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Brasil reconhece Delcy Rodríguez, vice de Maduro, como presidente interina da Venezuela

Antes da captura de Nicolás Maduro, o governo brasileiro nunca reconheceu a reeleição dele na Venezuela, mas manteve diálogo diplomático e canais abertos

Estadão Conteúdo

A secretária-geral das Relações Exteriores, embaixadora Maria Laura da Rocha, disse neste sábado, dia 3, que o governo brasileiro reconhece a vice-presidente chavista, Delcy Rodríguez, como presidente interina na Venezuela, após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

"Na ausência do atual presidente Maduro, é a vice-presidente. Ela está como presidente interina", afirmou a secretária-geral das Relações Exteriores sobre a integrante da ditadura chavista, após a segunda reunião de avaliação do governo brasileiro, convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Mais cedo, o presidente Donald Trump, chegou a indicar que seu governo fez contato político de alto nível com Delcy, por meio do secretário de Estado Marco Rubio, e que ela sinalizou estar disposta a colaborar.

A secretária-geral não esclareceu se o governo Lula manteve diálogo com ela após a operação militar de captura de Maduro - mais cedo, os chanceleres Mauro Vieira e Yván Gil mantiveram uma conversa.

A chancelaria brasileira disse que fará contatos com os americanos, e não comentou o fato de Trump ter dito que os EUA assumiriam o poder em Caracas, com um grupo de indicados pelo republicano. "Temos que esperar e ver como vai se desenrolar", disse Maria Laura da Rocha.

O governo brasileiro nunca reconheceu a reeleição fraudada por Nicolás Maduro, mas manteve diálogo diplomático e canais abertos. Houve um afastamento político calculado entre os aliados históricos - Lula e Maduro - até a escalada da operação militar americana no Caribe.

O Itamaraty voltou a condenar o ataque, como fez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a manhã, pouco antes da primeira reunião. Os integrantes do governo evitaram comentários e, segundo relatos de presentes na conversa com Lula, havia um ambiente de cautela para ter a exata dimensão dos acontecimentos em Caracas.

O Brasil pretende participar de uma reunião emergencial em tom crítico no Conselho de Segurança das Nações Unidas, na segunda-feira, dia 5.

Também haverá uma reunião na Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) - a última prevista para domingo, dia 4, às 14h, em âmbito ministerial.

Segundo o Itamaraty, participaram da segunda reunião, além de Maria Laura, os ministros José Múcio (Defesa), Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social) e a embaixadora brasileira em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira, além dos secretários-executivos da Casa Civil, Miriam Belchior, e da Secretaria de Relações Institucionais, Marcelo Costa.

O governo informou que a embaixada brasileira monitora os acontecimentos e que não recebeu relatos de vítimas ou feridos entre a comunidade brasileira na Venezuela.

Cerca de 100 brasileiros deixaram o país vizinho por via terrestre, em direção a Roraima. O Palácio do Planalto diz que o movimento na fronteira segue dentro da normalidade.

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