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Preço do pescado segue acima da inflação em Belém, mas vendedores relatam queda com início da safra

Levantamento mostra que alta acumulada de diversas espécies supera inflação de 2026 e dos últimos 12 meses; feirantes afirmam que oferta aumentou nas últimas semanas e já reduziu preços de peixes populares

Jéssica Nascimento

O preço do pescado continua pressionando o bolso dos consumidores de Belém e acumula altas muito acima da inflação em 2026, segundo levantamento conjunto do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese-PA) e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedcon). Apesar do cenário de aumento apontado pelos pesquisadores, vendedores da Feira da Pedreira afirmam que algumas espécies registraram queda recente de preços em razão do início da safra.

O estudo mostra que os reajustes atingem tanto espécies populares quanto peixes de maior valor agregado. Nos cinco primeiros meses deste ano, 22 das 23 espécies pesquisadas apresentaram aumento de preço, superando com folga a inflação oficial de 2,60% medida pelo IPCA no período. Já na comparação dos últimos 12 meses, os reajustes também ficaram acima da inflação acumulada de 4,39%.

Altas expressivas ao longo do ano

No acumulado entre janeiro e maio de 2026, o Aracu liderou as altas, com reajuste de 52,8%. Em seguida aparecem Curimatã (29,02%), Filhote (27,66%), Serra (23,35%) e Pescada Gó (23,33%). Também tiveram aumentos significativos espécies como Xaréu (22,74%), Bagre (21,17%), Arraia (20,48%) e Gurijuba (13,05%).

Na comparação dos últimos 12 meses, a Piramutaba registrou a maior alta, de 46,38%, seguida por Aracu (42,11%), Bagre (41,58%), Pescada Gó (41,02%), Serra (40,73%) e Cação (30,64%).

Somente entre abril e maio deste ano, 18 das 23 espécies pesquisadas ficaram mais caras. Os maiores aumentos foram observados no Tamuatã (9,61%), Tucunaré (9,60%), Xaréu (7,55%), Mapará (5,92%) e Piramutaba (5,61%).

image (Foto: Thiago Gomes)

Safra reduz preços de algumas espécies

Na percepção dos comerciantes da Feira da Pedreira, no entanto, as últimas semanas foram marcadas por redução nos preços de algumas espécies bastante procuradas pelos consumidores.

O vendedor José Ribamar afirma que a chegada da safra aumentou a oferta e ajudou a reduzir os preços. “O preço dos pescados tá bem satisfatório. Baixou mais o preço. Os peixes que mais ficaram baratos foram a dourada, a pescada amarela e a piramutaba”, afirmou.

image José Ribamar. (Foto: Thiago Gomes)

Segundo ele, a dourada, que antes era comercializada a cerca de R$ 35 o quilo, passou a ser encontrada entre R$ 25 e R$ 30. Já a pescada amarela caiu de aproximadamente R$ 40 para valores entre R$ 30 e R$ 35.

Apesar da redução em algumas espécies, Ribamar destaca que o filhote seguiu trajetória oposta.

“O filhote ficou caro nessas últimas semanas. Ele tava na faixa de R$ 35 a R$ 40 e foi pra faixa de R$ 45 a R$ 50”, disse.

Para o comerciante, a tendência é de novas quedas nos próximos meses. “Quando tá no verão, o peixe dá muito. Aí é mais fácil de pegar e o peixe se torna mais barato”, explicou.

Filhote segue como exceção

O vendedor Elielson Rodrigues também atribui a redução recente ao início da safra de espécies como pescada, gó e dourada.

“Nessas últimas semanas, deu uma baixada. Agora deu uma baixada por causa da safra. Houve uma queda significativa até”, afirmou.

De acordo com ele, a gó é um dos exemplos mais evidentes dessa redução. “A gó estava de R$ 28. Hoje você consegue encontrar entre R$ 18 e R$ 20”, relatou.

image Elielson Rodrigues. (Foto: Thiago Gomes)

A pescada amarela, segundo o comerciante, também ficou mais acessível. “A pescada amarela está saindo a R$ 30 hoje. Na entressafra, sairia até R$ 45 o quilo”, disse.

A dourada apresentou comportamento semelhante. “A dourada tava saindo por R$ 40 e agora sai por R$ 25”, contou.

Assim como Ribamar, Rodrigues aponta o filhote como exceção. “Esse ano não foi uma boa safra. O filhote hoje está saindo em torno de R$ 45 o quilo”, observou.

O vendedor acredita que o avanço do verão amazônico poderá contribuir para novas reduções.

“Com a chegada do verão amazônico e o período de estiagem, eu acredito que vai baixar ainda mais um pouco. A safra forte mesmo chega de julho para agosto”, disse.

Ele ressalta, porém, que fatores climáticos podem interferir na oferta. “Não sei se pode ter alguma alteração em relação ao El Niño. A gente não sabe”, ponderou.

image (Foto: Thiago Gomes)

Consumidores percebem estabilidade

Entre os consumidores, a percepção é de que os preços variam conforme a espécie e o período do ano.

O administrador José Dutra, que costuma comprar peixe com frequência, avalia que os valores estão em um patamar intermediário. “Eu tenho achado que o preço do pescado tá oscilando. Nem caro nem barato. Tá razoável”, afirmou.

image José Dutra. (Foto: Thiago Gomes)

Ele destaca que a pescada é sua espécie preferida e não percebeu aumentos recentes nesse produto.

“A pescada tá entre R$ 30 e R$ 40. Eu acho que a pescada não aumentou”, disse.

Já em relação ao filhote, Dutra concorda com os vendedores. “Eu acho que o filhote ficou mais caro nas últimas semanas”, declarou.

Fatores que pressionam os preços

Na avaliação do Dieese-PA, a trajetória de alta dos preços do pescado está relacionada a diversos fatores econômicos e sazonais. Entre eles estão a menor oferta de determinadas espécies em alguns períodos do ano, condições climáticas que afetam a atividade pesqueira, aumento dos custos de transporte e logística, além da elevação das despesas operacionais ao longo da cadeia de comercialização.

Também influenciam os preços finais dificuldades de abastecimento em alguns mercados, custos com combustíveis e despesas de conservação e armazenamento dos produtos.

Embora os dados apontem que o pescado continua acumulando aumentos superiores à inflação, comerciantes acreditam que a intensificação da safra nos próximos meses poderá ampliar a oferta e ajudar a reduzir os preços de algumas das espécies mais consumidas pelos paraenses.

image (Foto: Thiago Gomes)

Comparativo dos preços médios do pescado – Mercados Municipais de Belém (últimos 12 meses) - Fonte: DIEESE/PA e SEDCON/PMB 

1. Aracu

Mai/26: R$ 27,00 | Abr/26: R$ 26,75 | Jan/26: R$ 26,67 | Dez/25: R$ 17,67 | Mai/25: R$ 19,00

Variação: Mês: +0,93% | Ano: +52,80% | 12 meses: +42,11%

2. Arraia

Mai/26: R$ 16,00 | Abr/26: R$ 15,33 | Jan/26: R$ 13,75 | Dez/25: R$ 13,28 | Mai/25: R$ 13,25

Variação: Mês: +4,37% | Ano: +20,48% | 12 meses: +20,75%

3. Bagre

Mai/26: R$ 17,57 | Abr/26: R$ 17,56 | Jan/26: R$ 16,33 | Dez/25: R$ 14,50 | Mai/25: R$ 12,41

Variação: Mês: +0,06% | Ano: +21,17% | 12 meses: +41,58%

4. Cação

Mai/26: R$ 21,83 | Abr/26: R$ 21,25 | Jan/26: R$ 19,00 | Dez/25: R$ 20,58 | Mai/25: R$ 16,71

Variação: Mês: +2,73% | Ano: +6,07% | 12 meses: +30,64%

5. Corvina

Mai/26: R$ 24,04 | Abr/26: R$ 24,33 | Jan/26: R$ 25,00 | Dez/25: R$ 22,07 | Mai/25: R$ 21,13

Variação: Mês: -1,19% | Ano: +8,93% | 12 meses: +13,77%

6. Curimatã

Mai/26: R$ 25,30 | Abr/26: R$ 24,45 | Jan/26: R$ 21,96 | Dez/25: R$ 19,61 | Mai/25: R$ 19,54

Variação: Mês: +3,48% | Ano: +29,02% | 12 meses: +29,48%

7. Dourada

Mai/26: R$ 25,36 | Abr/26: R$ 27,14 | Jan/26: R$ 29,49 | Dez/25: R$ 26,68 | Mai/25: R$ 26,00

Variação: Mês: -6,56% | Ano: -4,95% | 12 meses: -2,46%

8. Filhote

Mai/26: R$ 43,02 | Abr/26: R$ 42,92 | Jan/26: R$ 39,79 | Dez/25: R$ 33,70 | Mai/25: R$ 35,66

Variação: Mês: +0,23% | Ano: +27,66% | 12 meses: +20,64%

9. Gurijuba

Mai/26: R$ 31,45 | Abr/26: R$ 32,29 | Jan/26: R$ 32,03 | Dez/25: R$ 27,82 | Mai/25: R$ 28,35

Variação: Mês: -2,60% | Ano: +13,05% | 12 meses: +10,93%

10. Mapará

Mai/26: R$ 20,94 | Abr/26: R$ 19,77 | Jan/26: R$ 18,42 | Dez/25: R$ 18,26 | Mai/25: R$ 16,56

Variação: Mês: +5,92% | Ano: +14,68% | 12 meses: +26,45%

11. Pescada amarela

Mai/26: R$ 36,38 | Abr/26: R$ 37,50 | Jan/26: R$ 35,22 | Dez/25: R$ 32,04 | Mai/25: R$ 34,16

Variação: Mês: -2,99% | Ano: +13,55% | 12 meses: +6,50%

12. Pescada branca

Mai/26: R$ 20,48 | Abr/26: R$ 20,44 | Jan/26: R$ 20,19 | Dez/25: R$ 18,66 | Mai/25: R$ 17,05

Variação: Mês: +0,20% | Ano: +9,75% | 12 meses: +20,12%

13. Pescada gó

Mai/26: R$ 20,25 | Abr/26: R$ 19,71 | Jan/26: R$ 18,39 | Dez/25: R$ 16,42 | Mai/25: R$ 14,36

Variação: Mês: +2,74% | Ano: +23,33% | 12 meses: +41,02%

14. Piramutaba

Mai/26: R$ 16,19 | Abr/26: R$ 15,33 | Jan/26: R$ 14,98 | Dez/25: R$ 17,33 | Mai/25: R$ 11,06

Variação: Mês: +5,61% | Ano: -6,58% | 12 meses: +46,38%

15. Pratiqueira

Mai/26: R$ 22,56 | Abr/26: R$ 22,38 | Jan/26: R$ 20,10 | Dez/25: R$ 20,16 | Mai/25: R$ 18,65

Variação: Mês: +0,80% | Ano: +11,90% | 12 meses: +20,97%

16. Sarda

Mai/26: R$ 24,23 | Abr/26: R$ 24,11 | Jan/26: R$ 23,56 | Dez/25: R$ 21,04 | Mai/25: R$ 19,68

Variação: Mês: +0,50% | Ano: +15,16% | 12 meses: +23,12%

17. Serra

Mai/26: R$ 24,67 | Abr/26: R$ 23,63 | Jan/26: R$ 22,12 | Dez/25: R$ 20,00 | Mai/25: R$ 17,53

Variação: Mês: +4,40% | Ano: +23,35% | 12 meses: +40,73%

18. Tainha

Mai/26: R$ 26,30 | Abr/26: R$ 26,10 | Jan/26: R$ 26,20 | Dez/25: R$ 25,90 | Mai/25: R$ 24,25

Variação: Mês: +0,77% | Ano: +1,54% | 12 meses: +8,45%

19. Tambaqui

Mai/26: R$ 20,35 | Abr/26: R$ 21,39 | Jan/26: R$ 20,15 | Dez/25: R$ 20,24 | Mai/25: R$ 21,07

Variação: Mês: -4,86% | Ano: +0,54% | 12 meses: -3,42%

20. Tamuatã

Mai/26: R$ 24,30 | Abr/26: R$ 22,17 | Jan/26: R$ 22,50 | Dez/25: R$ 21,94 | Mai/25: R$ 18,66

Variação: Mês: +9,61% | Ano: +10,76% | 12 meses: +30,23%

21. Traira

Mai/26: R$ 17,67 | Abr/26: R$ 17,32 | Jan/26: R$ 15,50 | Dez/25: R$ 15,45 | Mai

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