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Exclusivo: presidente da CBF fala sobre permanência de Tite e problemas internos: 'Pegando fogo, é uma intriga gostosa'

Paraense Antônio Carlos Nunes assumiu o comando da CBF por, pelo menos, 30 dia

Nilson Cortinhas

Aos 82 anos, o coronel Antônio Carlos Nunes assume a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pela segunda vez. Como vice-presidente mais antigo da entidade, em caso de vacância do cargo a responsabilidade é do dirigente paraense, que tem raízes em Monte Alegre, munícipio da Baixo Amazonas. "Sou pinta cuia", brinca, relembrando um apelido da referida cidade.

A brincadeira também é para amenizar uma entrevista em meio à um clima difícil na própria CBF. Duas crises explodiram quase que simultaneamente. Rogério Caboclo deixou o cargo após denúncia de assédio moral e sexual feita por uma funcionária da CBF. O detalhe é que o problema envolvendo Caboclo não é o único.

A entidade virou um barril de pólvora depois do anúncio que o Brasil sediaria a Copa América, com apoio do Governo Federal e da própria cúpula da CBF - a competição foi recusada em outros dois países sul-americanos, casos de Colômbia (em crise política) e Argentina (em crise sanitária por conta da pandemia).

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Em um primeiro momento, os jogadores da Seleção Brasileira se recusaram a participar da competição. E o treinador Tite manifestou apoio. Uma reunião com o então presidente da CBF, Rogério Caboclo, não conseguiu contornar a situação. Pelo contrário. Até informações sobre um suposto pedido de demissão de Tite ficou em voga.

É nesse contexto que Nunes vai gerenciar a CBF. Em entrevista exclusiva, afirmou. "Está pegando fogo. Essa intriga do futebol é uma intriga gostosa. Pela segunda vez, estou assumindo, mas não pipocando como agora. E agora me aparece esse pepino. Não é brincadeira, não (risos). É Copa América, é seleção brasileira, jogadores não querendo jogar. É pensar em como administrar bem, como contornar", frisou.

Antônio Carlos Nunes elogiou o trabalho desenvolvido por Tite. "Eu digo assim: não estamos ganhando?! Saímos vencedores da Copa América (2019). E estamos, praticamente, classificados para a Copa do Mundo. Se ganharmos amanhã (contra o Paraguai), vamos aos 18 pontos. Aquele ditado: em time que está ganhando não se mexe", disse. Tite segue prestigiado por Nunes (Pedro Martins / Mowa Press)

Nunes evitou avaliar com profundidade a questão da Copa América, no entanto, manifestou ideia da separação de política e futebol. "Não sei se serei convocado para a CPI, que é da covid e não de futebol", ressaltou "Não dá pra meter política com futebol. É a minha opinião. Só se faz perder".

Outra situação, já não relacionada ao momento de turbulência, diz respeito ao futebol paraense. "Com a inauguração do Mangueirão (em reforma), meu compromisso é que a Seleção Brasileira faça a inauguração", declarou o atual presidente da CBF.  

Confira a entrevista completa: 

- Coronel Nunes, como é assumir a CBF em um momento que carece de várias resoluções? 
Nunes: Está pegando fogo. Essa intriga do futebol é uma intriga gostosa. Pela segunda vez, estou assumindo, mas não pipocando como agora. E agora me aparece esse pepino. Não é brincadeira não (risos). É Copa América, é seleção brasileira, jogadores não querendo jogar. É pensar em como administrar bem, como contornar. A Seleção Brasileira é o coração do povo brasileiro. E estamos em duas disputas. Tem a questão da CPI, que não é do futebol, é da Covid. Já teve pedido político, de interferência. Não dá pra meter política com futebol. É a minha opinião. Só se faz perder. Parece que estamos pisando em ovos. Este é o quadro. Sou presidente da CBF em 30 dias. 

- Pelo menos no aspecto de conhecer a entidade, não haverá problema...

Nunes: Conheço todo mundo e isso aí não será difícil.

- E sobre o trabalho da comissão técnica, do Tite. Qual é a ideia? Há uma informação que ele pediria demissão nesta terça-feira (08).

Nunes: Não posso adiantar. Agora sou amigo do Tite. Na última Copa, viajei com ele em todos os jogos. Viajei várias cidades. Nos classificamos bem para a Copa do Mundo. Na (Copa do Mundo da) Rússia, também acompanhei. Só não deu certo para trazer o caneco. Seria a consagração. Agora vou trocar uma ideia com a minha turma na CBF (sobre a permanência). Não consegui falar com o Tite de ontem [domingo] para hoje. A ideia era falar que a decisão veio pra minha mão. Gosto muito do trabalho dele. Ele é sério. Já sei como é. Não adianta que, por uma questão de vaidade, colocar fulano. Não funciona assim. (...)

- A ideia é contornar e manter o Tite...

Nunes: Exatamente. Eu digo assim: não estamos ganhando? Saímos vencedores da Copa América. E praticamente, classificados na Copa do Mundo. Se ganhar amanhã, vamos aos 18 pontos. Aquele ditado: em time que está ganhando não se mexe. 

- E com relação a Copa América? Qual a sua opinião sobre o assunto?

Nunes: Não posso me manifestar sozinho. Temos que criar comissão para chegar e avaliar. Não vou impor nada. Não sei se vão me chamar para me manifestar na CPI.

- Agora há um clima de insatisfação entre os jogadores brasileiros e o comando da CBF...

Nunes: Sei da reunião que teve. Sei porque estou no meio, né? Não foi boa a reunião com o presidente. Tive a informação que o clima melhorou com a notícia da mudança na cúpula da CBF. Conheço os jogadores. Sei quem é quem. Vou me apresentar como novo presidente da CBF. Novo no modo de dizer (risos). 

- Qual seria o seu planejamento a curto prazo?

Nunes: É aquilo que vem. Está dando certo e vai. Nosso primeiro objetivo é classificar para a Copa do Mundo. O Brasil nunca ficou fora de uma Copa do Mundo. Com relação a Copa América, nem Venezuela [Colômbia, na verdade], nem Argentina quiseram realizar por causa da pandemia. A Conmebol procurou o presidente (Jair Bolsonaro) e ele, prontamente, aceitou. Tem o aval do presidente da República. Tinha que falar com o presidente da República. Está certo esse encaminhamento. Há coisas para se resolver. 

- Você chegou a conversar com o Rogério Caboclo (presidente afastado da CBF)?

Nunes: Ainda não conversei hoje com ele. Mas quase todos os dias trocamos uma ideia. É um cara amigo. Assim que eu chegar na CBF vou passar um telefonema pra ele. 

- Qual a mensagem que você deixa para o povo paraense?

Nunes: Deixo uma mensagem de otimismo para o povo paraense. Confiar nesse 'caboco' que é um interiorano. Nasci em Monte Alegre e cheguei a dirigir uma das maiores confederações do mundo. Eu comecei no interior. Fui eleito, pela primeira vez, presidente da Liga Esportiva de Santarém. 

- É possível pensar em algo em benefício ao futebol paraense?

Nunes: Tem que manter a nível nacional o que o Pará participa. Daí pra frente, visualizar alguma coisa. Que se faça uma avaliação. Ficamos assim: o que vou fazer agora? Tenho projeto. E assim que ficar pronto o Mangueirão, o compromisso é de levar uma Seleção Brasileira para inaugurar o Mangueirão.  

Nota da redação: o Brasil vivencia a segunda onda de covid e tenta avançar na vacinação - de acordo com dados do consórcio de imprensa, cerca de 10% da população já recebeu as duas doses das vacinas. Portanto, há preocupações em sediar uma competição internacional. Antônio Carlos Nunes, aliás, já foi vacinado.     

- O senhor pegou covid?

Nunes: Não peguei. 'Xô covid'!  Ando com álcool no bolso. A CBF está toda higienizada.

- Mas já foi vacinado?

Nunes: Sim. As duas doses. Acredito que estou imunizado.

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