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Pará já exportou mais de US$ 632 milhões em alumínio em 2026

Estado aparece como o segundo maior exportador de alumínio metálico do Brasil, atrás de São Paulo

Gabi Gutierrez

O Pará já movimentou US$ 632,7 milhões em exportações da cadeia do alumínio entre janeiro e abril de 2026, somando alumínio metálico, alumina e bauxita, segundo dados da plataforma Comex Stat. O resultado mantém o estado entre os principais polos exportadores do país, com forte participação na cadeia global do metal.

Detalhando os dados analisados pela reportagem do Grupo Liberal, o alumínio metálico exportado pelo estado no período somou US$ 226,4 milhões, enquanto a alumina, que é o insumo fundamental para a produção do metal, alcançou US$ 353,9 milhões. Já os minérios de alumínio, como a bauxita, registraram US$ 52,3 milhões em vendas externas.

Pará concentra mais de US$ 630 milhões no primeiro quadrimestre de 2026

No acumulado de janeiro a abril de 2026, o Pará registrou:

  • Alumínio metálico: US$ 226.459.534
  • Alumina (óxido de alumínio): US$ 353.925.394
  • Bauxita (minérios de alumínio): US$ 52.376.763

No total, as exportações somam US$ 632.761.691, consolidando o estado como um dos principais exportadores da cadeia do alumínio no país.

Comparação com outros estados

No mesmo período, o Pará aparece como o segundo maior exportador de alumínio metálico do Brasil, atrás de São Paulo, que registrou US$ 351,1 milhões. O estado paraense somou US$ 226,4 milhões no período, mantendo disputa direta pela liderança nacional.

Já em abril de 2026, a diferença entre os dois estados foi ainda menor: o Pará exportou US$ 90,2 milhões, enquanto São Paulo registrou US$ 91,2 milhões, em um cenário de forte equilíbrio.

2025 foi ano de liderança para o Pará no alumínio

Os dados também mostram que, em 2025, o Pará chegou a liderar o ranking nacional de exportações de alumínio metálico, com US$ 642,9 milhões, superando São Paulo, que registrou US$ 641,3 milhões.

Naquele ano, a cadeia do alumínio apresentou seus maiores volumes:

  • Alumina: US$ 1,98 bilhão
  • Alumínio metálico: US$ 642,9 milhões
  • Bauxita: US$ 188,4 milhões

Alumina lidera valor na cadeia produtiva

Entre os produtos analisados, a alumina se destaca como o principal item em valor exportado. No acumulado recente de 2026, o produto registrou mais de US$ 353 milhões, reforçando seu peso estratégico na cadeia industrial do alumínio.

Já a bauxita, matéria-prima essencial para a produção de alumina e alumínio, variou entre US$ 13,7 milhões e US$ 188,4 milhões nos diferentes recortes analisados.

Impacto na economia local

Para o economista Cleber Albuquerque, apesar do protagonismo do Pará nas exportações, o estado ainda enfrenta o desafio de avançar na industrialização da cadeia do alumínio e ampliar a produção de itens com maior valor agregado.

“O grande desafio do Estado do Pará é mudar esse modelo focado em alumina e metal primário para um modelo de mina, transformação e produto industrial. Embora o estado seja muito competitivo na base da cadeia, a maior captura de valor está mais abaixo, na produção de laminados, cabos, estruturas e componentes para construção civil e bens duráveis”, afirmou.

Segundo ele, é justamente nessa etapa mais industrializada da cadeia que estão concentrados os empregos mais qualificados, a renda industrial mais alta e a inovação tecnológica. “A gente não pode se contentar em ser apenas fornecedor de matéria-prima em um momento em que o mercado global demanda produtos mais elaborados”, disse.

O economista divide os principais obstáculos para esse avanço em três frentes. A primeira é o custo estrutural da indústria, considerada altamente dependente de energia e investimentos robustos. “O estado continua forte na extração, mas ainda perde atratividade para plantas industriais mais sofisticadas”, explicou.

O segundo desafio, segundo Cleber Albuquerque, está relacionado à carga tributária e à competitividade da indústria nacional. “Existem distorções internas que penalizam a produção de maior valor agregado. Em alguns casos, a carga tributária pode chegar a 35%, o que enfraquece justamente o elo da transformação industrial que o Pará precisa expandir”, destacou.

Por fim, ele aponta a necessidade de uma política industrial articulada para consolidar o setor no estado. “Industrializar exige coordenação, formação de mão de obra qualificada, inovação, infraestrutura, segurança jurídica e atração de investimentos. Se o Pará conseguir combinar esses fatores, o estado deixa de ser apenas exportador da base da cadeia e passa a capturar mais valor, tecnologia e empregos qualificados dentro do próprio território”, concluiu.

 

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