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Tarifa de 25% dos EUA gera alerta, mas setores do Pará avaliam impactos limitados

Medida anunciada pelo governo norte-americano entra em vigor em 22 de julho e preocupa cadeias produtivas como a do açaí, pescado e madeira; entidades destacam necessidade de diversificação de mercados e diálogo diplomático

Jéssica Nascimento
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O anúncio da aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos acendeu um sinal de atenção entre setores produtivos do Pará. A medida, confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) nesta quarta-feira (15), entra em vigor no dia 22 de julho e foi definida após uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo norte-americano para apurar possíveis barreiras comerciais.

Apesar da preocupação inicial, representantes de cadeias produtivas paraenses avaliam que os efeitos podem ser diferentes conforme o setor. Produtos como carne bovina, petróleo, aeronaves e celulose ficaram fora da nova tarifa, enquanto outros segmentos ainda aguardam definições. Para exportadores do Pará, o cenário reforça a necessidade de ampliar mercados consumidores e fortalecer a competitividade internacional.

Carne paraense não deve ser afetada diretamente pelo tarifaço

O setor da carne no Pará não deve sofrer impacto imediato com a medida anunciada pelos Estados Unidos. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados do Estado do Pará (Sindicarne-PA), Daniel Acatauassu Freire, o Estado ainda não tem habilitação para exportar carne ao mercado norte-americano.

“A carne ficou de fora do tarifaço. O Pará não é habilitado para exportar carnes para os Estados Unidos”, afirmou.

A exclusão do produto da lista de sobretaxados também evita uma pressão adicional sobre uma cadeia que busca ampliar a participação no comércio internacional.

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Açaí pode sentir reflexos em novos contratos e negociações

Entre os setores que acompanham com maior atenção a medida está o do açaí, um dos principais produtos da bioeconomia amazônica. Representantes da cadeia avaliam que a tarifa pode influenciar novas negociações, principalmente com compradores internacionais.

O consultor agrícola da Associação dos Produtores de Açaí da Amazônia (Amaçaí), Emerson Menezes, afirmou que contratos já firmados devem seguir normalmente, mas novas vendas podem enfrentar desafios.

“Obviamente que um aumento deste traz impacto nas novas negociações. Contratos anteriores seguirão o curso sendo honrados”, declarou.

Segundo ele, a busca por novos mercados pode ser uma alternativa, mas exige tempo e planejamento. “Novos mercados internacionais levam tempo para buscar. Vimos este filme no tarifaço anterior e esperamos que o governo se posicione diplomaticamente junto ao governo americano e busque na diplomacia o que for melhor para o país e todas as cadeias produtivas atingidas pelo tarifaço”, disse.

O diretor da Associação da Cadeia Produtiva do Açaí de Belém (ACPAB), Jhoy Gerald Rochinha Jr., destacou que o setor ainda avalia os efeitos durante o início da safra.

“A ideia agora é sentir o mercado. Vamos começar a safra agora. Vai começar o armazenamento do açaí. As exportações têm um peso muito grande na parte de consumir o fruto daqui do nosso Pará”, afirmou.

Para ele, uma possível elevação dos custos poderá ser repassada ao consumidor final. “A ideia é a gente compensar isso no preço. Eles vão ter que pagar mais caro de acordo com a taxa. Quanto mais alta a taxa, mais alto será repassado o produto”, explicou.

Pescado aguarda definição sobre inclusão na tarifa

O setor de pescado ainda não recebeu confirmação sobre a inclusão dos produtos na nova cobrança. De acordo com o diretor técnico da Associação dos Produtores de Pescados da Amazônia Azul (ABRAPPAA), Eloy Araújo, o segmento acompanha o desenrolar da decisão.

“Não temos nenhuma confirmação ainda relacionada ao pescado. Toda e qualquer tarifa, principalmente para empresas brasileiras já tão cheias de taxas, impostos etc., é sempre péssimo”, declarou.

Segundo Araújo, a entidade aguarda novas informações antes de avaliar medidas específicas. “Até o presente momento não temos confirmação da inclusão do pescado no tarifaço. Vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos”, afirmou.

Setor madeireiro vê impacto menor, mas mantém preocupação

O setor madeireiro paraense avalia que os impactos da tarifa podem ser menores do que o inicialmente esperado, devido às exceções mantidas pelo governo norte-americano para determinados produtos de madeira.

O diretor executivo da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará (Aimex), Deryck Martins, explicou que os Estados Unidos continuam sendo um mercado estratégico para o segmento.

“A avaliação preliminar da Aimex é de que os impactos para o setor madeireiro paraense tendem a ser menores do que inicialmente se imaginava, uma vez que o documento final manteve exceções para diversos produtos de madeira, reconhecendo a importância estratégica desses materiais para a economia norte-americana”, afirmou.

Segundo a entidade, o mercado norte-americano representa cerca de 40% das exportações de produtos madeireiros do Pará, principalmente itens de maior valor agregado, como pisos, molduras e produtos beneficiados.

Martins ressaltou, porém, que a medida aumenta a insegurança para os exportadores. “A medida gera preocupação e aumenta o nível de incerteza para os exportadores, sobretudo porque o documento mantém referências às questões relacionadas ao desmatamento e prevê a possibilidade de futuras revisões das medidas tarifárias”, disse.

Entre as estratégias para enfrentar o novo cenário estão a ampliação de mercados e o fortalecimento de práticas sustentáveis. “Há uma tendência de intensificação dos esforços comerciais em regiões como Ásia, Oriente Médio e América Latina, ao mesmo tempo em que se busca consolidar a presença nos mercados tradicionais, como Estados Unidos e Europa”, afirmou.

Faepa destaca diversificação da produção paraense

Para a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Pará (Faepa), a diversidade produtiva do estado pode reduzir os impactos da medida. O diretor técnico da entidade, Guilherme Minssen, afirmou que o Pará possui características que favorecem a adaptação a mudanças no comércio internacional.

“A Faepa juntamente com a equipe técnica da CNA, Apex Brasil, mercados do Agro, vem expandindo o número de clientes e fornecedores em diferentes continentes. O Brasil tem seis biomas e uma produção bastante diferenciada”, declarou.

Segundo ele, o estado reúne diferentes cadeias com potencial de exportação. “Talvez o Pará seja um dos Estados brasileiros menos atingidos devido a um excepcional leque de produção”, avaliou.

Minssen destacou ainda produtos como carnes, pescado, frutas tropicais e cacau como segmentos competitivos. “O Pará produz carnes de qualidade bovina, bubalina e pescado com menor custo e frutas tropicais de excelência com mercado crescente como açaí, abacaxi, cacau e citros”, afirmou.

Setores defendem diálogo e abertura de novos mercados

Apesar das avaliações distintas entre as cadeias produtivas, as entidades paraenses apontam a diplomacia e a diversificação comercial como caminhos para reduzir possíveis prejuízos.

Para o setor madeireiro, a expectativa é de continuidade das negociações entre os dois países. “A expectativa da Aimex é que o diálogo diplomático e comercial entre Brasil e Estados Unidos continue e que eventuais ajustes possam ocorrer futuramente, reduzindo as incertezas atualmente existentes”, afirmou Deryck Martins.

O que diz a mineração e o setor de cacau?

O Grupo Liberal aguarda o retorno do Simineral (Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará) e da Funcacau (Fundo de Apoio à Cacauicultura do Estado do Pará). 

 

 

 

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