Falta menos de um ano para a Copa do Mundo Feminina de 2027, mas o torneio já desperta expectativas, especialmente em relação ao futuro da modalidade no Brasil. No Pará, dirigentes enxergam a competição como uma oportunidade para transformar a visibilidade do futebol feminino em investimentos permanentes, fortalecer as competições e ampliar a profissionalização de atletas e outros profissionais.
Ao todo, oito estados brasileiros receberão jogos do Mundial de 2027. No entanto, diferentemente da Copa do Mundo masculina de 2014, a Região Norte ficou de fora. Belém chegou a se candidatar para sediar partidas. Com o Mangueirão reformado, recebeu visitas da Fifa e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mas não foi selecionada.
"A Copa do Mundo Feminina de 2027 em nossa cidade proporcionaria um intercâmbio esportivo e cultural inimaginável. Todas as sedes devem aproveitar este momento para o desenvolvimento da modalidade", destacou Del Filho, diretor de Competições da FPF.
Apesar de o Estado não receber jogos, há uma expectativa para outros eventos e possibilidades que possam impulsionar o futebol feminino no Pará. A diretora de futebol feminino da Federação Paraense de Futebol (FPF), Izabel Luna, conhecida como Bel Luna, falou sobre o potencial de crescimento que a Copa do Mundo pode proporcionar a modalidade.
"O principal legado pode ser transformar a visibilidade da Copa em investimento permanente, e não apenas no ano do Mundial. O impacto não será só simbólico: ele pode fortalecer o calendário local, profissionalizar a modalidade e dar mais sustentabilidade ao futebol feminino paraense, não somente para as atletas, mas também para árbitras, treinadoras e gestoras. Hoje a gente já vê o crescimento aqui no Pará; o que falta é estruturar", apontou a diretora.

Fortalecimento do futebol feminino paraense
Com isso, Bel Luna acredita que o Mundial representa uma oportunidade para fortalecer a modalidade no estado. Segundo ela, a FPF tem desenvolvido projetos e ações para impulsionar o futebol feminino.
"A tendência é usar o momento da Copa para fortalecer o futebol feminino no Estado, não só como vitrine. Em 2025, a FPF já destinou investimentos para ampliar competições, qualificar profissionais e criar mais oportunidades para clubes e atletas. Além disso, a federação vem atuando em ações ligadas à estrutura da Copa e à preparação de Belém, como workshops da Fifa e projetos de centro de treinamento, o que mostra foco em legado e valorização da modalidade dentro dos clubes. A FPF pretende incentivar a prática, fortalecer os projetos existentes e ampliar o espaço institucional para o futebol feminino paraense", afirmou.

Desigualdade de investimentos
Mesmo com as expectativas para o Mundial, a realidade do futebol feminino paraense - e do Brasil - ainda passa pela falta de investimento, que é um dos principais problemas para o crescimento da modalidade.
Representante do Pará na Série A do Campeonato Brasileiro masculino, o Clube do Remo, por exemplo, destinou apenas R$ 80 mil ao futebol feminino, conforme consta na proposta de orçamento do clube para 2026. No mesmo documento, a previsão de gastos com o futebol é de R$ 139,650 milhões.
Com a falta de recursos, as jogadoras recebem baixos salários, o que, na maioria dos casos, dificulta a profissionalização, além de enfrentarem estruturas precárias. Por isso, a expectativa por mais atenção e investimentos na modalidade com o mundial é alta.
"Acredito que é bem provável que o Mundial ajude a atrair novos investimentos para o futebol feminino paraense, porque a própria preparação para a Copa já está gerando recursos e pressão por legado no Estado", afirmou Bel Luna.

Calendário
Outro desafio é a consolidação de um calendário competitivo ao longo de toda a temporada. Atualmente, o futebol feminino paraense conta com sete competições: quatro na categoria adulta e três voltadas às categorias de base (sub-15, sub-17 e sub-20). Todas são subsidiadas pela FPF e pela CBF. Del Filho ressaltou que esse é um número significativo e muito importante.
Já Bel Luna ponderou que o mais importante não é apenas ampliar a quantidade de jogos, mas oferecer competições de qualidade, capazes de aumentar a competitividade e promover o crescimento dos clubes e das atletas.
"A prioridade não é só 'ter mais jogos', mas criar uma temporada com mais qualidade, continuidade e estrutura para as jogadoras. Ou seja, investir na formação e na transição da base, para que o talento não se perca antes de chegar ao futebol adulto", destacou
A diretora também defendeu investimentos na formação de profissionais e no fortalecimento institucional dos clubes.
"Na estrutura, o ideal é ver mais apoio contínuo aos clubes, principalmente na base, com centros de treinamento e profissionais qualificados, para que a modalidade não dependa apenas de eventos pontuais. Já na competitividade, o mais importante é manter o calendário e ampliá-lo com mais jogos de qualidade, para que as equipes estejam mais preparadas. Na participação, espero mais interiorização e mais clubes tratando o feminino como um projeto permanente, e não apenas como uma obrigação. O próprio avanço recente das competições mostra que há espaço para consolidar esse crescimento, desde que o investimento continue", completou Bel Luna.
Atualmente, o Pará possui três equipes nas competições nacionais de futebol feminino em 2026: Paysandu, Remo e Tiradentes-PA. O objetivo e sonho é chega na primeira divisão, algo que deve ser construído nos próximos anos, por meio de investimentos, calendário e oportunidades capazes de transformar modalidade.
"É preciso manter o que já vem dando certo. O calendário do futebol feminino paraense já é sólido. Com sua ampliação, de maneira gradual e sem atropelos, conseguiremos, por exemplo, colocar ainda mais equipes do Estado em competições nacionais, até termos um ou mais representantes na Série A. Esse é o nosso grande objetivo", finalizou Del Filho.

