O que acontece no São Paulo após a renúncia de Júlio Casares e saída de aliados Estadão Conteúdo 21.01.26 21h33 A renúncia de Julio Casares à presidência do São Paulo muda os planos da oposição. Até então, a mobilização era para a assembleia que ratificaria seu afastamento. Agora, ela não é mais necessária. A depender das investigações policiais, porém, conselheiros são-paulinos podem pedir por sanções ao ex-presidente. Casares havia sido afastado provisoriamente pelo Conselho Deliberativo por 188 votos a 55 (dois votaram em branco). Discutia-se a possibilidade de realizar a assembleia mesmo com a renúncia, prevendo a aplicação de sanções ao dirigente. Entretanto, foi entendido que o procedimento de impeachment de Casares não deveria abordar punições. O processo focou apenas na ingovernabilidade do dirigente no clube diante dos recentes escândalos. "A votação não é uma questão de prejulgar pessoas. Os nossos temas são políticos. Nós enxergamos que, politicamente, o Júlio Casares não reunia mais condições de seguir no comando da instituição", explicou o conselheiro Flávio Marques, um dos signatários do pedido de afastamento. O Estatuto do São Paulo prevê a inelegibilidade de até 10 anos, mas não associa a penalidade à destituição. Daí vinham interpretações diferentes sobre o futuro de Júlio Casares no clube. Opositores irão aguardar avanços da Polícia Civil e do Ministério Público (MP-SP) para tentar outras providências. Casares é investigado nas esferas cível e criminal. Se houver materialidade nas investigações que indique ações lesivas do ex-presidente do São Paulo, um novo procedimento interno será aberto para puni-lo. Além do Estatuto do São Paulo, a Lei Geral do Esporte prevê impedimentos pessoais na gestão esportiva. O tema é descrito no artigo 65. "São impedidas de exercer as funções de direção em organização esportiva as pessoas afastadas por decisão interna ou judicial em razão de gestão temerária, ou fraudulenta no esporte por, no mínimo, 10 anos ou enquanto perdurarem os efeitos da condenação judicial", diz um trecho. Na esfera cível, Casares é investigado pelo MP-SP por gestão temerária. A Lei de Responsabilidade Fiscal no Esporte classifica a infração como "risco excessivo e irresponsável para o patrimônio da entidade". Entre as tipificações, está déficit ou prejuízo anual acima de 20% em relação à receita bruta apurada no ano anterior. Isso foi verificado em dois anos da gestão Casares: 2021 e 2024. A estratégia, portanto, envolve aguardar mais materialidade antes de avançar contra Casares. Em 2015, quando Carlos Miguel Aidar renunciou em meio a acusações de desvios na gestão. Sete anos depois, ele foi absolvido em processo por furto no São Paulo e lavagem de dinheiro. Outro ponto que os conselheiros de oposição levam em conta para não realizar a assembleia agora é o custo. Entendendo que o clube não pode ter gastos desnecessários, o encontro não deve acontecer. Fato é que o interino Harry Massis Júnior assume em definitivo até o fim de 2026, quando o mandato de Casares seria encerrado. Isso aconteceria também se a assembleia confirmasse o impeachment. Massis estava distante da política do São Paulo até a última semana. Desde sexta-feira, ele se coloca a par sobre diferentes setores do clube. Em paralelo à renúncia de Casares, o novo presidente alinhou as saídas de Antonio Donizeti Gonçalves, o Dedé, da diretoria social e de Márcio Carlomagno da superintendência geral. Dedé comunicou sua saída também como renúncia. Ela veio, porém, após conversas com Massis. Já Carlomagno continuará no cargo até o fim de janeiro. 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