Verão ainda não reduz custos dos restaurantes de comidas típicas, diz empresária
Embora exista a expectativa de redução dos preços durante o verão amazônico, o cenário observado no estabelecimento ainda é de custos elevados
No alto verão no Pará, cresce a expectativa de queda nos preços de alimentos típicos do Pará em razão da maior oferta de produtos como frutas regionais, pescados, camarão, hortaliças e açaí. Em tese, o período de estiagem favorece a produção, reduz perdas provocadas pelas chuvas e melhora a logística de abastecimento. Na prática, porém, o setor de alimentação afirma que essa redução ainda não tem sido suficiente para aliviar os custos de operação, o que limita o repasse de preços ao consumidor.
A empresária Renata do Nascimento, que há cinco anos administra um restaurante no bairro do Marco, em Belém, afirma que, até o momento, os principais insumos utilizados na cozinha continuam caros. Segundo ela, embora exista a expectativa de redução dos preços durante o verão amazônico, o cenário observado no estabelecimento ainda é de custos elevados.
"O valor dos produtos continua alto. Não muda nada", diz Renata sobre os valores cita como exemplo o aumento expressivo de alguns ingredientes utilizados na produção das refeições. Segundo ela, o fardo de charque que há 6 anos custava por cerca de R$ 100, hoje custa R$ 218, aumento de 118%.
Em Ananindeua, o gerente de um restaurante especializado em culinária regional, Carlos Menezes, relata uma realidade semelhante. Segundo ele, alguns produtos até apresentaram leve redução de preço nas últimas semanas, principalmente verduras e determinadas frutas, mas ingredientes essenciais da culinária paraense continuam pressionados.
"Percebemos uma pequena melhora em alguns itens, mas peixe, camarão, tucupi e outros insumos importantes ainda chegam com preços elevados. Além disso, os custos de energia, transporte e combustíveis continuam pesando bastante na operação", afirma.
Segundo Carlos, mesmo quando o preço pago ao produtor diminui, o consumidor nem sempre percebe essa redução.
"Existe toda uma cadeia de custos até o alimento chegar ao restaurante. Muitas vezes a matéria-prima fica um pouco mais barata, mas outras despesas impedem que a gente reduza o preço final da refeição", explica.
SOLUÇÕES
Mesmo diante da pressão dos custos, ela diz que a estratégia tem sido absorver parte desse impacto para preservar a clientela. Segundo a empresária, a prioridade é manter a qualidade dos produtos, ainda que isso reduza a margem de lucro.
"Prefiro oferecer um pouco menos nos pratos, mas manter a qualidade. As pessoas preferem pagar por uma comida boa do que por uma comida ruim", destaca.
DEMANDA NAS FÉRIAS
Ela também afirma que o comportamento dos clientes pouco mudou durante o verão. O fluxo de consumidores permanece estável e o tacacá continua sendo o produto mais procurado do cardápio.
"Observamos que se mantém o mesmo, a demanda cai em, no máximo, 20%. Mas aos finais de semana a gente sente o movimento de quem volta dos balneários e quer comer antes de chegar em casa”, diz.
Outro ponto sobre o hábito dos consumidores que se destaca durante o período de veraneio é o delivery. Renata diz que, atualmente, a modalidade compreende a pelo menos metade de todo o rendimento.
”Hoje em dia as pessoas compram muito por delivery e aplicativos. Diria que 50% das nossas vendas são com entregas e segue muito forte durante esse período de veraneio”, explicou.
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