SEX · 02 OUT 2026Assine

FUTEBOL

Remo: Preço do ingresso na volta ao Baenão não agrada e torcedor diz: 'virou artigo de luxo'

Remo cobrou R$80 no valor do ingresso , maior preço já estipulado pela diretoria nesta Série B, ultrapassando até mesmo o clássico Re-Pa

Fábio Will

21 de setembro de 2025 às 07:30

( Foto: Samara Miranda / Remo )

O Remo voltou a jogar no Baenão com a presença dos torcedores, após mais de um ano longe de casa, atuando apenas no Mangueirão. O Leão Azul enfrentou o Atlético-GO, pela 27ª rodada da Série B, mas o preço cobrado pela diretoria do Remo no ingresso não agradou parte da torcida azulina. Nas redes sociais, muitos torcedores questionaram o valor de R$ 80 no ingresso, o maior já cobrado pelo clube nesta Série B, ultrapassando até mesmo o clássico contra o Paysandu.

WhatsApp: saiba tudo sobre o Remo

A equipe de O Liberal fez um levantamento sobre o preço do ingresso do Remo nesta partida em relação ao último jogo azulino na Série B disputado no Baenão, além de comparar com os valores aplicados pelo clube em jogos no Mangueirão. Na última partida do Leão Azul no Estádio Evandro Almeida pela Série B, o clube cobrou R$ 60 no jogo contra o Confiança-SE, em 2021. Quatro anos depois, o Remo oferece a arquibancada pelo preço de R$ 80, um aumento de 33,3%, enquanto a inflação acumulada no período foi de 18,27%, quase a metade do reajuste do ingresso.

Contra o Atlético-GO, o Remo aplicou o maior preço de ingresso desta Série B. Esse valor de R$ 80 ultrapassou os R$ 50 cobrados no clássico Re-Pa deste ano, também pela Série B, que é uma das partidas mais aguardadas. Atualmente, uma família de três pessoas paga R$ 240,00 apenas em ingressos, sem contar transporte, alimentação e bebidas.

Para o torcedor do Remo, Alex Mafra, a diretoria cobrar esse valor é uma falta de consideração com a torcida azulina e representa uma forma de segregação de classes.

“Um absurdo cobrar um valor desse, levando em consideração a renda per capita do trabalhador assalariado no Brasil, que é a grande massa consumidora dos estádios de futebol. Enxergo como um apartheid futebolístico, como uma verdadeira segregação de classes. Virou artigo de luxo, com toda certeza, justamente levando em consideração a média salarial da maioria dos paraenses”, disse.

VEJA MAIS

Baenão modernizado: veja como ficou o estádio azulino após as reformas O estádio foi autorizado a receber jogos oficiais e, com isso, a CBF confirmou a mudança de local da partida contra o Atlético-GO, marcada para o próximo sábado (20/9)

Remo volta ao Baenão após um ano; retrospecto mostra domínio no Mangueirão Time retorna ao seu estádio neste sábado pela Série B.

Torcida esgota ingressos para Remo x Atlético-GO no Baenão Há, porém, uma cota exclusiva para check-in do sócio-torcedor. Caso a meta não seja atingida até quarta-feira (17), o clube abrirá um novo lote de ingressos na quinta (18)

O Baenão, diferente do Mangueirão, possui uma capacidade menor e foi liberado para 14 mil pessoas. Alex entende a necessidade de arrecadação, mas questiona a falta de atitude da diretoria em buscar outras fontes de receita para o clube, além da bilheteria.

“A famosa lei da oferta e demanda. Com a possibilidade reduzida de público por conta do tamanho do estádio, somada à necessidade de liberação de ingressos para sócio-torcedores e gratuidades, a diretoria tenta compensar os cofres com a renda do jogo, impondo esse aumento abusivo, que poderia ser equilibrado com estratégias de marketing e novos patrocinadores. Um clube que almeja a elite nacional não pode ter como principal fonte de renda a bilheteria dos jogos. Ficamos reféns de público e precisamos entender que nem sempre o clube estará em boas colocações nas competições, o que pode levar à evasão dos estádios e, consequentemente, ao prejuízo de receita”, comentou.

Administrador Alex Mafra acompanha sempre os jogos do Remo (Arquivo pessoal)
Administrador Alex Mafra acompanha sempre os jogos do Remo (Arquivo pessoal)

A volta do Remo ao Baenão ocorre por conta de shows que serão realizados no Mangueirão. Para Alex Mafra, o Estádio Evandro Almeida ainda pode receber partidas, mas de menor porte e sempre levando em consideração o desempenho do clube no decorrer da competição.

“O Baenão, ao meu ver, deveria ser utilizado para competições de menor porte, como o Parazão, bem como fases iniciais de copas, que possuem demandas de público menores. O Campeonato Brasileiro deveria ser analisado conforme o desempenho do clube na competição, onde a campanha serviria de termômetro para a escolha do local de atuação”, finalizou.