CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Sabores amazônicos movimentam mercado de bombons em Belém

Com sabores regionais como cupuaçu, açaí e castanha, empresa aposta na valorização da culinária paraense

Gabriel Pires
fonte

Dos sabores tradicionais da Amazônia nasceu um negócio que ajudou a consolidar os bombons regionais como um dos principais produtos paraenses. Fundada em 1990, a Bombom do Pará começou com três recheios, de cupuaçu, bacuri e castanha e, ao longo dos anos, ampliou a produção e o catálogo de produtos. Hoje, a empresa acompanha o crescimento da procura por itens da gastronomia regional, especialmente em períodos de maior movimento turístico, como as férias de julho, o Círio e o fim de ano.

Segundo João Batista, diretor da Bombons do Pará, a empresa surgiu em 1990, quando a mãe dele deixou o emprego em outra empresa do ramo para iniciar o próprio negócio, motivada pela necessidade de aumentar a renda da família. Como já tinha experiência na produção dos bombons, ela começou a fabricá-los e divulgá-los no condomínio onde a família morava. De acordo com ele, o empreendimento cresceu de forma contínua desde então e segue até hoje conquistando os paladares.

Mas, ao longo dos anos, o portfólio foi ampliado tanto por iniciativa da empresa quanto a partir de sugestões dos clientes. “Hoje temos cupuaçu com castanha, cupuaçu com cobertura de chocolate branco, bombom de açaí, maracujá, queijo, enfim, ampliamos bastante os sabores. A maior parte foi por iniciativa própria, mas um ou dois sabores surgiram por sugestão de clientes. É tudo fabricação própria, na nossa fábrica. Parte é feita com maquinário e parte de forma artesanal”, frisa.

A empresa comercializa bombons em embalagens de cuia, miriti, peneiras e imagens de Nossa Senhora de Nazaré, além de biscoitos de castanha e outros itens típicos. Em datas comemorativas, como o Dia dos Namorados, os produtos também recebem embalagens temáticas e edições especiais voltadas para presentes. João Batista lembra ainda que todos os sabores têm boa procura, mas os bombons de açaí e castanha estão entre os preferidos dos clientes. Segundo ele, o açaí mantém uma forte relação com a tradição paraense e continua sendo um dos sabores de maior saída, assim como o de castanha.

Datas especiais impulsionam vendas

O responsável pela empresa destaca que alguns períodos do ano concentram as maiores vendas. Entre eles está a segunda quinzena de julho, quando muitos paraenses que moram em outros estados retornam para passar as férias com a família e aproveitam para levar bombons e outros produtos regionais, como cachaças, na volta para casa. “Também tem o pessoal que vem conhecer o Estado, principalmente quem vai para Salinas, Mosqueiro e outras localidades, já conhece o bombom e vem comprar”, observa, ao reforçar que os produtos tem clientela durante todo o ano. 

“Além disso, tem o Círio, que não tem comparação. Tem também o fim de ano, que acaba tendo um movimento parecido com o de julho, com paraenses que moram fora e pessoas que vêm conhecer o Estado no Natal e no Réveillon. E tem a Páscoa, que é o período do chocolate, além de datas específicas, como o Dia dos Namorados e o Dia das Mães. Fora essas datas, a gente mantém um nível de vendas entre bom e excelente, bem controlado”, acrescenta João Batista.

Sabores da Amazônia ganham o mundo

Os produtos regionais, segundo João, têm conquistado cada vez mais o paladar de paraenses e visitantes, tanto brasileiros quanto estrangeiros. “O bombom regional não ganhou espaço apenas em Belém, ganhou espaço no mundo inteiro. E não é só o bombom, não é só a Bombons do Pará. Hoje, também se vê o artesanato de cuia de açaí, o artesanato da Ilha do Marajó, a culinária do Marajó, a culinária de Belém. Enfim, tudo o que está relacionado ao artesanato e à culinária da nossa região ganhou o mundo. Ainda tem muita gente que não conhece e que precisa conhecer”, observa.

Por conta da demanda por produtos da culinária regional, a Bombom do Pará ampliou a produção e passou a oferecer outros itens, além dos tradicionais bombons. “Também temos os biscoitos, a rosquinha de castanha, o biscoitinho de castanha, a bala de cupuaçu. E tem gente que é viciada nela. Também temos o salame de cupuaçu, que é um doce de cupuaçu com castanha. Apesar do nome, não é salgado, é doce. Também revendemos cachaças”, diz o diretor da empresa.

“Esse é um mercado promissor, mas a pessoa precisa saber fazer as escolhas certas. Como eu disse, estamos desde 1990. Viemos de uma época em que praticamente não havia concorrência, então construímos nossa base e conseguimos nos manter. Quem quer entrar nesse mercado precisa estudar bem, avaliar o investimento que pretende fazer. Como minha mãe diz, mercado tem para todo mundo, espaço tem para todo mundo. É preciso saber trabalhar com o público que se quer alcançar”, acrescenta o empreendedor.C

Cultura é parte da experiência 

Em relação ao perfil da clientela, João Batista afirma que a demanda é bastante diversificada. Segundo ele, há consumidores que compram os produtos para consumo próprio, enquanto outros procuram os bombons para receber amigos em casa ou presentear visitantes com sabores típicos da região. Para o diretor, apesar de os produtos já serem amplamente conhecidos, ainda há muitas pessoas que não tiveram contato com os bombons regionais, o que demonstra espaço para ampliar esse mercado.

Ao comentar sobre a exposição ainda maior dos bombons regionais, João Batista comenta que a região amazônica já desperta o interesse de visitantes há muitos anos, tanto pela culinária quanto pelo artesanato. Para ele, a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30) reforça essa visibilidade ao atrair um grande número de brasileiros e estrangeiros, ampliando o interesse pelos produtos e pela cultura paraense.

“A COP reforçou tudo o que a Amazônia tem a oferecer. Não deixou a desejar em termos gastronômicos. Veio para reforçar ainda mais essa imagem e dar mais visibilidade. Como eu disse, muita gente já conhece, mas ainda falta muita gente conhecer. A COP veio para dar esse impulso, para que a gente ganhe ainda mais visibilidade e para mostrar às pessoas que a nossa base está na culinária e no artesanato, e que não deixamos a desejar para ninguém”, afirma.

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Economia
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM ECONOMIA

MAIS LIDAS EM ECONOMIA