Tarifa de 25% pode atingir mais da metade do valor total exportado pela indústria paraense aos EUA
Fiepa ressalta que é cedo para estimar com precisão o impacto econômico para o Pará, mas avalia que mais da metade do valor total das exportações paraenses aos Estados Unidos permanece sujeito à alteração tributária
A ameaça de uma nova tarifa de 25% por parte do governo de Donald Trump aos produtos comprados pelos Estados Unidos do Brasil acendeu o alerta de exportadores, inclusive os paraenses. Segundo a Federação das Indústrias do Pará, acompanhando informações e orientações da Confederação Nacional da Indústria (CNI), é prematuro estimar com precisão o impacto econômico para o Estado, uma vez que a tarifa adicional proposta pelo ainda não entrou em vigor e passará por consulta pública e audiência antes de uma decisão. Também estão previstas exceções para 1.690 linhas tarifárias, que podem mitigar esse impacto.
“Além disso, experiências recentes mostram que muitos importadores norte-americanos continuam adquirindo produtos brasileiros mesmo diante de barreiras tarifárias, especialmente quando se trata de itens com pouca substituição ou forte demanda no mercado americano”, ressaltou o presidente da entidade, Alex Carvalho.
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Porém, considerando o período correspondente ao primeiro quadrimestre deste ano, a Fiepa avalia que a imposição da taxa adicional de 25% atingiria a maior parcela dos montantes monetários entre Pará e EUA. De acordo com a análise da entidade, deduzidos os itens identificados com potencial de isenção, cerca de 54% do valor total em dólar FOB (preço da mercadoria somado aos custos de preparação e transporte) das exportações paraenses aos Estados Unidos permanece sujeito à alteração tributária proposta.
“O acréscimo linear de um quarto sobre o custo de entrada das mercadorias atua como um fator de compressão sobre as margens operacionais das empresas e pode alterar a competitividade dos bens paraenses frente a concorrentes internacionais”, diz Alex Carvalho.
Para a Federação, a tendência é que os setores paraenses mais dependentes do mercado norte-americano, que não estejam na lista de isentos, enfrentem aumento de custos e pressão competitiva, enquanto segmentos ligados a commodities estratégicas e produtos diferenciados possam sofrer impactos mais limitados. “O cenário reforça a importância da diversificação de mercados, estratégia que muitas empresas paraenses já vêm adotando ao ampliar negócios com países da Europa, Ásia e Oriente Médio, reduzindo a dependência exclusiva dos Estados Unidos”.
Setores mais vulneráveis
Nessa cenário, a Fiepa entende que a potencial implementação de uma tarifa adicional de 25% por parte dos Estados Unidos estabelece uma configuração de risco assimétrica entre os setores exportadores do estado do Pará. Conforme a análise, baseada em indicadores da balança comercial, as consequências financeiras se concentrariam na indústria de transformação, segmento que responde por cerca de 99% do valor monetário em dólar FOB dentro do escopo analisado, que considera as possíveis isenções das tarifas e analisa o montante exportado no primeiro quadrimestre de 2026.
“Em contrapartida, o setor de agropecuária regista uma participação de 0,39%, ao passo que a indústria extrativa e demais produtos apresentam exposição baixa nesta amostragem específica”, observa Alex Carvalho.
“A análise desagregada dos produtos revela que as cadeias de metalurgia e de transformação mineral constituem os vetores de maior vulnerabilidade. A taxação incidiria diretamente sobre o comércio externo de ferro fundido bruto não ligado e de alumínio não ligado em formas brutas, mercadorias que perfazem, respetivamente, 30,49% e 18,75% do montante avaliado”, acrescentou o presidente da Fiepa.
Diversificação do mercado
Alex Carvalho explica que a busca por novos mercados não é recente. Essa diversificação de destinos para as exportações paraenses já vinha sendo tratada como uma estratégia prioritária pela indústria muito antes do agravamento das tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos.
“Nos últimos meses, a Fiepa participou de uma série de missões internacionais e agendas bilaterais voltadas justamente à abertura de mercados, atração de investimentos e fortalecimento da imagem da indústria paraense no exterior. Estivemos presentes em eventos estratégicos na Alemanha, Estados Unidos e Canadá, além de reuniões com governos, câmaras de comércio, investidores e compradores internacionais”, enfatizou.
Segundo ele, durante a Hannover Messe, na Alemanha, por exemplo, a Federação teve a oportunidade de apresentar o potencial produtivo do Pará e da Amazônia para lideranças empresariais e políticas europeias, destacando cadeias como mineração, bioeconomia, alimentos e especialmente a proteína animal. “A cadeia da carne paraense despertou grande interesse em razão dos avanços em rastreabilidade, sustentabilidade e da capacidade de expansão da produção em bases legais e responsáveis. Também participamos de agendas na China e França, reforçando a inserção internacional do estado e ampliando o diálogo com mercados da Europa e Ásia”.
Esse movimento, afirma Alex Carvalho, tem sido acompanhado por empresas paraenses de diversos segmentos, que vêm intensificando ações de prospecção comercial em países europeus, no Oriente Médio, na Ásia e em mercados emergentes.
Agora, com o aumento das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, ele avalia que essa estratégia ganhou ainda mais relevância. “Muitas empresas mantiveram suas relações comerciais com o mercado norte-americano, mas aceleraram simultaneamente a busca por novos compradores e parceiros em outras regiões do mundo. O objetivo é reduzir a dependência de um único mercado e aumentar a resiliência das exportações paraenses diante de eventuais medidas protecionistas ou mudanças no cenário geopolítico internacional. O que estamos vendo hoje é menos uma reação emergencial e mais a consolidação de um processo de internacionalização que a indústria paraense já vinha construindo e fortalecendo nos últimos anos”, ressaltou.
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