Irã se despede de Khamenei e enfrenta seu legado em meio a divisões amargas
Procissões com o caixão em Teerã e em outras cidades reuniram multidões de apoiadores
Um profissional de tecnologia no Irã, neto de clérigo xiita, rejeitou o governo clerical e hoje vê a sociedade iraniana profundamente dividida. Ele atribui esta fratura ao aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã por mais de três décadas, sepultado nesta quinta-feira após sua morte.
Multidões de apoiadores se reuniram em procissões com o caixão de Khamenei, demonstrando a força de setores linha-dura. No entanto, o país enfrenta profundas camadas de insatisfação devido a décadas de repressão, sanções internacionais e má gestão econômica.
"Abriu-se uma fissura nos lares de todo o país", disse o profissional anônimo à Associated Press, temendo por sua segurança. A morte de Khamenei consolidou seu legado como mártir para o establishment. Em seu funeral, participantes chegaram a pedir a morte de Donald Trump como vingança.
A Ascensão e a Ideologia de Khamenei
Khamenei assumiu a liderança em 1989, sucedendo Ruhollah Khomeini, que derrubou o xá. Ele desafiou sanções e expandiu o programa nuclear e o arsenal de mísseis do país sob a bandeira da resistência ao Ocidente.
No âmbito doméstico, Khamenei consolidou a teocracia linha-dura, neutralizando o movimento reformista. Concedeu à Guarda Revolucionária amplo poder e tentou manter controle rígido sobre a vida privada dos jovens iranianos.
Repressão e Desesperança no Irã
Um ponto de inflexão ocorreu em 2009, quando o governo reprimiu protestos por denúncias de fraude eleitoral. Dezenas morreram na primeira grande operação contra um movimento de contestação em massa.
Um ativista iraniano, ex-presidiário político, afirmou que a repressão alimentou uma sensação generalizada de desesperança na sociedade.
Polarização e o Futuro Político
No mês passado, Ali Rabiei, assessor do presidente reformista Masoud Pezeshkian, reconheceu que o Irã está "severamente polarizado". Ele sugeriu que há uma parcela da sociedade entre "dois polos" onde o governo pode buscar apoio para mudanças.
Embora não haja pesquisas confiáveis, as eleições oferecem um retrato do humor do país. A participação na última eleição presidencial caiu, com milhões sem ver sentido no voto. O candidato linha-dura obteve 13,5 milhões de votos, enquanto Pezeshkian recebeu 16,3 milhões.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA