Alunos de baixa renda são maioria na Universidade Federal do Pará

Pesquisa da UFPA aponta que 85% dos estudantes vêm de família com renda de até um salário mínimo e meio

Dilson Pimentel

Aos 26 anos, Rosalina Gomes Pinheiro é a primeira de sua família a chegar ao ensino superior. Lisângela Coutinho Maciel, 19 anos, também é a primeira dos seis irmãos a cursar uma universidade. Ambas são quilombolas e de famílias de baixa renda. As duas estudantes se enquadram no perfil do aluno da Universidade Federal do Pará, divulgado, na manhã de terça-feira (4), pelo reitor da instituição, Emmanuel Tourinho.

Os alunos são de famílias de baixa renda, primeiros da família a chegar ao ensino superior e muitos vivem no entorno da UFPA. E 85% dizem que a renda familiar per capita é de até um salário mínimo e meio. O resultado da pesquisa servirá de base para a elaboração de políticas públicas de inclusão e integração do estudante para que complete o curso de graduação com qualidade acadêmica.

A UFPA é a maior Universidade do país em número de alunos de graduação, com mais de 51 mil estudantes em 12 campi e dezenas de polos universitários que alcançam mais de 60 municípios paraenses.

PÚBLICA, GRATUITA E DA AMAZÔNIA

Rosalina Gomes Pinheiro cursa Ciências Sociais. Entrou na UFPA em 2015 e pretende concluir o curso neste ano. "Desde o momento em que tu sai do quilombo (Rio Arapapuzinho, no município de Abaetetuba) e chega aqui na comunidade, tu te depara com uma realidade totalmente diferente. Eu saí muito cedo da comunidade, aos 11 anos, porque a escola era até a quarta série.

E, para dar continuidade ao ensino fundamental, tive que sair da comunidade e estudar na cidade", contou. Uma das principais dificuldades é a financeira. "Quando você chega aqui, leva aproximadamente três meses para conseguir a bolsa permanência. No meu caso, essa problemática foi uma das maiores, porque tem o aluguel. Você vem pra cá e, às vezes, não tem parente para ficar morando junto. Precisa pagar aluguel, se alimentar, tirar cópias, como é o caso do meu curso, e precisa de dinheiro. E não dá para ficar comprando livros. Somos cinco filhos. Sou a primeira da família a estar aqui. É gratificante", sorri.

Lisângela Coutinho Maciel faz Licenciatura em História. Entrou em 2018. Também é daquela mesma comunidade. Disse que teve dificuldade na educação básica. "Os professores tinham que se deslocar da cidade para o interior. Sempre estudei no interior. Isso era algo muito complicado para os alunos da redondeza. E eles acabavam perdendo aula porque os professores tinham que se deslocar de um lugar para o outro", afirmou.

LUTAS PELO ENSINO SUPERIOR

Ainda segundo o levantamento, 70,2% dos alunos são mantidos financeiramente pelos pais. A mãe de 75% deles não têm ensino superior. No caso do pai, esse percentual é de 82%. A maioria (66,1%) tem entre 18 e 24 anos, 55% não trabalha e não está à procura de trabalho.

No capítulo da diversidade, pretos, pardos e indígenas são 78,4%; 86,2% são cisgênero (pessoa cuja sua identidade e expressão de gênero correspondem ao sexo biológico ao qual foram designadas quando nasceram); 0,4% são transsexuais; 78,6% são heterossexuais; 7.8% são homossexuais e 7,5% são bissexuais.

No perfil étnico, 61,3% se declaram pardos. Mais: 44,6% dos estudantes participam de alguma atividade (iniciação científica, projetos de extensão, estágios, entre outros), 30,9% participam de algum movimento (movimentos estudantis, atléticas estudantis, entre outras).

A pesquisa também revelou que 66,5% vai de ônibus para a UFPA, 11,5% vai a pé, 30,9% come ao menos uma vez por dia no restaurante universitário, 73% estuda até 10 horas além da sala de aula e 81,3% utiliza a biblioteca ao menos uma vez por semana.

O levantamento mostrou, ainda, que, após se tornar universitário, 65,7% lê mais, 13,2% vai mais ao teatro, 48,2% frequenta mais os cinemas e 28,2% vai menos a shows. 

NOVO PERFIL DO ALUNO DA UFPA

. São de famílias de baixa renda. os primeiros da família a chegar ao ensino superior e muitos vivem no entorno da UFPA.

. 85% dizem que a renda familiar per capita é de até um salário mínimo e meio.

. 70,2% dos alunos são mantidos financeiramente pelos pais.

. A maioria (66,1%) tem entre 18 e 24 anos, 55% não trabalha e não está à procura de trabalho. 

. No capítulo da diversidade, pretos, pardos e indígenas são 78,4%, 86,2% são cisgênero, 0,4% são transsexuais, 78,6% são heterossexuais, 7.8% são homossexuais e 7,5% são bissexuais. 

. No perfil étnico, 61,3% se declara pardo.

. 44,6% participam de alguma atividade (iniciação científica, projetos de extensão, estágios, entre outros), 30,9% participam de algum movimento (movimentos estudantis, atléticas estudantis). 

. 66,5% dos estudantes vão de ônibus para a UFPA, 11,5% vai a pé, 30,9% come ao menos uma vez por dia no restaurante universitário, 73% estuda até 10 horas além da sala de aula e 81,3% utiliza a biblioteca ao menos uma vez por semana.

. Após se tornar universitário, 65,7% lê mais, 13,2% vai mais ao teatro, 48,2% frequenta mais os cinemas e 28,2% vai menos a shows.


Fonte: UFPA

 

 

Pará
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