Pará registrou R$ 479 milhões em transações financeiras no ano passado

Número corresponde a todos os empréstimos, financiamentos, adiantamentos e arrendamentos mercantis

Elisa Vaz

O Pará registrou R$ 479,9 milhões em transações financeiras no ano passado, uma alta de 14,7% – ou de R$ 61 mi – em relação a 2019, quando foram contabilizados R$ 418,2 milhões em operações. Um ano antes, a alta foi de 12%, entre 2018 e 2019. Estes números, divulgados pelo Banco Central, correspondem a todos os empréstimos, financiamentos, adiantamentos e arrendamentos mercantis, concedidos pelas instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Em um contexto de crise econômica aguda, como o que a economia brasileira experimentou a partir da pandemia do novo coronavírus, seria natural haver uma retração do crédito, por conta das expectativas das pessoas e empresas sobre suas condições de pagamento no futuro. É o que acredita o economista Sérgio Melo. No entanto, o comportamento foi contrário.

O especialista destaca dois fatores que foram determinantes para o aumento na concessão de crédito no Pará em 2020. “O primeiro foi a redução da taxa média de juros de operações financeiras, que se observou a partir das sucessivas reduções da taxa Selic em 2019 e 2020, até estacionar no patamar de 2% ao ano em agosto do ano passado. O segundo fator foram as medidas de combate à crise econômica que os governos federal e estadual tiveram que adotar. Um exemplo, no caso do governo federal, foi o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e, no Pará, o Fundo Esperança, destinado aos microempreendedores individuais (MEIs)”, pontua.

Segundo Sérgio, esses programas atuam com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito dos tomadores que necessitam de liquidez para estabilizar a atividade econômica e atenuar a queda na geração de empregos. No caso dos financiamentos, que não são englobados pelos programas, mas contribuíram para o aumento das operações financeiras no território paraense, o economista diz que “a concessão de crédito para as famílias foi pouco participativo no aumento do crédito total, entretanto, também foi beneficiado pela redução do custo de crédito no período”.

INADIMPLÊNCIA

Ainda de acordo com os dados do Banco Central, no mesmo período, mesmo com a alta de financiamentos e de crédito por meio de empréstimos, a inadimplência praticamente se manteve igual à de 2019, passando de 3,9% para 3,8%. Esta manutenção, na opinião do economista Sérgio Melo, pode ser atribuída, entre outros fatores, às regulamentações do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central (BC), que permitiram ao mercado ofertar prorrogações de parcelas nos créditos anteriormente concedidos, nas mesmas taxas originalmente contratadas, o que possibilita que o tomador não incorra em inadimplência durante o período de crise.

Entre as pessoas que buscaram empréstimos no ano passado está a microempresária Dilian Lima, de 40 anos, moradora de Belém, que conseguiu recursos por meio do Fundo Esperança. Ela conta que, em meio ao caos da pandemia, sua empresa, no segmento de auto escola e educação de trânsito, ficou parada de março a junho, totalmente de portas fechadas, sem entrada de capital financeiro.

"Precisava atualizar as coisas e reerguer a empresa para voltar a funcionar, pagar contas. Consegui dar um gás, e tive assessoria do Sebrae sobre plano de investimento. Investimos em divulgação e treinamento para a nossa equipe atuar com aulas online, além de equipamentos de informática", conta. Hoje, Dilian afirma que está conseguindo pagar o empréstimo e já fez troca da frota de veículos. "Nosso segmento melhorou bastante, houve muita procura pela Carteira Nacional de Habilitação devido aos concursos públicos abertos", comemora a microempresária.

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