Acessibilidade: intérpretes de Libras contribuem para inclusão da comunidade surda; vídeo

No Dia Mundial do Tradutor, celebrado em 30 de setembro, os tradutores/intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) são destacados por contribuírem para a inclusão social e comunicação das pessoas com surdez

Fabyo Cruz

A campanha Setembro Azul dá visibilidade às pessoas surdas, com três datas que conscientizam e celebram conquistas da trajetória e luta de toda a comunidade. No Dia Mundial do Tradutor, celebrado em 30 de setembro, os tradutores/intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) são destacados por contribuírem para a inclusão social e comunicação das pessoas com surdez.

Walber Abreu é secretário geral da Associação dos Tradutores/Intérpretes de Língua de Sinais do Pará (ASTILP) e professor na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), em Tomé-Açu, no nordeste do Pará. O também intérprete de Libras, contou quais são os eventos celebrados no Setembro Azul. “O dia 1º de setembro celebra a regulamentação da profissão de tradutor e intérprete de Libras; o dia 26 que é o Dia Nacional do Surdo; e o dia 30 que é o Dia Internacional do Intérprete”.

Walber Abreu comenta que o profissial intérprete de Libras é aliado da causa das pesssoas surdas (Filipe Bispo)

O educador também comentou sobre a importância do profissional para o processo de inclusão das pessoas surdas. “Existe intérprete de libras porque existem pessoas surdas. Então, a gente vê nessa profissão como a garantia deles, do surdo, de ser cidadão, de ter acesso à educação, informação, saúde, porque a gente sabe que não vivemos em uma sociedade que conhece a língua de sinais. Então, pra que o surdo tenha acesso a essa sociedade, por meio da língua, é necessário ter um profissional fazendo o intermédio”, afirmou.

A importância da Língua Brasileira de Sinais para a inclusão é reforçada pela professora Pâmela da Silva Matos, que é surda e ministra aulas na Ufra. Ela tem mestrado na área de educação, doutoranda em educação e possui três especializações. Pâmela conta que é a primeira pessoa surda mestre em educação no Pará. Segundo a educadora, a maior dificuldade para os surdos passarem nos processos seletivos de mestrado e doutorado é a pouca acessibilidade dos exames.

 Pâmela da Silva Matos é a primeira pessoa surda no Pará e ter o título de mestre em educação (Filipe Bispo/O Liberal)

“Eu também senti uma dificuldade, o que acontece é que algumas universidades não acessibilizam seus processos seletivos para os surdos. Não ter acesso às línguas de sinais e também escrever em língua portuguesa dificultava nosso acesso à pós-graduação”, disse a doutoranda. Ela conta que perdeu a audição por conta da meningite, aos 6 anos de idade, mas antes disso teve acesso à linguagem oral.

“Quando eu tive acesso à universidade, por exemplo, toda essa minha experiência com português fez com que eu conseguisse escrever textos e redações, então isso também me ajudou a passar no mestrado, e comecei a fazer um movimento para conscientizar a universidade, pois eu sei o meu papel, sei que de alguma forma eu tinha algum tipo de influência lá, e poder para levar esse tipo de conscientização à universidade”, contou Pâmela.

“A Libras é importante para inclusão porque tantos os ouvintes quanto os surdos precisam entender que a Libras é a língua das pessoas surdas e, essa língua, precisa ser disseminada e difundida, não só para a comunicação dos surdos como a comunicação com os ouvintes, e é uma língua oficial no Brasil. Então, fico feliz que os surdos tenham conseguido romper essa barreira que é a universidade, então me sinto feliz de ter dado esse pontapé inicial”, completou.

Pará
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