Após tarifaço, Fiepa defende diálogo para reduzir impactos de sobretaxa sobre produtos brasileiros

Posicionamento da entidade, divulgado à imprensa nesta quinta-feira (16), destaca importância da relação comercial para a economia paraense

O Liberal
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A Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) divulgou, nesta quinta-feira (16), um posicionamento oficial após o anúncio da nova tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em nota divulada à imprensa nesta quinta-feira (16), a entidade afirma que defende a manutenção do diálogo institucional entre os países e a adoção de medidas que reduzam possíveis impactos sobre a indústria paraense.

Em posicionamento oficial, a entidade informou que segue alinhada à Confederação Nacional da Indústria (CNI) na defesa das negociações bilaterais e destacou a importância de ações que garantam a competitividade da indústria brasileira e paraense. “A Fiepa reitera seu alinhamento ao posicionamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e reforça a defesa da manutenção do diálogo bilateral”, informa a Federação.

A entidade afirmou ainda que continuará acompanhando os desdobramentos do chamado tarifaço e avaliando os possíveis efeitos sobre as empresas do Estado. “A Federação seguirá monitorando os desdobramentos do tarifaço e atuando junto às autoridades estaduais e federais para mitigar os impactos sobre a indústria e a cadeia produtiva paraense”, destaca a nota.

Nota técnica

Além do posicionamento institucional, a Fiepa, por meio do Centro Internacional de Negócios (CIN) e do Observatório da Indústria, divulgou uma nota técnica sobre a relação comercial entre o Pará e os Estados Unidos. O levantamento aponta mudanças na balança comercial entre os dois mercados no primeiro semestre de 2026.

De acordo com o documento, as exportações para os Estados Unidos somaram US$ 416,7 milhões no período, registrando queda de 29,9% em comparação com o primeiro semestre de 2025. Já as importações cresceram 26,6%, chegando a US$ 590,2 milhões. Com esse cenário, o saldo comercial do Pará com o país norte-americano passou de um superávit de US$ 128,6 milhões em 2025 para um déficit de US$ 173,5 milhões em 2026.

Parceiro estratégico

A nota técnica destaca, no entanto, que os Estados Unidos continuam sendo um parceiro estratégico para a economia paraense, especialmente pela relação comercial estabelecida entre os dois mercados. “Apesar desse cenário e das incertezas que marcam a economia internacional, os Estados Unidos mantêm sua relevância estratégica para o Pará, consolidando-se como o principal parceiro fornecedor do estado”, aponta o documento.

Segundo a Fiepa, o aumento das importações demonstra a integração entre as economias e a participação de produtos norte-americanos no abastecimento e no desenvolvimento das atividades produtivas do Pará. “O aumento das importações evidencia a forte integração comercial entre os dois mercados e a importância dos produtos norte-americanos para o abastecimento e o desenvolvimento das atividades paraenses”, detalha a nota técnica.

Além da análise dos números da balança comercial, a FIEPA informou que o Centro Internacional de Negócios (CIN) e o Observatório da Indústria do Estado do Pará estão acompanhando as atualizações relacionadas às tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Segundo a entidade, apesar da redução nas exportações para o mercado norte-americano no primeiro semestre de 2026, o movimento não pode ser atribuído exclusivamente às mudanças recentes na política tarifária dos Estados Unidos.

“Quando analisamos a relação comercial entre Pará e Estados Unidos, apesar de constatarmos uma redução de cerca de 30% de nossas exportações para os EUA comparando o período de janeiro a junho deste ano com o mesmo intervalo de 2025, tal comportamento não pode ser simplesmente atribuído às oscilantes políticas tarifárias norte-americanas”, informa a entidade.

A Federação destacou ainda que oscilações semelhantes já foram registradas em outros períodos da relação comercial entre os dois mercados. “Comportamento semelhante em nossas exportações para os EUA já ocorreu entre 2022 e 2023, por exemplo”, acrescena a nota técnica.

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