Mães brasileiras se mobilizam para ajudar suas barrigas de aluguel na Ucrânia

Rose e mais seis mães brasileiras se uniram logo quando começou o conflito com a Rússia

Luciana Carvalho
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Enquanto conversava com a coluna Universa sobre o contato que mantinha com uma ucraniana, a brasileira Rose Pinheiro Teles, 46 anos, que mora em São Paulo, recebeu uma mensagem de Iryna Dubova, 34, que vive em Slavutych, cidade ao lado da Usina Nuclear de Chernobyl, próximo à divisa com Belarus, na Ucrânia, que dizia: "Os tanques estão atirando na cidade. Eu realmente quero acreditar que vamos ficar vivos. Ai meu Deus, que medo". Iryna foi barriga de aluguel de sua filha Clarissa, hoje com 4 anos. As informações são do portal UOL.

Rose e mais seis mães brasileiras que contaram com surrogates (barrigas de aluguel) ucranianas se uniram logo quando começou o conflito com a Rússia, no fim de fevereiro, para prestar algum tipo de apoio às mulheres que possibilitaram que hoje elas estivessem com os filhos em seus braços.

Iryna tem um filho de 10 anos e seu marido é militar. Ela vive a insegurança de não saber se ele voltará. A ucraniana não pode sair de casa para comprar alimentos com ajuda financeira enviada pela brasileira, pois há risco de violência sexual. Mesmo que não houvesse este risco, difícil seria encontrar algo que não tenha sido destruído em Slavutych. Segundo Rose, não há farmácias ou mercados em pé. Iryna depende da chegada de ajuda humanitária para ela e o filho se alimentarem.

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Grupo de brasileiras tenta ajudar à distância

Há quatro anos, Rose estava em Kiev segurando, pela primeira vez, sua filha nos braços. Ela não pôde ter contato com sua surrogate naquele momento. "Mesmo sem conhecê-la, sempre tive uma enorme gratidão por ela. Quando começou a guerra, passei a procurá-la com meus próprios recursos, mas ela não tem rede social", explica.

As buscas a levaram ao perfil de outra brasileira, como Ludimila Lins, que gerou seus dois filhos com outra surrogate na Ucrânia. Rose comentou em uma das postagens de Ludimila sobre o assunto e a outra mãe a convidou a entrar para um grupo de mulheres que estavam à procura ou já tinham encontrado as surrogates ucranianas para saber como estavam e prestar algum tipo de ajuda. "Conseguimos achar a Iryna após 10 dias, também com ajuda da empresa que fez o nosso processo de barriga de aluguel"

Rose conseguiu enviar uma remessa de valor para tentar Iryna e mantem contato diário com ela. É na conversa que a Ucraniana compartilha com Rose os dias em que foi para a fila da farinha ou do ovo, teve dias que conseguiu e outros não, que correu até sua casa para pegar água e mingau e depois voltou ao porão de uma aldeia para se proteger.

Quem ajudou Rose a encontrar Iryna foi Maria, 34, ucraniana barriga de aluguel de Ludimila Lins. A surrogate se uniu às brasileiras na corrente de ajuda em meio à guerra. Paulistana de 38 anos, a brasileira passou por difíceis e doloridos tratamentos por 4 anos, fez 5 fertilizações e teve 2 abortos espontâneos até decidir contratar uma surrogate. Em janeiro ela esteve na Ucrânia para receber em seus braços Rafael, seu segundo filho gestado pela mesma ucraniana. A primeira gestação foi de Maria Fernanda, que tem dois anos e nove meses

"Tenho contato com a minha surrogate desde a minha primeira filha, porque eu assisti ao parto. Na segunda gestação estive em contato o tempo todo com ela e, quando anunciaram o início da guerra, passamos a nos falar todos os dias para saber como ela está, como está a cidade em que ela vive, Horishni Plavni, no centro da Ucrânia, que ainda não foi bombardeada. As sirenes tocam às vezes", conta Ludimila.

Enquanto Universa conversava com Ludimila, Maria entrava em contato com a brasileira para lhe dizer que a ucraniana está com o filho Igor, de 15 anos, e com o marido, que acabara de voltar da convocação para guerra, há uma semana: "Boa tarde, Ludimila. Eu só queria dizer que estamos bem. Agora a sirene do ataque aéreo está tocando. Estamos sentados no banheiro. Estaremos separados da rua por duas paredes. De acordo com as regras, isso é suficiente se uma bomba cair, para manter todos vivos. Vivemos em um prédio de 9 andares, no 1º andar. A sirene está tocando todas as noites e dias. O porão, como mostra a prática, não é o melhor lugar. Muitos estão cheios de escombros em casa. As tropas podem chegar a qualquer momento".

Ludimila recebeu a mensagem com tristeza. Ela só desejava que tudo acabasse logo e Maria pudesse voltar à vida normal.

(Luciana Carvalho, estagiária, sob supervisão de Keila Ferreira, Coordenadora do Núcleo de Política.)

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