o site oficial da marca que lá vão ter todas as orientações de qual assistência técnica é credenciada, e até a venda do dispositivo acessório necessário do aparelho”, comentou.
“Esses geralmente são os maiores problemas quando a gente fala de sobrecarga e também a utilização de carregadores e baterias adquiridas no mercado paralelo. Esse aquecimento pode gerar queimaduras nas pessoas”, comentou o major.
Ele também destaca que instalações elétricas inadequadas podem agravar o risco de acidentes. “Quando isso acontece nas redes elétricas tem diversos fatores. As casas são projetadas para baixa tensão, mas a pessoa coloca aparelhos que puxam uma demanda alta de energia. A recomendação é fazer a manutenção da rede elétrica e é preciso adequar a tensão”.
Segundo o oficial, alguns sinais indicam a necessidade de manutenção na rede elétrica da residência. “Não existe um tempo padrão para a pessoa fazer essa manutenção. O ideal é perceber se está tudo certo, se está tendo queda de energia reiteradamente, se a energia está ruim, o fio descascado ou ressecados são indicativos. O fio fica ressecado porque ele pode estar aquecendo no interior. Então precisa da manutenção imediata”, frisou Israel Souza.
Em caso de emergência
Em situações de incêndio ou risco iminente, a recomendação é buscar ajuda especializada. “A orientação para as pessoas quando perceberem alguma anormalidade é ligar para o número 193, do Corpo de Bombeiros. Ela tem que se afastar para um local seguro e ligar imediatamente. Nem mexer em nada, se não se sabe como agir, o recomendado é acionar os profissionais. Se for possível desligar o interruptor geral, só se a pessoa não for se comprometer a um risco”, reforçou Israel Souza.
Como evitar acidentes ao carregar o celular
Use carregadores certificados
• Prefira sempre o carregador original do aparelho.
• Caso precise substituir, utilize acessórios com certificação de órgãos reguladores, como o Inmetro.
Evite sobrecarga nas tomadas
• Não conecte muitos equipamentos na mesma tomada.
• O uso excessivo de extensões e adaptadores pode provocar aquecimento da fiação e curto-circuito.
Fique atento aos sinais de risco
Interrompa o uso se perceber:
• aquecimento excessivo do aparelho ou carregador;
• cheiro de queimado;
• cabos ressecados ou rompidos;
• conectores frouxos;
• funcionamento irregular do equipamento.
️ Não carregue o celular em superfícies macias
• Evite camas, sofás, travesseiros e colchões.
• O ideal é carregar o aparelho em superfícies firmes e ventiladas, como mesas ou bancadas.
Cuidado com acessórios falsificados
• Carregadores e baterias de procedência duvidosa podem não seguir padrões de segurança.
• Isso aumenta o risco de superaquecimento e incêndios.
Evite usar o celular enquanto carrega
• O uso simultâneo pode gerar aquecimento excessivo do dispositivo.
Faça manutenção da rede elétrica
• Fios descascados, ressecados ou quedas frequentes de energia são sinais de alerta.
• A instalação elétrica da casa deve estar adequada à demanda de energia.
Evite deixar carregando por tempo desnecessário
• Não é recomendado deixar o celular carregando durante toda a madrugada, principalmente perto de materiais inflamáveis.
Em caso de incêndio
• Mantenha a calma.
• Se for seguro, desligue a energia no disjuntor da casa.
• Afaste materiais inflamáveis do local.
• Não jogue água em equipamentos energizados.
• Acione o Corpo de Bombeiros pelo número 193.
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