Tensões no Oriente Médio podem provocar impactos na economia do Pará, alerta Fiepa

Os impactos sobre rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, acendem um sinal de atenção para um estado cuja base produtiva é fortemente ancorada na exportação de commodities minerais e agropecuárias

Fabyo Cruz
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A Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) divulgou nota nesta terça-feira (3) alertando que a intensificação das tensões no Oriente Médio pode gerar reflexos diretos sobre a economia paraense. Segundo a entidade, os impactos sobre rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, acendem um sinal de atenção para um estado cuja base produtiva é fortemente ancorada na exportação de commodities minerais e agropecuárias.

De acordo com a Fiepa, em um cenário de encarecimento logístico global e aumento da incerteza nos mercados, indústrias locais podem enfrentar dificuldades adicionais para manter competitividade e previsibilidade operacional. A avaliação é do economista e vice-presidente da entidade, Clóvis Carneiro.

Levantamento do Centro Internacional de Negócios da Fiepa (Fiepa CIN) aponta que o Oriente Médio segue como destino relevante das exportações paraenses, mesmo com oscilações recentes. Em 2025, as vendas de minério de ferro para a região somaram US$ 277,7 milhões, com destaque para Omã como principal comprador.

No segmento de carne bovina, o volume exportado alcançou US$ 389,1 milhões, tendo como principais mercados Iraque, Líbano, Israel e Arábia Saudita. Embora o Oriente Médio não seja o principal parceiro comercial do Pará, a região compõe uma frente importante de diversificação das exportações do estado.

Custos logísticos e petróleo no centro das preocupações

Segundo Carneiro, o impacto mais imediato tende a ocorrer na logística internacional. A alta do petróleo e os riscos nas rotas marítimas podem elevar custos de fretes, seguros e encargos financeiros das exportações.

“A grande preocupação é com o preço do petróleo, que poderá criar instabilidades nos mercados financeiros e na logística mundial, afetando diretamente os custos de fretes, seguros e encargos financeiros das exportações”, afirmou o economista.

Para setores como mineração e pecuária — altamente dependentes do transporte marítimo de longa distância —, o aumento desses custos pode pressionar significativamente os resultados das empresas.

Na avaliação do presidente da Fiepa, Alex Carvalho, a escalada geopolítica também expõe fragilidades estruturais do Brasil no campo energético. Ele diz que em um cenário de conflitos e pressão sobre o preço do petróleo, o país ainda opera com horizonte limitado de reservas e elevada dependência da importação de derivados, ampliando a vulnerabilidade da economia a choques externos.

“Enquanto grandes potências ampliam suas reservas e buscam segurança energética, o Brasil ainda trata como tabu novas fronteiras exploratórias. Abrir mão desse potencial, em um cenário global instável, é transformar cautela em fragilidade econômica”, afirmou, ao comentar a postergação da exploração da Margem Equatorial.

Duração do conflito é fator decisivo

Para a Fiepa, o fator tempo será determinante para medir a magnitude dos impactos. Quanto mais prolongada a instabilidade no Oriente Médio, maiores tendem a ser os efeitos adversos sobre a economia global e, consequentemente, sobre o Pará.

Um cenário de guerra prolongada pode, inclusive, desencadear uma recessão internacional, reduzindo a demanda por commodities e afetando diretamente o desempenho das exportações industriais paraenses.

Outro ponto de atenção é a dependência indireta do estado em relação à economia chinesa. Principal destino das exportações do Pará, a China pode ser fortemente impactada pela crise, sobretudo devido à sua dependência do petróleo do Oriente Médio — cerca de 50% das importações chinesas passam pelo Estreito de Ormuz, atualmente sob forte tensão geopolítica.

Uma eventual desaceleração da economia chinesa teria efeito imediato sobre a demanda por minério de ferro e outros produtos paraenses, ampliando os riscos para o setor industrial.

“Diante desse cenário, dois fatores se colocam como centrais para o monitoramento econômico: a duração do conflito e seus desdobramentos sobre as principais economias globais, como Estados Unidos, China e União Europeia. Para o Pará, cuja inserção internacional é fortemente baseada em commodities, o momento exige cautela, planejamento e capacidade de adaptação a um ambiente externo mais volátil”, concluiu Clóvis Carneiro.

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