Boato: Polícia não prendeu 'líder forte do MST'

Notícia é de 2018 e repleta de desinformação. Para começar, o suposto morreu em 2014

Victor Furtado

Desde 2018, circula nas redes sociais digitais uma mensagem falsa de que Bruno Maranhão "um dos líderes fortes do MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra]" e "braço direito de Lula nas invasões de terras" teria sido preso, em flagrante, com um avião carregado de drogas e armas. Por alguma razão, o boato voltou a circular nesta semana. Só não avisam que Bruno Maranhão morreu em 2014.

Tem muita desinformação nessa mensagem. A começar pelo local. Quem compartilhou o boato achando que era no Pará, já errou. O vídeo com pessoas sendo presas, o avião e as drogas é real. Foi em uma operação da Polícia Federal, em março de 2018. A data já não bate com a época em que Bruno Maranhão morreu.

Veja o vídeo que gerou a informação falsa.

Essa operação da PF foi em Paraguaçu Paulista, no estado de São Paulo. Bruno Maranhão morreu em Recife (PE) e estava com 74 anos, com uma aparência um pouco abatida. Desde 2011, já estava muito doente e passou por duas cirurgias. Nem parecia com qualquer pessoa presa e que aparecia no vídeo. O político e ativista social atuava, principalmente, no estado de Pernambuco.

O avião apreendido tem a função específica de pulverizar agrotóxicos em plantações. Não é um equipamento barato e que possa ser comprado por trabalhadores sem terras, que são pobres. Por sinal, o MST, por padrão, cultiva, nos assentamentos legalizados pela reforma agrária, produtos orgânicos.

Agrotóxicos e aeronaves de pulverização são equipamentos de grandes empresários do agronegócio. E neste caso, estava carregado com 990 quilos de maconha. No hangar da aeronave, ainda havia mais 400 quilos. As armas e as drogas foram apreendidas. Nunca houve qualquer indício de participação, como confirmou a PF à época, de membros do MST.

Também é importante explicar que Bruno Maranhão era de outro grupo político, de ativismo social em prol de trabalhadores ruais e da reforma agrária. Existe o Movimento dos Trabalhadores Sem Terras (MST). Maranhão era fundador do Movimento pela Libertação dos Trabalhadores Sem Terras (MLST). O MLST é uma dissidência do MST. Os dois grupos têm atuações diferentes.

Maranhão também fundou e dirigiu o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que teve 12 integrantes mortos e quatro desaparecidos durante a ditadura militar.

Pará
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