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'Brasil defende neutralidade do Canal do Panamá', afirma Lula

Estadão Conteúdo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quarta-feira, 28, a neutralidade do Canal do Panamá e criticou a falta de coesão política na América Latina e no Caribe, durante a sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá. Em discurso, Lula afirmou que ainda falta convicção às lideranças regionais para a adoção de um projeto mais autônomo de inserção internacional.

"A integração em infraestrutura não tem ideologia. Por isso, o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não discriminatória", disse o petista. "O Brasil avança em ritmo acelerado na implementação do seu programa de Rotas de Integração Sul-Americana. Continuamos empenhados em trabalhar com todos os países vizinhos."

O presidente avaliou que a região não pode desperdiçar oportunidades de debate estratégico em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica e mudanças na ordem econômica internacional.

Na avaliação do presidente, os mecanismos de articulação política regional perderam força ao longo dos últimos anos, o que teria contribuído para o enfraquecimento da integração latino-americana. O presidente voltou a afirmar que os países da América Latina precisam construir um caminho próprio de reinserção na ordem global, superando divisões ideológicas e disputas externas. "Nossas cúpulas se tornaram rituais vazios. A Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) está paralisada, apesar dos esforços do presidente Petro", disse. "Falta convicção às lideranças regionais."

Segundo Lula, setores estratégicos podem servir de base para um novo modelo de desenvolvimento regional, mais sustentável e integrado às demandas da transição energética global. O petista afirmou que setores como centros de dados, a bioeconomia e os minerais críticos podem contribuir para a construção de um modelo de desenvolvimento mais sustentável na região.

No campo econômico, o presidente destacou a estratégia brasileira de diversificação de parceiros comerciais e anunciou a ampliação de negociações com economias emergentes e tradicionais. "Vamos ampliar os acordos com a Índia e o México. Retomamos as tratativas com o Canadá e avançamos nas negociações com os Emirados Árabes Unidos", disse.

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